CAPÍTULO 22 — LORENA NARRANDO — Então eu desço pelos mesmos degraus que subi — digo, me levantando. — Você prefere voltar pra agir sozinha, no escuro, do que dar o braço a torcer e ficar aqui? — Olha pra esse lugar. Isso aqui não é pra mim. — E o que te faz melhor do que as pessoas que moram aqui? — Classe. — Classe? — ele se levanta — Você acha mesmo que isso importa aqui? Eles têm família, têm amor, têm felicidade. Não são sozinhos, nem amargurados. E não precisam planejar matar o próprio pai. Eu olho pra ele, tentando segurar a raiva. — O maior erro da minha vida foi pedir sua ajuda. Achei que você tivesse um pingo de humanidade, mas tô vendo que... — Que eu sou o quê? Um favelado? — ele me encara — É isso que você quer dizer? Pois eu tenho orgulho de ser. E agora, por favor, v

