A caminhonete preta ronronava de leve enquanto eu dirigia pela cidade, mas dentro do meu peito, o barulho era outro. Meu coração tava dando cambalhota, parecia que ia pular pra fora a qualquer momento. Eu olhava pela janela, vendo as luzes dos postes passarem, e tentava manter a calma. Impossível. A camisa polo azul que os moleques me ajudaram a escolher tava certinha no corpo, realçando meu ombro largo. Jeans claro, tênis branco limpo, barba feita, cabelo na régua. E o boné? Nem sinal dele hoje. Queria mostrar outra versão de mim. Uma que nem sei se existe de verdade, mas… por ela, tô tentando descobrir. O buquê de flores tava ali do meu lado, no banco do passageiro, junto com um vinho dos mais caros que encontrei. O cheiro das flores me deixava ainda mais ansioso. Quase doce demais. Qu

