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918 Palavras
A recepção começou logo depois da cerimônia. O enorme salão estava iluminado por lustres de cristal. Os convidados conversavam animados, brindavam e elogiavam os recém-casados. Para quem olhava de fora, Lorenzo e Helena pareciam o casal perfeito. Mas a distância entre eles era visível para quem prestasse atenção. Durante a entrada dos noivos, Helena segurou o braço de Lorenzo apenas porque o protocolo exigia. Ele manteve a postura séria, sem demonstrar qualquer carinho. Quando chegaram à mesa principal, os pais de ambos os observavam satisfeitos. — Vocês formam um casal lindo — comentou a mãe de Lorenzo. Helena sorriu educadamente. — Obrigada. Lorenzo apenas assentiu. Pouco depois veio a primeira dança. Os convidados abriram espaço enquanto a música começava. Lorenzo colocou uma mão em sua cintura. Helena apoiou a mão em seu ombro. Dançaram em silêncio por alguns instantes. — Pode fingir pelo menos esta noite? — ela perguntou baixinho. — Fingir o quê? — Que não me odeia. — Eu não odeio você. — Então por que está me tratando como se eu fosse sua inimiga? Lorenzo desviou o olhar. — Porque toda vez que olho para você, lembro que deveria estar me casando com outra pessoa. Helena sentiu a pontada daquelas palavras, mas manteve a cabeça erguida. — E toda vez que olho para você, lembro que também perdi minha liberdade hoje. Aquilo fez Lorenzo encará-la por um momento. Era a primeira vez que ele pensava que talvez ela também fosse uma vítima daquela situação. A música terminou. Os convidados aplaudiram. Logo depois vieram os brindes. O pai de Lorenzo fez um discurso emocionado sobre união, tradição e futuro. Helena quase achou irônico. Ninguém ali sabia o que realmente estava acontecendo. Mais tarde, enquanto os convidados jantavam, Helena saiu discretamente para o jardim do salão. Precisava de alguns minutos longe de todos. O ar da noite estava fresco. Ela respirou fundo, tentando controlar a tristeza. Foi quando ouviu uma voz conhecida. — Então era verdade. Helena se virou. Parada perto da fonte estava uma mulher muito bonita, com os olhos vermelhos de tanto chorar. Sofia. Helena a reconheceu imediatamente pelas fotos que havia visto. Sofia sorriu sem alegria. — Parabéns pelo casamento. Helena ficou sem saber o que responder. — Eu não vim criar problemas — continuou Sofia. — Só queria ver com meus próprios olhos. — Ver o quê? — O homem que eu amo se casando com outra mulher. As duas ficaram em silêncio. Por alguns segundos, nenhuma delas pareceu inimiga da outra. Apenas duas mulheres feridas pela mesma situação. Dentro do salão, Lorenzo procurava Helena quando avistou as duas juntas no jardim. Seu coração disparou. Porque ele sabia que aquele encontro poderia mudar tudo. Lorenzo atravessou o salão rapidamente. Quando chegou ao jardim, encontrou Helena e Sofia em silêncio diante da fonte. As duas se viraram ao mesmo tempo. Por um instante, ninguém disse nada. Então Sofia respirou fundo. — Eu já vou embora. — Sofia... — Lorenzo deu um passo à frente. Ela levantou a mão, impedindo que ele se aproximasse. — Não. A voz dela falhou. — Você fez sua escolha. — Não foi uma escolha. — Foi sim. Os olhos de Sofia se encheram de lágrimas. — Talvez seus pais tenham te pressionado. Talvez você tenha sofrido. Mas no fim você ficou lá. Ela apontou para o salão. — Você colocou a aliança no dedo dela. Lorenzo não conseguiu responder. Porque aquilo era verdade. Sofia engoliu o choro. — Eu esperei você lutar por nós. — Sofia... — Eu esperei você dizer não. O silêncio que se seguiu foi doloroso. Helena observava tudo sem interferir. Então Sofia olhou para ela. — E você... Helena sustentou seu olhar. — Eu sinto muito. Sofia ficou surpresa. — Eu sei que você também não queria isso. Helena baixou os olhos por um instante. — Não queria. — Então nós duas perdemos hoje. As palavras atingiram as duas como uma facada. Porque eram verdadeiras. Sofia enxugou as lágrimas. — Espero que encontre sua felicidade, Helena. — E eu espero que você encontre a sua. Sofia assentiu. Depois olhou uma última vez para Lorenzo. O homem que amava. O homem que agora era marido de outra mulher. — Adeus, Lorenzo. Ela se virou e começou a caminhar em direção à saída. Lorenzo deu um passo para segui-la. Mas parou. Porque ela não olhou para trás. Nem uma única vez. Poucos segundos depois, desapareceu na noite. Lorenzo ficou imóvel. Sentindo pela primeira vez o peso real do que havia acontecido. Ele não tinha apenas se casado. Ele tinha perdido Sofia. Helena observou o rosto dele. A dor era tão evidente que ela quase sentiu pena. — Você deveria ter corrido atrás dela — disse calmamente. — E fazer o quê? — Não sei. Ela deu de ombros. — Mas ficar parado certamente não resolveu nada. Lorenzo passou a mão pelos cabelos, frustrado. Naquele momento, um funcionário apareceu na porta do jardim. — Senhor Lorenzo, senhora Helena, os convidados estão esperando para cortar o bolo. Os dois trocaram um olhar. E voltaram para o salão. Os aplausos começaram assim que entraram. Todos sorriam. Todos comemoravam. Ninguém fazia ideia de que, poucas horas após o casamento, o coração do noivo já havia sido despedaçado. Enquanto cortavam o bolo e posavam para as fotos, Helena percebeu algo. Pela primeira vez desde que o conhecera, Lorenzo não parecia arrogante ou c***l. Parecia apenas um homem profundamente arrependido. E isso, de alguma forma, a assustava mais do que a frieza dele.
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