Esperança

2675 Palavras
Rick narrando- Talvez tivesse sido melhor eu morrer, seria mais fácil se ele tivesse acabado comigo, do que ser humilhado e torturado por esse maldito que eu jurava que estava no inferno sendo brinquedo do satanás, não fiz minha caminhada até aqui para ser pisado e esculachado na minha favela, ele fez o que disse que ia fazer comigo, me jogaram em cima da primeira lage , com os pés algemados , correntes fincadas no concreto, como se ele já tivesse tudo em mente, virado de frente para entrada do morro , sendo a principal atração de quem entra e de quem sai da favela, segurando um 12x1 nas mãos a espera do primeiro sinal de invasão para explodir e avisar ao dono do morro , meu morro , minha família, minha vida dedicada ao movimento , toda a minha história resumida a nada, porque é assim que eu me sinto um nada. Em pé , de dia o sol forte a noite o frio congelante , com sede, fome. E uma semana que se passa, os pés feridos, os tornozelos inchados contra as algemas fazem elas ferirem, as moscas me rodeiam pelo m*l cheiro, e a cada segundo que se passa eu só penso que teria sido melhor a morte, ao contrario do que eu pensei , os moradores passam revoltados com o novo dono , e gritam que estão orando , rezando , e que o dono deles vai voltar, fecho os olhos e lembro da minha morena, da minha filha, do meu pivete, da minha mãe que foi escorraçada por um soldado , por ter insistido em ficar de campana aqui perto, o corpo dói , más o coração mano, há o coração está sangrando, eu sinto o gosto do sangue dele na minha garganta. Sobrevivendo a pão e água que raramente chega , tortura é mato, tapas , murros, chutes, choques, marteladas nos dedos, chicotadas, o corpo já está se acostumando com a dor, más a tortura maior é pensar na tortura que esse desgraçado está fazendo com a minha família, só de pensar daquelas mão sujas tocando o corpo da Micaela eu choro, para completar a sorte ou o azar a chuva hoje foi forte, a noite inteira de chuva , sem camisa a água do céu lavam meu corpo e minhas feridas, e me lembra da existência de Deus, o sol nasce e junto com ele um arco íris, eu não sei rezar , más se Deus tiver ouvindo o meu coração ele sabe de tudo, senti uma mão no meu ombro, e uma voz conhecida me fez despertar, um soldado meu das antigas, um velho aliado, levanto a cabeça devagar para ele. Kaká- p***a mano, só de te ver assim dá vontade de chorar. eu não consigo responder, não lembro a ultima vez que usei minha voz. Kaká- vou ficar na função de te vigiar ai hoje, se eu pudesse mano eu te soltava agora más lá embaixo tá lotado de soldado, só nós dois não ia dar conta, más vou aliviar teu lado. Ele deixa as correntes mais folgadas, me dá bastante água, comida de verdade, me dá dois comprimidos de dipirona, e divide um baseado comigo, aos poucos meu corpo foi se reerguendo, eu tive forças para falar. Rick- valeu mano! sabe o que você podia fazer de verdade por mim? Kaká- então parceiro, fugir não rola. Rick- me dá um tiro mano, fala que eu tentei fugir e me mata parceiro, eu não dou conta de viver assim não, em nome da nossa amizade , dos anos no corre, em nome da nossa camaradagem. Kaká- se liga Rick, tú lá é homem de desistir parceiro, se esse comédia te deixou vivo é para você aproveitar a oportunidade, e vai chegar tua vez, pensa na tua família se tu morrer quem vai ser por eles? tua mulher e teus filhos vai passar a vida nas mão desse comédia, tava pensando aqui em fazer um levante , tá ligado, ligar esses manos das antigas, soldados , vapor, que tão ai na função, buscar aliados e colocar esse filho do capiroto onde ele merece, a favela ta engolindo terror mano, os morador tudo com medo, isso ai não tá certo . As palavras do Kaká são as respostas de Deus , o que eu precisava ouvir para voltar a ser quem eu sempre fui, nunca desisti de p***a nenhuma, não posso desistir de viver e lutar. Rick- ai se liga, passa essa tua visão para o Bruce que ele vai te dizer o que fazer, eu vou segurar minha onda por aqui, más continua mantendo as aparências para não levantar suspeita. Passamos o dia todo lembrando de coisas das antigas, dos nossos parceiros que se foram, ele realmente foi a resposta de Deus, eu até esqueci do lugar e da minha situação humilhante, más a alegria dura pouco quando o céu fica nublado e a tempestade chega em forma de homem. Guilherme- qual foi ? reuniãozinha aqui? o papo ta bom Kaká? Kaká- que papo chefe? tava zuando do novo vapor, quem te viu quem te vê eim mané? Respiro fundo , as palavras do kaká não me atingiram ele me deu esperança de que eu vou sair daqui e quando eu sair véi , diante de tudo que é mais sagrado esse cara vai ter o que merece e mais um pouco. Guilherme- sei, não me tira de doido soldado que eu arranco essa tua cabeça e deixo apodrecendo na sala da casa da tua mãe. Kaká- não sou traira chefe, ando pelo certo como deve ser. Guilherme- vaza, deixa que eu assumo aqui , estou estressado hoje vou desestressar no coro desse comedia. Desestressa desgraçado que quando eu sair daqui eu vou te cobrar, e já te imaginei de diversas formas. Ele quebrou meus dedos da mão com uma barra de ferro e saiu sorrindo, me xingando , enquanto me bate ele falava que tá comendo a Micaela, e que a Bella já chama ele de pai e que o Gael já se acostumou com a filha dele, sinto meus ossos quebrarem , más sinto meu coração partir. Bella narrando- preciso dar um jeito de ver o tio Bruce, as desculpas da minha mãe para não dormir com esse desgraçado já estão se esgotando, já tem uma semana que ele tortura meu pai, e minha família, a filha dele pode brincar com brinquedos enquanto o Gael só olha, a mulher dele anda livremente enquanto a minha mãe vive presa, ela não afronta a minha mãe, dá para perceber que é uma coitada, medrosa, más que se diverte com o que ganha, silicone, unhas , cílios, carro, roupas de grife, e nome de primeira dama do complexo, ela não se importa em viver em uma casa com duas famílias, ela m*l fala, vive no celular, ela é muito bonita, a filha dele também , más são moldadas para viver e fazer as vontades dele, que não é capaz de demonstrar carinho nem pela filha, minha mãe me falava que ele era um bom pai para mim que me amava muito, ele enterrou esse amor, eu acho melhor assim o amor do meu pai de verdade que eu amo mais que tudo na minha vida me basta. Ver o Samuel nem que seja na escola é o que tem me dado forças para sobreviver e resistir, o MB , o carrapato é legal com o Gael , as vezes trás um chocolate, um brinquedo escondido, fica puxando assunto más não dou ideia pra ele, tenho ódio dele por não me ajudar a salvar o meu pai, e por trabalhar para esse maldito. MB- e ai , você gosta de fazer o que? Bella- não é da sua conta. MB- não fala assim eu estou tentando ser legal com você. Bella- não precisa ser , e nem se esforçar pra isso, eu não me importo com a sua existência. MB- nossa! Amanhã vai ter baile e eu ia pedir pro seu para te liberar para ir comigo. Bella- ele não é meu pai e não quero e nunca vou a baile nenhum com você , faz como eu faço com você, finge que eu não existo , pode ser? Ele franzi a sobrancelha , e fica triste real, eu não acho que peguei pesado, tudo que vem daquele d***o me irrita e eu quero distancia. O carrapato continua sentado do meu lado na sala de aula, prestando atenção na professora, acho que não deve nem saber ler, só fala errado, as meninas da sala não disfarçam para olhar pra ele, faltam se jogar, ele rir parece um bobo querendo fama, ele gosta, tem uma delas que me irrita , pelo amor de Deus, que menina chata, Tamires, se acha a linda da escola. Tamires- oi MB, Ela fala sorridente. MB- e ai Tamires- vai no baile do chefe amanhã? MB- vou da um peão lá. Tamires- é? então a gente se ver lá. Bella- Tamires, tá atrapalhando a aula, sai daqui. MB- a gente se tromba lá gata. Ele nem disfarça a satisfação quando chama a vaca de gata, é tão ogro que não conhece o reino animal para confundir vaca com gata. A data no cabeçalho do caderno me fez lembrar do aniversário do meu pai, a unica foto que me restou grudada na capa traseira do caderno, nossa família em volta de um bolo, meu pai com a mão em volta do meu pescoço , o Gael do lado e minha mãe olhando para ele apaixonada, não consegui segurar o choro e sai da sala, corri para o banheiro, abraçada ao caderno chorando agarrada com a foto tentando me sentir perto do meu pai , eu só quero que isso tudo acabe e que eu tenha minha família de volta como sempre foi, não sei por quanto tempo fiquei chorando, me assusto quando o MB me chama, batendo na porta. MB- e ai tá de boa? Tá passando m*l? Bella- eu tô bem, eu já estou saindo. Saio segurando o caderno, limpando o rosto molhado, eu não esperava más o MB me abraçou, eu nem movi meus braços. MB- não chora, quando você chora me dá uma coisa r**m. Bella- me solta! Coisa r**m é o que você está fazendo. Ele me solta de uma vez como se tivesse levado um tapa. MB- foi m*l, eu só quis ajudar. Bella- você já deixou claro que não vai ajudar, e não me deixa nem chorar no dia que era para ser um dia feliz , aniversário do meu pai e ele tá lá sendo torturado pelo seu chefe, EU TE ODEIO! Ele abaixa a cabeça, e graças a Deus o sinal toca, encontro o Samuel na saída que me abraça e coloca um papel no meu bolso, por sorte o carrapato não viu. Entro no carro, ele entra depois, não me olha e ainda bem que me tratou com se eu não existisse. Cheguo em casa e noto a nuvem de tristesa, minha mãe mesmo tentando ser forte hoje não conseguiu esconder a tristesa e a dor, os olhos inchados, fundos e vermelhos revelam o tanto que ela chorou, o Gael também estava quietinho, até a Maria estava chorando. Abraco a minha mãe com força, sem dizer nada uma para a outra, sabemos o tamanho da dor que nos desola, Fomos interrompidas pelo maldito. Guilherme- cena linda, mãe e filha unidas as mulheres da minha vida vocês duas e a Juju Ele fala sorrindo, talvez acredite nas proprias palavras, ignoro ele e subo as escadas correndo, me jogo em cima da cama, puxo o papel que o Samuel tinha colocado no meu bolso. " Oi minha princesa, se eu pudesse matar esse projeto de satanás e resolver seus problemas eu faria, más tenho uma boa notícia, meu pai já tá zerado, e o Kaká veio aqui em casa falar com ele, ouvi eles falando que vão fazer uma espécie de guerrilha contra o demônio do Guilherme, é uma esperança né? Más temos que tomar cuidado para que o d***o não fique sabendo e ponha tudo a perder, assim que eu souber de mais alguma coisa te conto, te amo tá! Estou morrendo de saudades das nossas conversas. Ps- o carrapato é um gato se ele não fosse do m*l eu shiparia vocês dois. Bjs" Eu li e reli várias vezes, parecia que eu eatsava ouvindo a voz do Samuel falando e sorrindo, uma esperança de resgate do meu pai, que façam isso logo, eu preciso ver o Kaká eu preciso participar disso, eu quero acabar com esse maldito e trazer meu pai de volta. A parte que ele falou do carrapato não pode ser sério. Coloco a carta de volta no bolso, quero ler de novo, e de novo, tomo banho e passo a tarde estudando, desço para comer alguma coisa, e ja subo correndo não quero ver aquele homem de novo. De tanto estudar adormeci em cima dos livros, acordo com o carrapato sussurando no meu ouvido, eu ia gritar más ele tampou minha boca com a mão o que me deixou apavorada. MB- calma, não grita é sério eu vou te levar em um lugar você vai gostar, confia em mim, é serio não grita. Ele fala olhando nos meus olhos com o rosto bem perto do meu, e tira a mão da minha boca. Bella- você é muito i****a se acha que vou para algum lugar com você. olhi no relógio, 23:30. Mb- eu sei que sou muito i****a para ficar forçando barra com você, más anda logo que ainda dá tempo. Mando ele se virar, visto a mesma calça que fui para a escola, não lembrei da carta no bolso, saio na frente e o carrapato atrás, entro no carro e ele entra depois. Bella- onde vamos? MB- você vai gostar, más tem que ser rápido. Ele vai descendo o morro, para o carro antes da entrada, passamos por um beco escuro, ele segura minha mão e sai me puxando, eu não tive medo, alguma coisa me dizia pra ir, entramos em uma casa, subimos até a lage, eu vi meu pai em pé, de costas, as lágrimas escorrem pelos meus olhos. Bella- eu quero ir lá. MB- você vai por aqui. Ele me mostra um espaço que dava para pular de uma lage para outra . Bella- agora? MB - pega veste minha jaqueta e coloca o capuz, eu vou subir lá e vou distrair o vigia, quando você me ver do outro lado assim que eu sair você pula, tem que ser rápido, quando eu falar alto -falô , você volta, entendeu não dá mole. Fiz que sim com a cabeça, coloco a jaqueta, fico olhando sem piscar esperando o MB aparecer, parecia uma eternidade más ele apareceu, contei alguns segundos até ele sair e pulei. Chego perto do meu pai, tão machucado e magro. Bella- pai, meu amor, que saudades, feliz aniversário, eu te amo muito,muito eu vou tirar você daqui tá! Ele sorri para mim, com os dedos inchados e roxos passa a mão no meu rosto. Rick- minha Barbie, eu te amo minha filha. Beijo o rosto gelado dele e ouvi o MB falar alto o que foi combinado, corro e pulo de volta quase cai. Espero o carrapato voltar. MB- vem temos que voltar antes que o chefe perceba nossa falta. Não respondi, estou muito feliz por ter visto meu pai e cheia de ódio por ver ele naquele estado, vou dar um jeito de ver o Kaká ou Bruce, temos que tirar ele daqui rápido. Entramos no carro, chego em casa subo para o meu quarto, não consigo pensar em outra coisa que não fosse tirar o meu pai daquele lugar, esqueci de agradecer o MB e esqueci também de devolver o casaco dele, deito e de tanto pensar dormi de casaco e de calça. ?tadinho do nosso bandido, que sofrimento, que maldade esse d***o ta fazendo, vai dar certo esse plano de resgate, e a carta?
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