Capítulo 14

3411 Palavras
A ideia de irmos para Irlanda era muito boa. O único problema era que eu não desejava sair da minha zona de conforto e deixar meu carro. Meu Chevy estava comigo há dois anos. Não queria perder o bem que demorei para conquistar. Kaelus disse que meu carro ficaria seguro na casa dele. Era o que eu esperava. O plano de Kaelus era algo estranho para mim. Eles iriam usar de magia para se camuflar. Mas, para isso, precisavam de mais pessoas no grupo, para que pudessem sustentar esse escudo. - Magia não é um recurso inesgotável. Quem uso dela, precisa de um tempo para descansar e recarregar. Normalmente, encontramos forças no alimentos, plantas, animais ou até mesmo em humanos. Na magia n***a, podemos m***r um animal ou ser humano e beber seu sangue. Isso nos dá uma força incrível. - Mas, você não vai fazer isso, vai? – perguntei, preocupada. - Não farei. Por isso, pedi para Artie chamar alguns amigos dele. A comunidade de elfos é vasta, mas só os da Europa tem mais força. E como Artie é mais popular com eles, vou precisar da ajuda. Eu chamaria um amigo feiticeiro, mas ninguém quer ir para Irlanda nesse momento. - E eles vão nos sustentar com seu escudo de p******o, para que possamos sair, sermos atacados por espectros e outras coisas que a rainha queira usar contra nós? – perguntei, enquanto me esticava no sofá da sala dele. Estávamos em sua casa, esperando que Artie viesse com seus amigos. -Exatamente. Agora, tire o pé do sofá. Me sentei de novo, fazendo uma careta para ele. Por alguns segundos, encontrei seu sorriso. Fora algo genuíno, mas logo seu olhar se tornou sem expressão. Aquilo fez meu coração bater mais rápido, mas logo pensei, ei, esse é Kaelus. Um i****a. - Escuta, Kaelus – comecei a dizer, enquanto ele soltava baforadas de fumaça, com seu cigarro de cravo – você sabe dizer como vai ser lá? Na comunidade dos elfos. - Vai ser como se estivesse em um reino encantado. Mas, pare de tomar seus remédios. Não poderá ver tudo, se estiver dopada. Eu assenti. Mas, ainda não consegui parar de tomar. Era um hábito e eu tinha medo que minha visão intensificasse. - Eu vou ver tudo? Com mais intensidade? – perguntei. Lembrava de ver muitas coisas, quando era mais jovem e aquilo me assustava. Elfos dançando na floresta. Elfos puxando cabelos de seres humanos, enquanto passavam. Elfos e duendes pregando peças nos humanos. Alguns eram muito bonitos, já outros, tinham uma expressão c***l no rosto e aparência grotesca. E havia os fantasmas que eu via. Era algo inevitável. Nada disso me alegrava. - Aos poucos sim. Como era sua visão antes de tomar? – perguntou. - Às vezes eu via. Às vezes, passava dias sem ver nada. Dependia muito – eu disse. - Provavelmente agora vai ver mais – ele disse, mais para si mesmo, do que para mim. - O que quer dizer com isso? – perguntei, sem entender. - Havia um sigilo que protegia você. Foi quebrado. Você não poderia ver tanto e nem poderiam te ver. - E como se quebrou? Ele ficou tenso, mordendo os lábios e evitou me olhar. - Foi você? – perguntei, mortificada – Ah meu Deus. Você é um... Eu nem sabia o que significava aquele sigilo. Mas, parecia algo bom. Eles não me viam. Nunca fui atacada, até que ele se aproximasse de mim. Desgraçado. Me levantei do sofá e o encarei de pé. - Quando chegarmos na Irlanda, eu vou ficar com os elfos e você vai embora – eu disse, com a voz tremula – Não quero nunca mais ver você, Kaelus. Ele se levantou do sofá e parecia muito maior que eu, com seus ombros largos e seus bons vinte centímetros a mais que eu. - Isso não é uma opção – ele disse, em tom perigoso – Eu protejo você e você me dá o que preciso. - Até agora não entendi o que você quer – disse, com ironia – E não sei se quero fazer parte disso. A hora que descobrirem que a princesa está de volta, vão me proteger. Ele ergueu meu queixo, com um olhar selvagem e intenso. Parecia querer que tivesse medo, mas Kaelus não me dava medo. Talvez, um pouco. Seus olhos negros eram profundos e pareciam abismos. E quando ficava com raiva, sua íris dilatava de tamanho. m*l se podia ver sua pupila. Tinha a aparência de um demônio. - Você vai – ele disse, bem perto do meu rosto – Mas, não se esqueça que eles só vão respeitar uma princesa forte, que demonstre seu poder. O que, infelizmente, você não tem. Então, vai precisar de mim. E vamos fazer um acordo. E um acordo comigo, vai te prender a mim. Então, caso você queira ficar sozinha entre eles e não saber como se virar, vai estar sozinha de verdade. Ninguém vai mover um dedo para ajudá-la, se você não foi uma princesa autentica. - Eu posso pedir ajuda para Artie – eu disse, tentando afastar meu queixo da mão dele. Ele puxou minha nuca, com a outra mão. - Não acho que vai, princesa. Ele não sabe muito sobre magia. Não sobre a sua, pelo menos – ele retrucou. Ele estava blefando. A pálpebra dele estava piscando, como se estivesse nervoso, mesmo me olhando com fúria. Ele estava vulnerável. Precisava de mim, mas para qual finalidade? - Diga que precisa de mim. Admita isso e eu irei ajudar – eu forcei a mão. Estava apostando alto demais. Mas, queria saber quais eram suas intenções de verdade. - Eu já disse que preciso de você – ele confirmou, sem desviar o olhar. - Então, diga o motivo – eu insisti. Kaelus piscou algumas vezes, parecendo confuso. Seu olhar desceu para minha boca e para meu pescoço. Ele soltou a mão que segurava minha nuca e outra que segurava meu queixo. Se afastou, rapidamente, passando a mão pelos cabelos. - Não quero falar sobre isso agora – ele disse, em um tom baixo – Mas, vai me ajudar? Eu só via suas costas, subindo e descendo. Sua respiração estava rápida. Coloquei a mão no peito. A minha também. - Sim, eu vou Kaelus. Mas, se vamos fazer isso, precisamos ser ao menos amigos – eu disse, achando incrível a capacidade de manter minha voz calma. Por dentro, eu estava tremendo. - Sim – ele disse. Kaelus saiu da sala, me deixando sozinha. Não o vi depois que o sol se pôs. Continuei na sala, sem entender os últimos acontecimentos. Seu toque, seu olhar furioso. O medo que senti, substituído por sentimento estranho e confuso. Nunca senti nada disso antes, por ninguém. Mas, não queria pensar a respeito disso. Ravena me despertou, com seu miado. - Você quer comer, não é? – perguntei. Ela miou mais uma vez e eu levantei do sofá. Fui em busca da sua ração na cozinha, que ficava do outro lado da casa. Kaelus estava fazendo um chá. Ele se virou para mim, parecendo surpreso e depois suavizou a expressão. Sorriu para mim, de forma amigável. - Estou fazendo um chá de melissa – ele disse – Faz bem para acalmar. Tem um pouco de camomila. E tem algumas torradas dentro do armário e geleia em conserva. Acho que você deve estar com fome e eu...- ele falava tudo isso, abrindo os armários, procurando tudo que dizia. Aproximei-me dele, colocando a mão no ombro dele. Ele virou a cabeça para trás, com um olhar confuso. - Não precisa fazer tudo isso. Eu sei onde está tudo – disse, calmante. Ele se virou para mim, apoiando as mãos abertas na pia atrás de dele. Sorriu, mais confortável com a minha presença. Parecia mais leve. - Ah é? Você estava bisbilhotando por ai? – ele perguntou, sem estar bravo. - Sim, eu estava. Você é um péssimo anfitrião – acusei, mas sorri, mostrando para ele que podíamos ser amigos, sem querer m***r um ao outro, a cada instante. - Sim, eu sou – ele concordou, claramente envergonhado. Passou a mão pelos cabelos – É tudo tão confuso e estranho. No momento que resolvi ajuda-la, eu coloquei minha cabeça a prêmio, Agnes. E preciso estar controlando cada magia dessa casa, cada passo. Os encantamentos precisam ser reforçados e preciso estar atento, para ficar longe da influência mental da rainha Ária. Isso é um pouco desgastante. - Eu sinto muito – eu disse, inclinando para puxar a mão dele. Ele não recuou, mas me fitou surpreso. Massageei sua palma, com as pontas dos dedos. Ele me fitou sem entender. - É para aliviar o estresse – eu explicar – Pelo menos ajuda. Ele assentiu e deu um longo suspiro. Levou a mão ao meu rosto, com um olhar livre de qualquer sentimento negativo. Apenas, me analisando. Seus olhos estavam amarelos agora, como se quisesse que eu visse quem ele é de verdade. Ele tocou meu lábio inferior com a ponta do polegar e se inclinou para mim. A chaleira do chá apitou, fazendo com ele me soltasse. Dei um passo para trás, me sentindo desconsertada e com a respiração errática. Ele foi até a chaleira, desligando o fogão e se ocupou de servir o chá em duas canecas pretas, arredondas, que afinavam na base. Deixou em cima da mesa de madeira comum e se sentou em uma cadeira. Eu me ocupei de pegar as torradas e a geleia. Abri sua geladeira e encontrei queijo. Peguei tudo e deixei em cima da mesa. Me sentei em frente a ele e beberiquei o chá, sentindo seu gosto adocicado e leve. A temperatura do chá me fez ficar aquecida por dentro. Cortei pedacinhos de queijo, com prato que peguei no escorredor e passei para ele. Kaelus me olhava com certo assombro. - Está tudo bem? – perguntei. Queria perguntar na verdade, se ele iria me beijar, há poucos instantes, mas não perguntei isso. - Sim – ele respondeu, desviando o olhar. Resolvi me manter calada e pensar no que estava havendo. E também, não poderia dar atenção a isso, quando minha vida ia mudar completamente, depois que eu conhecesse meu povo. Era estranho pensar nisso. Meu povo. Tudo aquilo que li sobre eles, era sobre mim mesma. E a história que Kaelus postou fazia sentido agora. Ele estava contado a história de uma rainha que aterrorizava seu próprio povo. Que iniciou uma guerra. Que destruí a paz deles. O que não conseguia entender é por que eu seria especial. E por que fui parar na adoção. Não conheci meu pais. Não tinha ninguém. Sempre fui renegada, solitária. Quem tivera compaixão de mim foi Katherine. Será que ela sabia sobre os elfos? Sobre mim? Meu celular tocou, de madrugada e não atendi. Deixei que caísse na caixa postal. Era um número desconhecido. Deixou uma mensagem para mim, que escutei com certo receio. “Você acha que pode se esconder Agnes, mas não pode! Sei que está com um cara da sua faculdade. Sabia que passei por ai, observando a casa dele? Será que ele está bancando você? Você é tão fácil assim, Agnes? Se eu soubesse que precisava de dinheiro, eu teria dado a você. Mas, já que não quer conversar comigo, vou fazer com que se arrependa disso.” A mensagem de voz terminou e meu coração parecia ter sido torcido de mil maneiras. Senti o gosto amargo de ouvir aquelas coisas dele. Eu não amava Tomas, sabia disso. Só achava ele legal e estável. Mas, nem conhecia ele direito. Ele estava me chamando de p********a e me ameaçando, como se fosse meu dono. Fiquei tentada em avisar a polícia, mas não iria surtir efeito. Eu iria embora em breve. Artie logo estaria aqui com seus amigos. Dormi me senti pesada e com sentimentos negativos quanto a confrontar Tomas. A raiva fervia dentro de mim, como se estivesse me queimando. Eu queria queima-lo também. Que ele sentisse o que senti, com todas as minhas forças. Não passou muito tempo e o telefone tocou de novo, quando o sol nasceu. A luz incidia pela janela, criando sombras no chão. Resolvi atender e confrontar Tomas. Mas, não era ele que atendeu. - Senhorita Davies? – uma voz masculina disse. - Sim? – me apoiei no encosto de madeira da cama. - Sou o policial Thompson – ele se apresentou – Você é sobrinha de Caitlyn Davies? Senti o sangue gelar nas veias. - Sim, eu sou. Por que? - Eu sinto muito, mas a casa dela pegou fogo essa madrugada. Infelizmente ela veio a falecer. Precisamos que venha até o IML, para tomar as medidas legais quanto ao enterro... Não escutava mais nada, apenas disse sim. Me sentia fora do corpo, perdida. Apenas me levantei e me vesti. Eu não sabia o que sentir por Caitlyn. Se eram sentimentos de culpa ou pesar. Apenas iria até o IML, no centro da cidade. Desci as escadas, correndo, segurando a bolsa de um lado do ombro e chave do carro na mão. Tentei abrir a porta da frente, mas estava trancada. Tudo estava escuro e silencioso. Eu precisava encontrar Kaelus para que ele pudesse abrir a porta, mas não fazia ideia de onde era seu quarto. Subi as escadas e olhei o corredor com as oito portas de cor branca. Testei todas, mas nenhuma abria. O que eu faria agora? - Kaelus – chamei – Kaelus. Uma porta se abriu, no final do corredor e ele saiu, sem camisa. Seu peito inteiro era tatuado e ele carregava um colocar de pentagrama e outro de uma cruz com uma bola no meio. A mesma que vi no seu livro. Seus cabelos negros caiam como cortinas em seu rosto pálido. - O que foi? – ele perguntou, saindo para fora do quarto. Vestia uma calça de seda preta e seus pés estavam descalços. Orelhas pontudas despontavam e seus olhos estavam amarelados. Ele parecia cinza, quase azulado. E sua beleza parecia ter se intensificado. - Desculpe – eu pedi, desviando olhar do seu dorso nu – É que preciso sair. - Você não pode sair, Agnes. Já conversamos sobre isso – ele disse, cansado. Se aproximou de mim, colocando a mão nas minhas costas – Venha, vamos para o quarto. Teve algum pesadelo? - Pesadelo? – perguntei, rindo – Eu não tive pesadelo, Kaelus. Ele me fitou, envergonhando, sem tirar a mão das minhas costas. - Eu pensei que fosse...porque você grita a noite – ele comentou – E acordei com seu grito h******l. Parece um banshee. Acabei gargalhando. - Está me chamando de demônio que grita? – eu estava mais calma, pela presença dele. - Talvez – ele brincou – Mas, por que quer ir? Eu acreditei que tivéssemos um acordo. Que seriamos amigos. Via decepção em seu olhar e isso me confundiu. Eu queria agrada-lo. Parecia algo mais forte dentro de mim. Ainda mais por termos conversado de forma sincera e ele aceitar minha amizade. - Não quero ir embora. Mas, é que...- fechei meus olhos, evitando as lágrimas. Senti ele colocar a mão em meu rosto e limpar minhas lagrimas. - O que está acontecendo? – ele perguntou, preocupado – Alguém te feriu? Juro que cuidei de tudo aqui, para que nada pudesse alcança-la. Agnes, fale comigo. Abri os olhos e encontrei o olhar amarelo dele. - O que houve? – ele insistiu. - É Caitlyn. Ela morreu – eu respondi. Ele assentiu. - Eu vou levar você. Não pode ir sozinha. Não desse jeito – ele disse, acariciando minha bochecha – Eu sei que está abalada e não deveria pedir nada, mas precisamos ser rápidos, Agnes. Não podemos demorar. Quanto mais tempo ficamos aqui, mais eu fico fraco. Eu assenti. Ele havia explicado que estava usando muito das suas forças para manter os sigilos e proteger o perímetro da casa dele. Um espectro havia passado por suas defesas e deixou um corte f**o em seu rosto. Cicatrizou rapidamente, mas isso estava cansando ele. - Tudo bem, nós vamos ser rápidos, eu prometo – garanti. Ele envolveu os braços em minha cintura e beijou minha testa. - Vai ficar tudo bem, Agnes. Eu prometo. Meu coração disparou, pela proximidade e demorei para envolver meus braços nele. Era estranho abraça-lo, mas logo se tornou reconfortante. ** Fizemos o enterro naquela manhã. Caitlyn tinha um plano funerário que seria para ela e para mim. Ver o caixão baixar na terra foi estranho e era demais para assimilar. Nunca fomos amigas, mas convivemos juntas por oito anos. Eu pensei que iria conseguir consertar tudo entre nós. Mas, então, ela partiu. A polícia constatou que o incendiou foi acidental, devido a vazamento de gás. O quarteirão inteiro pegou fogo. Muitas pessoas se feriram e outras morreram, como Caitlyn. Eu não pude ver seu corpo, pois estava carbonizado. Senti um aperto no peito, pensando nela em sofrimento. Não conseguia parar de chorar. Kaelus não saiu do meu lado, me abraçando pela cintura. Ninguém da família veio, só os amigos e vizinhos da cidade. Alguns me abraçaram e me deram as condolências. Por não estar tomando o remédio, conseguia ver alguns vultos passarem pelas lápides. Uma senhora chorava, reclamando que suas flores estavam murchas. Escondi meu rosto no peito de Kaelus, fingindo não ver nada. Eu detestava aquilo. O padre terminou a cerimonia, orando pela alma de Caitlyn. Eu não conseguia pensar em nenhuma. Eu não era religiosa. Saímos do cemitério e Kaelus dirigiu até a casa dele. - Você está bem? – ele perguntou, olhando para mim de soslaio, enquanto dirigia. - Não sei – eu disse – Só penso nela, em agonia. Gritando e se queimando no fogo. Detesto o fogo. É algo tão devastador. - Mas, também é o que ilumina, Agnes – ele disse, em tom conciliador – Não pense no elemento, mas que foi uma falha humana. - Eu acho estranho esse vazamento de gás. Caitlyn era tão cuidadosa. Sempre pedindo para verificar a instalação de gás. E explosão foi da casa dela. - Pode ter esquecido de fazer isso, Agnes. A vida humana é muito frágil. Não pense nisso mais. Não quero você pensando essas coisas. Kaelus ligou o rádio e uma música country tocava. Não pedi para desligar e dizer que não gostava daquele gênero musical, mas apreciei apenas seu gesto de amizade. Ele queria me acalmar e não sabia como. Ele batia os dedos indicadores, no ritmo e parecia apreciar a música. Sua aparência era humana, agora. Mas, parecia muito cansado. Não tão belo e radiante. O tempo estava se esgotando e precisávamos encontrar refúgio. - Como vai fazer para recuperar suas energias? – perguntei. - Não a usando por alguns dias. Podendo ser livre e absorver a energia das matas e florestas. Um banho de cachoeira pode me ajudar muito. A água é um elemento importante para nosso povo. Tem propriedades magnéticas e curativas. Pode reestabelecer as energias. A água corrente é muito melhor do que uma banheira de água quente. Eu poderia fazer isso aqui, mas não quero nos deixar vulneráveis. Thanys avisou o líder do grupo elfo de Cork e iremos para lá. Ninguém ira nos detectar. E pensaremos no passo seguinte. Nosso povo. Parecia algo tão estranho de dizer. Eu não era da raça humana, mas élfica. Precisava me lembrar disso. Mas, me sentia tão humana quanto sempre fui. Pegamos a estrada de terra para a casa dele e quando estávamos nos aproximando, avistei um carro parado. Era um sedan preto. Vi a placa e era a mesma de Tomas. - Kaelus, pare o carro e dê a volta – pedi, em pânico. - Por que? – ele perguntou, parando o carro em frente ao portão. As janelas eram de vidro fume e não conseguia ver nada dentro. Mas, Tomas devia ter visto nós. - Dê a ré, Kaelus. É Tomas. Precisamos sair daqui – pedi, tremula. Era ele que tinha matado Caitlyn. Não foi um defeito na saída de gás. Ele havia sabotado. Sua ligação estranha. Suas ameaças. Tudo isso era para me assustador. Ele era doente. - Não vou voltar, Agnes. É minha casa e não tenho medo de humanos – ele disse, com um sorriso perigoso – Só estou preocupado com você. Preciso colocar você lá dentro. Ele parecia preocupado de verdade agora. Mas, não tivemos tempo de pensar em um plano, Tomas saiu do carro, acompanhado de três homens armados. Ele olhava diretamente para nós.
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