O sol nem tinha dado as caras no céu quando meu telefone vibrou de novo. Uma mensagem curta. Sem nome. Sem emoji. Sem alma: “Patrick tá respirando ainda. Mas não vai durar muito.” Olhei pra Ayla dormindo, cabelo espalhado no travesseiro, os cílios tremendo como se sonhasse. Por um instante desejei que tudo fosse diferente. Que eu fosse só o cara da concessionária, que o mundo lá fora não existisse, que o maior problema da minha vida fosse esquecer de colocar gasolina no carro. Mas eu era Dante. E o mundo não perdoava quem sonhava demais. Levantei devagar, vesti a calça jeans escura e a camiseta preta que usava quando precisava sumir. Sem perfume, sem identidade. Peguei meu relógio, arma e celular e saí pisando leve, deixando Ayla no mundo dos sonhos. No portão, Neguinho já me esperava

