A noite tinha caído feito chumbo no morro. Aquelas luzes fracas dos postes piscavam como se tivessem medo de apagar de vez. Tava abafado, o tipo de clima que deixa qualquer um de cabeça quente — e aqui em cima, cabeça quente é convite pra desgraça. Eu tava no galpão, sentado em frente aos monitores. As imagens da quebrada rodavam ali, cada canto sendo vigiado. Mas, mesmo com tudo sob controle, eu não tava em paz. Marcão tava encostado na parede, me olhando daquele jeito que ele olha quando tá querendo dizer alguma coisa mas ainda tá medindo as palavras. — Cê não acha que tá dando muito mole, não? — ele soltou do nada. Eu virei devagar, puxando o cigarro da boca dele. — Mole? Em que sentido? — Essa parada com o moleque ontem… o Júnior. Todo mundo viu que você ficou tocado. Deu grana pr

