O céu de São Paulo estava carregado de nuvens quando Freud organizou discretamente a logística. Para despistar possíveis olhares e transmissores, Romeu decidiu que aquela noite não seria passada na cobertura nem na mansão. Reservou, sob nome falso, o último andar de um hotel de luxo no centro, conhecido pelo anonimato absoluto e pelo silêncio blindado de suas paredes. O quarto parecia um refúgio fora do tempo: cortinas pesadas bloqueando a cidade, iluminação suave filtrada pelas lâmpadas âmbar, lençóis de algodão egípcio impecavelmente alinhados. Julie entrou primeiro, ainda em alerta, mas ao fechar a porta atrás de si, percebeu a diferença. Nenhum ruído externo, nenhum olhar invisível. Pela primeira vez em semanas, parecia que estavam sozinhos. Romeu deixou a jaqueta cair sobre a poltro

