Luna
Saímos da loja e já fechamos tudo, estávamos só esperando o Uber na rua enquanto conversamos.
De repente sinto a minha bolsa ser puxada e um menino sair correndo com ela.
Luna: Minha bolsa! – grito surpresa.
Ray: Filho da p**a!
Luna: Tava tudo lá dentro, amiga, e agora? – falo desesperada.
Meus documentos, celular, carteira... Tudo lá dentro.
Ray: Vou ligar para o Lúcifer. Fica tranquila. – Ela pega o celular e depois de um tempo coloca no ouvido – Roubaram a Luna... Calma! A culpa não é nossa não, cara, tá, vem logo. – Ela desliga e guarda o celular – Ele está vindo pegar a gente.
Luna: Mais que c*****o! Se eu pegar esse moleque vou encher de porrada! – falo brava.
Ray: A gente vai recuperar suas coisas, mana, fica tranquila.
Depois de um tempo o Lúcifer chega no carro dele e me olha preocupado.
Lúcifer: Você tá bem?
Luna: Tô sim.
Lúcifer: Nós vai pegar ele. – fala simples.
Entramos no carro e ele dá partida, levando a gente pra casa. Quando chegamos, desço na minha casa e subo para tomar um banho.
Depois do banho, troco de roupa colocando um pijama e deito na cama. Nunca achei que um celular faria tanta falta assim.
Fiquei lá jogada até o Lúcifer entrar pela porta e parar na minha frente.
Lúcifer: Já acharam o muleque.
Luna: Mais já? Foi rápido!
Lúcifer: Tem que ser mesmo. Vou lá resolver esse bagulho da melhor forma!
Luna: Eu vou junto.
Lúcifer: Já disse, Luna...
Luna: Como vão saber se é ele mesmo se eu não fizer o reconhecimento?
Lúcifer: Tem nem como negar, porque eu sei que você é louca e é capaz de me seguir até lá. – fala respirando fundo – Vai se trocar então.
Luna: Vou me trocar!
Levanto e coloco uma calça preta e um cropped de manga longa da mesma cor. Calço um Vans preto, passo um perfuminho e logo saímos de casa.
Lúcifer: Não tem pra que passar perfume! – revira os olhos e dá partida.
Luna: Quer que a sua mulher seja fedorenta? – ele continua sério – Vai fazer o que com o moleque?
Lúcifer: Vou dar uma surra nele. – fala simples.
Luna: Mas ele roubou no asfalto.
Lúcifer: Mas roubou a minha mulher. – fala sério.
Fiquei calada. Logo chegamos em um morro e subimos até uma casinha de tijolos. Ele estaciona o carro e descemos, logo entrando em uma salinha. Lá tinha um menino sentado no chão de cimento e a minha bolsa do lado jogada. Na hora a raiva passou, cara... É só um menino.
-- Desculpa aí, tia, não sabia que era a fiel do Lúcifer – fala todo nervoso.
Lúcifer: Desculpa um c*****o! – fala puto.
Luna: Ei, calma! É só um menino. – tento acalmar ele.
-- E aí, Lúcifer – chega um homem e faz um toque com ele – Fala, patroa. – aperta a minha mão – O moleque é daqui, vi ele tentando vender o celular, quando vi a foto logo soube que era a tua mina.
Lúcifer: Valeu por me avisar, mano.
-- Como vamos resolver essa parada?
Lúcifer: Umas pauladas nas mãos pra aprender – fala frio.
Luna: Não vai bater no menino. – falo brava – É só uma criança, cara, acho que não tem nem 15 anos!
Lúcifer: Não tem idade pra apanhar, mas pra roubar tem né? – fala bravo.
Luna: Antes de qualquer coisa me deixa conversar com ele. Quero saber por que uma criança iria fazer uma coisa dessas.
Eles relutam um pouco, mas logo saem da sala, me deixando sozinha com o menino que me olhava confuso.
Luna: Como é teu nome, garoto? – pergunto agachando na sua frente.
Igor: Igor, tia...
Luna: Por que você fez isso, Igor? – pergunto olhando nos olhos dele.
Igor: Nada não. – desvia o olhar.
Luna: Se você não falar não vou ter como te ajudar. Eles estão lá fora querendo bater em você. Você quer isso? – ele n**a com a cabeça – Quantos anos você tem, muleque?
Igor: 14.
Luna: Por que um menino de 14 anos iria roubar? – pergunto a ele.
Igor: Depende... Uns aí é por diversão, outros é porque precisa e não tem oportunidade.
Luna: Você não acha certo isso? Você deveria tá estudando, garoto.
Igor: Você acha que eu não queria? Eu queria ter um futuro f**a, ter meu dinheiro honesto, o que comer em casa, o que vestir... Nem todo mundo nasceu em berço de ouro não, tia.
Luna: E seus pais?
Igor: Tenho pai não. Minha mãe deixa eu e minha irmã sozinhos pra usar drogas, e eu tenho que ter alguma coisa pra dar pra minha irmã comer. Tentei até trabalhar, tia, mas ninguém quer.
Luna: Quer mesmo trabalhar, muleque? – ele concorda com a cabeça – Vou arrumar um trabalho pra tu, agora tu tem que me prometer que não vai mais fazer essas coisas.
Igor: Sério mesmo, tia? – sorri alegre.
Luna: Tô falando. Agora levanta e vai pra casa cuidar da tua irmã. – Peguei a bolsa, tirei 100 reais e dei a ele – Compra alguma coisa agora pra vocês lá. Agora não faz mais isso, por favor! – ele concorda com a cabeça sorrindo – Agora vai lá.
Ele levanta e eu pego a minha bolsa, vendo que estava tudo ali, e saímos da sala.
Lúcifer: Pronto, madame? – debocha.
Luna: Já resolvi com ele. – falo simples – Se precisar de alguma coisa, Igor, pede pra ele falar com o Lúcifer – aponto para o homem que estava lá.
Igor: Valeu, tia! – sorri e vai embora.
Lúcifer: Tá igual santa esses dias – n**a com a cabeça.
Luna: É o certo. O menino não fez aquilo porque simplesmente queria.
Lúcifer: Como assim?
Luna: Chegar em casa te explico.
Ele se despede do pessoal e fomos embora de lá, logo chegamos em casa.