— Ruth, espera! Ele gritou me assustando.
— Que susto, Julio. Eu soltei, colocando a minha mão no meu peito. Sim, o nome dele era Julio e você vai pensar que ele é velho. Ele não fez jus ao seu nome.
Trinta e poucos anos, alto, moreno, lindos olhos azuis e cinzas, e um grande corpo garantido para babar. Como se isso não bastasse, Jonas nunca se deu bem com ele. O pacote completo. Uma pena que ele foi pego. — Bom Dia.
— Desculpe. Bom Dia. Ele retribuiu a saudação, passando a mão pelos cabelos e baixando os olhos como se genuinamente envergonhado por sua falta de educação. — Acabaram de deixar um pacote para você. Fiquei surpreso por ninguém estar em casa num domingo àquela hora.
— Sofia está no banho e eu saí para comprar o pão. Expliquei. — Sinto muito ter incomodado.
— Está tudo bem, mulher. Ele dispensou com um sorriso. Um sorriso lindo, diga-se de passagem. — Toma.
Ele me entregou um pequeno pacote de cor marrom típico. Tão chato quanto você pode imaginar. Peguei e vi que pesava muito pouco. Não trazia endereço do remetente ou marca de qualquer correio. O que eu tinha era meu nome.
— Quem trouxe? Eu perguntei.
— Um mensageiro, mas não anotei a companhia. Sinto muito. Ele respondeu com um leve encolher de ombros.
— OK. Obrigado. Eu soltei isso com um enorme sorriso e olhando nos seus olhos. Ele desviou o olhar novamente como se estivesse envergonhado.
Eu adorava aquelas dicas de um bom menino num homem tão grande.
— Acho que vou saber quando abrir. Como está Sandra? Muito tempo não a vejo.
Sandra era a parceira de sorte do meu vizinho. Ela também era uma beleza, mas não tanto quanto ele. Na verdade, eu não gostei dela só por ter pegado aquele pedaço de homem, mesmo estando com Jonas quando eu os conheci.
— Nós terminamos. Ele respondeu, olhando para mim com cara de cachorro.
Isso me fez querer gritar “sim!” naquele momento, mas consegui fingir pena.
— Oh. Sinto muito, Julio. Assegurei colocando a minha mão no seu braço.
— Está tudo bem. Ele respondeu. — A vida é assim. Pessoas vêm e vão sem parar, certo?
— Acho que sim. Eu concordei sem retirar a minha mão. Gostei da sensação dos seus bíceps sob os meus dedos. — Eu também me separei do Jonas a alguns meses atrás. Se você quiser conversar, podemos almoçar em algum momento. Seremos capazes de ter pena de nós mesmos na frente um do outro.
— Você vai ficar melhor sem ele. Ele respondeu secamente. Uma garota como você não deveria deixar um covarde como Jonas derrubá-la. Po*rra! Agora você vai voltar com ele, você vai dizer a ele e eu vou ter que me mudar.
Nós dois rimos com vontade. A minha mão ainda estava no seu braço.
— Você também está melhor sem Sandra. Eu assegurei, olhando nos seus olhos.
Que olhos grandes! — Ela era muito arrogante e você muito humilde. Você verá o quão pouco lhe custa sair do poço.
— Eu acho que nós dois fizemos um bom negócio, não é? Ele sorriu sem desviar o olhar dessa vez.
— Nós só precisamos que eles se encontrem e tornem a vida um do outro amarga por toda a eternidade. Eu propus solenemente. Só de imaginá-los juntos já me fazia rir de novo e Julio me acompanhava.
— Isso valeria a pena ver, sim. Ele concordou. — Se acontecer, que eles coloquem uma webcam em casa para ver o dia a dia deles, pelo amor de Deus. Eu ficaria viciado nesse reality show.
— De qualquer forma, vou deixar você agora. Eu disse depois de uma nova risada. Soltei o seu braço e senti falta dele instantaneamente. — Insisto: se quiser passar para comer, tomar um café ou o que for, sabe onde moro. Tenho certeza que é bom bater um papo por um momento.
— Eu acredito na sua palavra. Ele disse, piscando para mim. Isso foi bom, caramba.
Entrei em casa antes de acabar pulando em cima dele. Eu via ele quase todos os dias e não era um plano ter que evitá-lo como eu tinha que evitar Rod.
Sacudi a caixa com aquela mania idio*ta que sempre tive de tentar descobrir o que tinha dentro. Nada tocou. M*aldito plástico bolha...
Quando abri, vi que dentro havia uma máscara preta com uma pequena borda dourada.
Era como o usado pelo homem no vídeo que eu tinha visto na página, mas mais modesta. Havia muito menos ouro naquela que tinha vindo para mim. Havia também uma carta.
Querida Ruth.
Estamos felizes em ver que você entrou no jogo com esperança e entusiasmo. Você já superou os dois primeiros desafios e achamos que merece uma recompensa. Por isso, anexamos uma máscara que a distingue como m****o principiante do jogo e um cheque de mil euros para gastar numa das melhores lojas da cidade.
Tendo avançado para o nível seguinte, os desafios tornar-se-ão cada vez mais difíceis e exigentes, mas também mais emocionantes. Lembre-se de que você pode sair a qualquer momento, se desejar, mas ficará fora do jogo para sempre. Confiamos que isso não aconteça. Adoramos brincar com você.
A carta não estava assinada nem o pacote tinha um endereço de retorno, mas não era necessário. Eu sabia exatamente de onde vinha. O que estranhei foi o uso do plural, como se fosse um monte de gente com quem eu estava lidando. Talvez fosse apenas para impressionar. Guardei a caixa no quarto, mas coloquei o cheque na bolsa. Tenho certeza que Sofia adoraria fazer compras comigo numa loja de roupas como essa. Tentaria esticar os mil euros o máximo possível.
Como esperado, Sofia imediatamente se inscreveu para me acompanhar para gastar o vale-presente que ganhei preenchendo pesquisas. Sim, eu sei. Não é certo mentir assim e custa a acreditar que fazendo inquéritos te dão mil euros em roupa, mas também não podia dizer a verdade ou teria de dar muitas explicações. Seria o suficiente para Sofia querer saber se eu havia entrado naquela página do cartão no final.
Tivemos que esperar até sábado para que nós duas tivéssemos o dia de folga.
Ao longo da semana, não houve novidades e nem mais desafios. Eu estava com medo de que eles me pegassem fazendo compras, talvez num provador. Tenho certeza de que eles poderiam inventar algo divertido para fazer nos vestiários, mas isso me assustou. E isso me excitou. Foi uma estranha mistura de sensações. Por um lado, temia que o celular tocasse. Por outro, eu estava ansiosa por isso. Talvez um encontro com um estranho no vestiário masculino?
Eu olhava para o telefone a cada dois ou três minutos no caso de algo ter chegado e eu não ter ouvido. Nada. Comprei três vestidos de verão para mim, já que o bom tempo estava chegando. Sofia insistiu que eles fossem mais curtos e decotados do que o que ela normalmente usava. Ela adorava “ser sensual”, como ela gostava de dizer. Eu era mais de shorts e tops. Ela se encarregou de me lembrar que eu era uma garota solteira que queria se divertir.
— Com as suas pernas e o seu corpão, é melhor você exibi-los. Ela disse com um sorriso malicioso.
Experimentei vários e gostei do que vi no espelho. Não era a Ruth com a qual ela estava acostumada, mas era uma Ruth que
eu gostaria de ser. O que seria? Eu estava determinada a começar uma nova vida e não iria desistir por causa de algum medo absurdo. Também comprei dois vestidos de meia- estação e, quando ia comprar meias, Sofia insistiu para que eu comprasse rendas. Sabe, uma daquelas que termina acima da coxa e não é a meia-calça da vida. Ele alegou que elas eram mais confortáveis para ir ao banheiro em bares e muito mais sexy. Incluí uns saltos altos que sabia que não ia poder usar porque seriam extremamente desconfortáveis e uma lingerie bonita.