Capítulo 33 — As Raízes do Jardim

1577 Palavras

A madrugada avançava sem piedade, espalhando silêncios densos pelos corredores da cobertura. O dossiê ainda estava aberto na mesa da biblioteca, papéis espalhados como cicatrizes arrancadas de um passado que ninguém queria revisitar. Freud e André se debruçaram sobre as páginas, trocando olhares graves, enquanto Romeu permanecia em pé, de braços cruzados, fixo em Julie. Ela, por sua vez, parecia à deriva. Os dedos apertavam a borda da mesa, como se aquela madeira fosse a única âncora contra a vertigem. O olhar de Julie alternava entre os papéis que expunham a crueldade do passado e o homem diante dela, aquele que, por mais que tentasse resistir, já havia se tornado sua maior fraqueza e sua maior força. O ar tinha cheiro de livro antigo e chuva distante. Lá fora, a cidade respirava em luz

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