A noite estava quente, abafada, daquele jeito que parece que o ar pesa. Eu tinha acabado de sair de uma reunião com os meninos. O clima no morro estava carregado, depois dos rumores de que a Pedreira voltaria a atacar. Nossos informantes confirmaram movimentações estranhas perto da Ladeira 9. Era questão de tempo. E eu não podia vacilar. Não agora. Não com tudo o que a gente construiu. Mas a verdade é que, mesmo com o coração apertado com o peso da responsabilidade, eu só conseguia pensar nela. Ayla. Loira, cabelo curtinho, olhos tão azuis que pareciam duas piscininhas de paz no meio do caos que era a minha vida. Ela não sabia quem eu era de verdade. E eu torcia todos os dias pra que não descobrisse. Naquela noite, mandei uma mensagem pra ela: — Tô com saudade. Posso passar aí? Ela dem

