Mole

1036 Palavras

Voltei pra lá, puto, eu ia atirar sim, precisava, a arma pesava na minha mão como se fosse feita de pedra. A ponta apontada direto pro Patrick, que ajoelhado no chão de terra batida, tremia mais que vara verde. Os olhos arregalados, cheios d’água, mas não era só medo não… tinha desespero. — Me desculpa, Dante… por favor, cara… minha mãe tá doente. Eu só queria ajudar ela. Os cara me ofereceram grana, e… e eu fui burro. Fui burro demais. Essa frase me travou. Do nada, veio a imagem da Dona Celeste, mãe dele. Uma senhora miúda, que vivia sorrindo mesmo sem ter dente na boca, carregando sacolas nas mãos finas, sempre que me via dizia: “Deus te proteja, meu filho”. Lembrei do dia em que ela me ofereceu um pão doce quando eu ainda era pivete e passava fome. Abaixei a arma devagar. Soltei um

Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR