O silêncio dentro da cobertura pesava como um castigo. Julie caminhava pelo hall iluminado, a seda do vestido deslizando pelas pernas como uma lembrança incômoda da noite no salão. Por mais que tentasse afastar da mente, as palavras de Patrícia ainda ecoavam em sua pele como cicatrizes novas: “Borboletas sempre acabam presas em vidros.” Romeu vinha logo atrás. O paletó já havia sido arrancado e atirado sobre o sofá, a gravata solta, o olhar escuro demais para ser apenas de cansaço. Freud desaparecera para reforçar a segurança, André mantinha contato com os acionistas, mas ali, entre aquelas paredes de vidro, havia apenas os dois. E o ciúme. Julie parou diante da janela panorâmica. A cidade brilhava como um tapete de luzes infinitas, mas os olhos dela estavam marejados, a respiração curt

