CISNE

3548 Palavras
Carolina se tornou uma menina linda; na verdade, sempre foi. Apenas chegou o momento em que decidiu  mostrar ao mundo a beleza que ocultava por medo de se expor. Assim que terminaram o primário, Fernando, Amanda, ela e outros colegas de classe saíram da escola onde estudavam porque essa mantinha apenas a estrutura de disciplinas até a quarta série. Havia pelo menos três colégios nas redondezas com a estrutura da 5ª série em diante. As três crianças foram matriculadas no que era considerado de melhor qualidade, embora mais afastado e caro. Vida nova. Escola nova. Colegas novos (nem tanto, uns poucos vieram da antiga escola). Era tudo de que Carolina precisava para deixar sua antiga imagem de "nerd feia" para trás. E para isso, ela contaria com a ajuda de suas grandes amigas, Amanda e Magda. - Magda e eu vamos te ajudar na sua grande transformação – dizia Amanda - É, Carol, vou aproveitar que vou passar a última semana de férias na sua casa e nós três vamos mostrar ao mundo "a nova Carol" – anuiu Magda num domingo em que foi visitar a prima. Apenas Fernando não parecia muito de acordo com tal transformação. Dizia que Carolina estava bem do jeito que era. "Ele é um menino e meninos não entendem nada", replicou Amanda. Não era por falta de conselhos das duas garotas, de sua mãe e até de Sofia que Carolina descuidava de sua aparência. Ela achava mesmo que não tinha jeito. Porém, Magda e Amanda resolveram se unir e bateram o pé com ela para que desse uma repaginada geral. Resignada – eram duas contra uma –, concordou. As duas fizeram juntas a dancinha da vitória em seu quarto. Carol acabou rindo. - Isso, Carol. Você tem que aproveitar ainda mais agora que vai tirar o aparelho. Tem que radicalizar total! - É isso aí, Amanda. Toca aqui. Elas tocaram as palmas direitas no alto e obrigaram Carol a tocar na palma de cada uma. Naquela mesma semana, a primeira atitude que Carolina tomou – aconselhada pelas duas – foi pedir à mãe para irem ao oftalmologista se orientarem quanto ao uso de lentes de contato. Após um exame, o doutor lhes deu uma receita e, no mesmo dia, foram a uma ótica e Carolina substituiu os velhos óculos por um par de lentes; foi fácil se adaptar. Aproveitou também em outro dia, para tirar o aparelho. Por mais acostumada que estivesse com seu uso, não pôde deixar de experimentar uma sensação de alívio. Com essas alterações, notava-se uma diferença considerável na garota, a ponto de atrair alguma atenção dos garotos do bairro. Mesmo Fernando – que não comentou nada – pareceu surpreso com a mudança. Faltavam os toques finais. Na semana em que ficou uns dias na casa da prima, Magda foi junto com Amanda acompanhar Carolina a um shopping para escolherem novas roupas. Sofia as levou, mas deixou-as à vontade e só se manifestava quando era pedida sua opinião. Carolina experimentou dezenas de roupas totalmente opostas ao seu estilo – largas e folgadas – e vários sapatos e acessórios. Eram vestidos, saias, minissaias, blusas mais apertadas, cintos, etc. Comprou também um estojo de maquiagem bem leve, próprio para sua idade – torceu o nariz – por insistência das amigas. Foi ao cabeleireiro apenas para cortar as pontas do cabelo e reestruturá-lo. Porém, soltou-o apenas dois dias antes de voltar à escola. Magda retornaria para seu lar no dia seguinte e, na segunda, às aulas, embora em outro colégio do bairro em que morava. Por isso, deveriam aproveitar o sábado para a "transformação do século." No quarto de Carol, as meninas soltaram e ajeitaram seu cabelo (adeus tranças), maquiaram-na e convenceram-na a usar uma blusa rosa e uma minissaia jeans. Iriam ao cinema. - Papai nunca vai me deixar sair com um troço desses! – protestou Carol ao analisar o comprimento da vestimenta. Ela conhecia o caráter meio rigoroso de Paulo, fruto de uma disciplina militar. - Relaxe, falamos com a tia – respondeu Magda – Ela vai acalmar o tio. - É isso aí... fique quieta, Carol. – Amanda colocou uma pequena fita cor-de-rosa no cabelo da amiga para combinar com a blusa. – Tá quase pronta. Trocou um olhar com Magda e juntas levantaram Carolina de uma cadeira e viraram-na de frente para um espelho de corpo inteiro. - Tanã! – disseram juntas Carolina arregalou os olhos. Quem era aquela garota parada à sua frente refletida? Ela própria não se reconhecia; Amanda e Magda riram de sua expressão. No fim, acabou sorrindo pelo trabalho de suas companheiras. Quando foram para a sala a fim de Carolina se mostrar para seus pais, eles não puderam esconder a admiração pela transformação da filha. - Meu Deus, minha filha, você está linda! – exclamou Adelaide colocando o rosto entre as mãos. Levantou-se até do sofá em que estava sentada com o marido, aproximou-se dela e a rodopiou – Quer dizer... você sempre foi linda, mas nunca quis mostrar o quanto – virou-se para Amanda e Magda. – Meus parabéns, meninas! - É, mas... não acha que essa saia está curta demais? E você está muito nova para se maquiar. – retrucou Paulo. Porém, ao ver o olhar repreensivo que a esposa lhe dirigiu, mudou de ideia. – Esqueça, filha. Você está mesmo linda! E quer saber? – levantou-se – Vou tirar uma foto. - Ah, não pai! – a garota mordeu os lábios e contraiu o rosto. - Sim, filha, temos que registrar esse momento. – concordou Adelaide Dali a uns minutos, Paulo voltava com uma câmera. - Sorria, Carol – disse ele enquanto Adelaide, Amanda e Magda se afastavam. Carolina bufou, mas obedeceu. Não gostava de aparecer em fotos, apenas tirá-las. - Agora tire uma com sua mãe. - Poxa, pai... É só uma saída para o cinema - Vamos, menina, obedeça o papai. Ela revirou os olhos, mas deixou que a mãe a abraçasse por trás e juntas posaram. Em seguida, foi obrigada a tirar uma terceira no meio de Amanda e Magda. Nesse momento, Fernando entrou. Ele iria ao cinema com as três meninas, mas como sua irmã e Magda se demorariam em arrumar Carolina, preferiu aguardá-las em casa. Aparentemente sua paciência se esgotou. A empregada da casa, Luzia, – recém-contratada depois de muita protelação de Adelaide – atendeu a campainha e acompanhou o garoto até a sala: - Dona Adelaide, o Fernando. - Ah, Nando, entre! – Adelaide o puxou pelo ombro antes que ele tivesse a chance de abrir a boca para saudá-la. Ela se dirigiu ao esposo – Querido, tire uma foto dele com a Carol. - Ah, sim, claro. Nesse instante, foi que Fernando olhou para a nova aparência de sua amiga. Arregalou os olhos e abriu a boca, medindo-a de cima a baixo. Amanda e Magda se entreolharam segurando o riso. Adelaide e Paulo também trocaram um olhar significativo. - E... então? – perguntou ela um pouco encabulada pela maneira como o garoto a observava. - Legal – ele assumiu um ar indiferente. Carolina torceu a boca, mas não ficou muito desapontada. Conhecia o jeito de seu amigo. Amanda e Magda se entreolharam com uma expressão de quem diz "Meninos." - Nando, fique do lado da Carol. – ordenou Paulo – Vou tirar uma foto de vocês. O garoto olhou com estranheza para Carolina, mas ela deu de ombros e segurou na cintura do amigo sem constrangimento enquanto ele punha um braço em volta de seus ombros. Carol teve a impressão de sentir um leve tremor no corpo dele, mas atribuiu isso ao ridículo da situação em tirarem aquela foto. Não estava indo a nenhum baile, nem era a comemoração de seu aniversário. Mesmo assim, encostou o rosto no de Fernando e arreganhou os dentes.                                                                                         - 0 – Foi na sétima série que Carolina deu seu primeiro beijo. O privilegiado? Rafael Lima Soares. A jovem nunca imaginou que depois da radical mudança em seu visual começaria a atrair olhares não só na nova escola, como em qualquer lugar. À medida que crescia, o corpo de menina dava lugar às formas de mulher, de modo que, aos treze anos, Carol tinha o corpo bem desenvolvido para uma adolescente de sua idade: os s***s aumentavam, a b***a crescia e ela ganhava mais altura. E para quem antes sofreu bullyng pela magreza, agora era justamente invejada por seu pouco peso. Passou a ser considerada uma das garotas mais bonitas do colégio tanto quanto Amanda, algo que nem em sonhos ela previa que aconteceria. Além da mudança física, também houve na atitude. Ela começou a flertar o garoto de quem gostava desde os onze anos quando o viu pela primeira vez naquela escola: Rafael Lima Soares, um dos mais bonitos e populares e seu colega de classe. Foi um caminho longo para começar a tomar a iniciativa e amores anteriores para que começasse a desabrochar sua sensualidade e autoestima. O primeiro amor foi Fernando. Porém, nunca poderia conquistar seu afeto. Além de saber que a via quase como uma irmã, ele gostava da chata da Martinha. E ele era lindo demais para sequer a notar como algo a mais. Mesmo assim, por quase um ano Carolina alimentou aquela afeição, até que sua mentira de gostar de Rodrigo se tornou verdade. Ela passou a prestar mais atenção no menino e descobriu encanto em sua aparência e jeito de ser. Era um dos poucos garotos que não debochava dela. Mas também guardou aquela afeição para si. Depois, veio Tiago, que veio de outra cidade e escola. Lindo por sinal, mas nem sabia que ela existia – bom de um lado porque não implicava com ela e, r**m porque era invisível para ele. Por fim, ela conheceu Rafael. Cabelo castanho escuro, olhos verdes, alto para sua idade e um sorriso cativante. Era o primeiro garoto que literalmente fazia Carolina ficar com as pernas bambas, sentir borboletas no estômago e incapaz de articular qualquer palavra em sua presença. De início, Rafael não lhe prestava muita atenção, até porque já tinha uma namoradinha, segundo ele, embora ela não fosse da escola. Contudo, o rapazinho não conseguiu ficar mais indiferente, à medida que Carolina cresceu, desenvolveu-se, ficou mais linda e mais solta. E graças a umas dicas de Amanda e duas colegas mais próximas, Carolina começou a flertar com Rafael, de um jeito leve e natural, sem se oferecer demais. Os dois ficaram naquele jogo de olhares e meias palavras por quase um mês. Carol estava ansiosa! Os hormônios começavam a ferver seu corpo. Ela queria muito ser beijada por Rafael! A maioria das garotas da sua idade que conhecia – inclusive Amanda – já havia beijado na boca. Fernando também deu não só o primeiro como mais uns dezenove beijos em diferentes garotas (pelo menos era essa quantidade que Carol ouviu dele próprio). Com apenas treze anos, ele já era um garanhão. Mesmo com algumas espinhas no rosto, continuava fazendo sucesso entre as garotas.  Carolina não se incomodava mais em vê-lo com outra garota, nem mesmo se o visse beijar alguma, embora por alguma razão que não soubesse explicar, sentiu-se estranha quando soube de seu primeiro beijo – Flávia, a garota eleita, não perderia oportunidade de divulgar o acontecimento. E também quando o viu beijar outra menina, a segunda ou a terceira. De qualquer jeito, não era problema para ela. Então se seus dois amigos e até sua prima experimentaram o doce sabor do primeiro beijo, restava ela. Claro que oportunidades não lhe faltaram: metade dos garotos do colégio viviam lhe jogando charme. Mas Carol não era do tipo "vai com as outras". Ela queria que esse acontecimento tão marcante fosse com alguém de quem gostasse. E esse alguém tinha que ser Rafael! Não havia impedimento entre eles. Soube que até havia terminado com a tal namoradinha. Porém, Carolina não daria mostras de desespero por mais ansiosa que estivesse. Numa manhã, antes do início da aula, um colega de Rafael entregou para ela um papelzinho dobrado no pátio e saiu sem esperar resposta; a garota conversava com Amanda e outras colegas. Ao receber o bilhetinho, levantou os olhos e viu seu pretendente do outro lado com outros meninos. Esboçou um sorriso largo ao ver que ela o encarava. - O que é isso? – perguntou uma das colegas. - Nada. - Carol abaixou a mão que segurava o papel - Huuuumm! – fizeram as garotas em coro com expressão maliciosa. - Ai, gente, para! Somente Amanda não tomou parte no coro. Observava a amiga com expressão indefinível. O sinal de entrada tocou. Fernando se despediu de um grupo de colegas, juntou-se a Carolina e a Amanda e os três entraram na sala. Carol se sentava na segunda carteira entre os gêmeos – Fernando na frente e Amanda atrás – e, assim que começou a primeira aula (de Matemática, a sua menos favorita), ela leu discretamente o bilhetinho entregue pelo colega de Rafael. GATA, ME ENCONTRE NA HORA DO RECREIO PERTO DA HORTA RAFA. As mãos da garota tremeram de ansiedade. Um sorriso nervoso se desenhou em seus lábios. Sentiu o dedo de Amanda lhe cutucar o ombro. Ela virou a cabeça para trás. - Sim? - Já leu o bilhete? – perguntou a jovem incapaz de conter a curiosidade - Já. - E o que diz? - O Rafa quer me encontrar na hora do recreio lá na horta. - Uau! Será que... vai rolar um beijo entre vocês? - Ai, tomara! - Carolina e Amanda! – a voz do professor Ronildo fê-las interromperem a conversa. Carol se virou para sua carteira e viu a expressão nada satisfeita de seu mestre, assim como os olhares curiosos dos demais colegas, incluindo o de Fernando – O assunto de vocês tem algo a ver com a matéria de hoje? - Não, professor – as bochechas da garota esquentaram. - Então sugiro que deixem a conversa e prestem atenção na aula. Entenderam? - Sim, professor. - Sim, professor – respondeu Amanda às suas costas. O resto da classe ria ou murmurava algo. - Certo, certo... vamos voltar ao que eu falava. – Ronildo bateu palmas para dispersar a desatenção da classe e aguardou que silenciassem – Então, um polinômio basicamente é... Carolina fixou os olhos no professor, sem, contudo prestar atenção no que dizia.                                                                                      - 0 – - Ai, Deus, é agora. – disse Carolina aos cochichos para Amanda, as duas de pé no meio da sala enquanto seus colegas abandonavam o local para o intervalo. Rafael saiu não sem antes lançar um olhar significativo para ela – Amanda, não vou conseguir. Que vergonha! - Claro que vai, sua boba! Não era isso que você queria? – empurrou-a levemente – Agora vai. Carolina suspirou. Antes que desse o primeiro passo, Fernando, que estava demorando em guardar seus pertences na mochila, interceptou seu caminho. - Er... Carol – parecia encabulado - Oi. – respondeu com certa ansiedade, com os olhos fixos na porta. - Dá pra... dá pra gente conversar? – ele coçou o topo da cabeça - Agora? - É. – estreitou os olhos ao vê-la passar a língua nos lábios – O que foi? - Nada. – esboçou um sorriso nervoso – É que... é que... dá pra ser outra hora essa nossa conversa? - Cê tá com algum problema? Carolina não queria lhe contar a verdade simplesmente por vergonha do que ele pensaria. Mas como não lhe ocorresse nada, resolveu abrir o jogo. - Bom, eu... - Sim, nós temos um problema. – Amanda veio em socorro da amiga e colocou seu braço no dela. Carolina a olhou sem entender. – Carol tem que preparar um discurso até o fim da aula e até agora ela não fez. - Discurso? – Fernando encarou Amanda com estranheza assim como a própria Carolina. - É, irmão. Discurso para a festa do pijama que as garotas da nossa turma e eu vamos fazer na casa dela. Não é, Carol? - É... é isso mesmo. – Carolina sorria sem graça por mentir para o amigo, mas não podia lhe contar ainda sobre seu encontro com Rafael - Nunca ouvi falar disso. - Ai, claro que não – Amanda revirou os olhos – Você nunca esteve numa festa de pijama de meninas. É um acontecimento. - E tem que ser agora? - Tem – responderam as duas ao mesmo tempo - Mais tarde não vou ter tempo. – ela embarcou na mentira da amiga – Vou ter que...que organizar tudo lá em casa pra receber as meninas... e isso demora. - E por isso ela estava indo para a biblioteca... para pesquisar algo e ter alguma inspiração para o discurso... - Isso. Fernando não questionou mais nada. Seu olhar convergia de uma para outra. - Acho melhor eu ir lá te ajudar, Carol – tornou Amanda. - Você faria isso por mim? – Carolina se voltou para ela com falsa expressão de entusiasmo. - Claro, vamos – puxou-a de lado e passaram por seu irmão – Até mais, Fernando. - Até. – a resposta foi dada numa voz quase sumida. - Por que me fez mentir para seu irmão, hein? – perguntou Carolina aos sussurros para ela já do lado de fora. Caminhavam para a biblioteca – Eu ia contar pra ele. - Por que tem certas coisas que é melhor o meu irmão não saber - Por que não? Ele também é o meu amigo tanto quanto você... e ele sempre me conta tudo dele... e das meninas que fica. E eu também sempre conto tudo para ele, até de todos os meninos que gosto. Ele sabe do Rafael. - É, mas eu vi que você ficou sem graça em dizer que você vai se encontrar com o Rafa - devolveu Amanda e observou a amiga corar – Ah, tá vendo? - Mas nunca menti para ele Bom, só uma vez, pensou ao se lembrar de que falar que gostava de Rodrigo quando ainda não era verdade. - Tem coisas que você não deve compartilhar com um garoto – Carolina a encarou frustrada – Tá, tá, depois cê conta pra ele a verdade se quiser. Mas acredite... agora não seria legal. Acho que ele te atrapalharia. - Por quê? -Porque... porque... Ah, sabe como meu irmão é com você... e comigo. Bastante protetor. Carolina refletia sobre aquelas palavras. Algo lhe inquietou, mas ignorou a sensação. - É, você tem razão - Eu sempre tenho – disse Amanda com sorriso presunçoso. Carolina apenas sorriu em resposta. Logo chegaram à biblioteca. - Pronto, o disfarce acabou. Eu fico aqui até o recreio acabar. - Jura? Não vai querer conversar com o Luiz? Luiz era o novo interesse de Amanda. - Não, deixa pro outro dia. Assim eu mostro pra ele que não sou fácil e ele fica mais louquinho por mim. Carolina riu. - Vai, vai.– Amanda a incentivou abanando as mãos – O recreio vai acabar logo. - Valeu, amiga. A garota não correu, somente andou a passos rápidos; a horta não era muito longe dali. Havia três quadras na escola, sendo que duas ficavam lado a lado – uma com a piscina olímpica para as aulas de natação e a outra para o futebol e o basquete, nessa se concentrava a maior parte dos alunos. Era atrás da terceira quadra mais afastada, a de vôlei, que se localizava a horta. Carolina encontrou vários colegas no caminho – principalmente seus admiradores – mas não se deteve para conversar com nenhum. O coração a mil, a respiração ofegante, um sorriso ansioso, o rosto corado, foi assim que chegou ao local de encontro com Rafael. Ele estava lá com as costas escoradas no muro com os braços cruzados e expressão impaciente. - Rafael! – ele se endireitou desanuviando a expressão. Carol se aproximou ofegante – Desculpe a demora. - Sem problema – ele deu de ombros e esboçou um sorriso – Pelo menos você veio. Ficaram em silêncio. Carol abaixou o rosto. - Bem... e você queria me encontrar pra quê? – ela passou a mão no cabelo e lambeu os lábios. - Ah... você sabe... – pegou a mão dela com naturalidade. A garota levantou o olhar surpreendida, ele estava indo direto ao ponto – Acho você... muito gata e... queria te pedir em namoro. - Sério? - É, sério. – ele a fitou com um olhar confiado – Você aceita? Carol não respondeu, abaixou o rosto, sorriu timidamente e apenas acenou com a cabeça. - Bem... então... – Rafael levantou seu queixo com uma mão Carol arregalou os olhos e vendo-o observar com demora sua boca, fechou-os e esperou. Logo os lábios de Rafael encostaram nos seus, entreabriram sua boca e buscaram sua língua. A respiração dela parou um momento, apenas para voltar ofegante. Os braços do garoto rodearam sua cintura. No começo, ela não soube o que fazer, ficou paralisada, mas logo acompanhou os movimentos que ele fazia e rodeou seu pescoço com os braços. Não soube explicar, mas por um momento, passou-lhe pela cabeça como seria o beijo de Fernando. Na mesma hora que veio tal pensamento, ela o dispersou. Era Rafael que estava ali com ela.  O amor agora se descortinava para Carolina e todos seus amores não correspondidos ficavam para trás. Especialmente Fernando.  
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