Heitor Veiga A água escorria pelo meu corpo como fogo líquido. Encostei as mãos na parede do box e fechei os olhos, deixando o vapor subir. Mas não era o calor do chuveiro que me deixava assim. Era ela. Antonela. A imagem dela vermelha, a respiração descompassada quando viu meu corpo. O jeito que virou o rosto às pressas, como se não estivesse curiosa, como se o rubor não tivesse denunciado. Sorri sozinho, e******o. Cada reação dela é um presente. O ódio, a vergonha, a negação... tudo é prova de que eu a afeto. Que, por mais que ela tente fugir, a respiração dela ainda se desmancha por minha causa. Saí do banho renovado, mais vivo que nunca. Vesti uma calça preta de tecido leve e uma camisa branca, sem gravata. Roupa casual, confortável, mas ainda assim impecável. A postura é minha a

