Pelos olhos do Danny
Ravi chorou em meus braços por pelo menos uma hora, ele não desgrudou e nem cessou o choro. Mas acabou dormindo e eu sabia que ele acordaria com dor de cabeça e olhos inchados.
Ouço batidas na porta e uma pequena fresta de luz invade o quarto que reside em um escuro absoluto.
- Dan? - A voz de Levi é baixa mas audível.
- Oi Lee. - digo em um tom de voz também baixo para não acordar o loiro em meus braços.
- O Ravi está dormindo?
- Está sim, por que?
- A mamãe acordou, e queria falar com a gente, mas se ele tá dormindo eu vou lá com o Hezz, está bem? - Avaliei a situação e sabia que Ravi não tinha emocional para ouvir nada que viesse de ninguém.
- Tudo bem Lee, pode ir lá. - Levi saiu e voltei a acariciar os longos fios dourados do pequeno ômega.
- Obrigado. - O pequeno sussurro foi deixado no ar, como se fosse um segredo. O apertei mais um pouco e deixei um beijo em sua testa. Ele se alinhou um pouco mais e ali senti suas lágrimas molharem minha blusa novamente, o deixei ali em seu pequeno lugar seguro, ouvi sua respiração ir acalmando aos poucos até que ele estava dormindo de vez.
O silêncio e a tranquilidade permaneceu por horas a fio, sinto o loiro se agitar e aos poucos sinto ele levantar a cabeça de leve e sei que ele me encara com seus lindos olhos.
- Quanto tempo eu dormi? - Ele diz sonolento.
- Algumas horas. - Ele coça um dos olhos com a a mão e depois o ouço bocejar.
-O Levi, eu tenho que ver como ele está. - A preocupação com o irmão mais novo sempre fez parte da vida de nós dois, de tal forma que nem me surpreendo mais.
- Ele estava com sua mãe e com o Harry, então relaxa. - Digo tocando sua testa com meu dedo do meio e o indicador.
- Vamos sair daqui. - Ele pede já se levantando, o acompanho e ao sairmos do quarto damos de cara com Louis que parecia estar procurando Ravi.
- Loirinho, que bom que te achei - Ele diz sorrindo e encarando meu marido.
- Que foi tomate? - Desde quando eles têm essa i********e? Respira Danny, respira.
- Sua mãe está te procurando, ela pediu para mim te achar. - Ele literalmente me ignora por completo dessa conversa.
- Tudo bem - Ravi me olha e da um pequeno sorriso. - Vamos lá meu amor? - um sorriso se forma em meus lábios e o de Louis some. Assenti e fomos em direção ao quarto 307. Ao chegarmos Ravi exita em abrir a porta branca de madeira, ele leva a mão até a maçaneta e aos poucos gira o objeto metálico, a porta se abre aos poucos nossa visão é preenchida por uma ruiva acariciando os cabelos dourados de Levi que tinha sua cabeça na cama da mãe enquanto resisida em uma confortável poltrona.
- Vocês cresceram mas ainda sei fazer vocês dormirem. - Ela diz desviando o olhar para seu primogênito.
- Percebi. - Ele entra na sala e eu o acompanho. Ele se senta em outra cadeira ao lado do irmão e sua mãe sorri.
- Que bom que vocês ficaram bem, você cuidou do seu irmão quando eu não consegui cuidar... - Lágrimas se formaram no rosto da beta ruiva e a vi deixar cair algumas grossas e salgadas lágrimas. - quando Simon me contou que vocês fugiram, por um momento eu quis acreditar, quis acreditar que meus filhos tinham saído de casa no meio da noite em busca de qualquer outra coisa.
Os olhos dela tinham tantos sentimentos que até sua presença estava confusa, um misto de tristeza, desespero, culpa e saudades.
- Mas coração de mãe não se engana, eu tentei ir atrás de você meu filho, eu juro que tentei. - O choro já embargava a voz da ruiva. - Eu tentei mesmo, mas eu fracassei, não consegui ir até você e seu irmão, eu falhei como mãe. - Naquele momento ela se entregou as lágrimas e não olhava para Ravi.
O loiro mais velho olhou a mãe e suspirou.
- Você se colocou em risco quando casou com ele, colocou seus filhos em risco quando colocou um estranho em casa. Quando meu pai morreu, eu achei que a senhora estaria lá para nós, achei que a senhora iria proteger a gente! - O ômega suspira e encara sua progenitora- Doeu, doeu quando nem mesmo a senhora conseguiu se livrar das mãos dele, mas o que os filhos dele fizeram comigo e com o Levi...- Ele deixou a frase morrer ao olhar para o irmão mais novo que ainda dormia de forma serena, o olhar do loiro mais velho percorreu o quarto até encontrar meus olhos, aquele olhar tinha tanta dor e mágoa novamente, pela marcar foi denunciado a mim toda a sua confusão, raiva e mágoa.
"Seja forte"
Foi o que eu disse sem emitir som, ele voltou a olhar para a beta e suspirou.
- Mesmo depois de termos sido vendidos, eu ainda continuei sabendo notícias suas, todos os dias Louis me demandava mensagens dizendo como você estava. - Ouvir que meu ômega e aquele cosplay de tomate trocam mensagens com certeza ascendeu meu ciúmes. - Mas aí ele simplesmente me diz que você veio para o hospital - Ele suspirou e encarou as próprias mãos. - A senhora tem noção de como eu fiquei? De como a culpa me consumiu? De que o simples pensamento de que eu poderia ter tirado você de lá antes, me corroeu por dentro e ainda está! Olha mãe, eu realmente sinto muito e sei que a senhora jamais pensou que isso tudo iria acontecer, mas não pode falar comigo como se eu devesse te perdoar! - Ele suspirou. - Porque eu não vou dizer para a senhora que agora está tudo bem e que a senhora não teve culpa, porque a senhora teve! - Arregalei meus olhos com as duras palavras dele e não pude deixar de olhar para Levi que em algum momento acordou e ouviu alguma parte da conversa, mas por sua expressão, com certeza ouviu a última parte.
-Ravi! - meu cunhado disse parecendo repreender o irmão.
- d***a! - Ravi disse batendo a mão na testa - Eu esqueci que você estava aqui. - Os dois loiros se encararam.
- Você não pode falar assim com ela! - Levj elevou a voz, e se levantou da cadeira, assim como seu irmão mais velho que o encarava de braços cruzados.
- Nem começa Levi, você sempre teve o coração mole e sempre vê o lado bom das coisas, eu simplesmente falei a verdade, hm?
- Que verdade Ravi? - As vozes dos dois já estavam altas o suficiente para qualquer um que passasse na porta, ouvisse. - Você não pode culpar ela pelo que aconteceu.
- Sério? Ela coloca um homem que ela conhece a menos de um ano dentro da nossa casa, sem saber se ele é agressivo ou não, aceita os filhos dele, e não tem parcela de culpa?
- Ela sempre tentou defender a gente. - Levi já tinha a voz embargada pelo choro. Eu sabia que isso abalava Ravi, se tem uma coisa que ele não consegue é ver seu irmão chorar.
- Ela não precisaria se tivesse sido um pouco mais responsável e pensado por um momento que aquele monstro não era o príncipe encantado que se mostrava,hm.
- A gente não pensou nisso quando deixamos o Danny e Harry marcar a gente. - Ravi deu um passo na direção de Levi que recuou e por isso acabou sentando novamente, o Edwards mais velho apontou o dedo indicador na direção do mais novo, que ficou acuado.
- Nunca mais compare as situações. Demos sorte dos dois serem maravilhosos com a gente, porque fomos jogados na p***a de um puteiro, devemos agradecer ao Jason e aos Willians pela vida que temos hoje em dia, mas poderíamos estar nos prostituindo ou poderíamos estar mortos, Levi!
- N-não precisa f-falar assim - Meu cunhado já chorava, ele é sensível e muito. A porta se abre e Harry entra, acompanhado por Louis.
- Amor? - Ele ainda em direção a Levi que apenas encara Ravi.
-Cresce Levi, nem sempre as coisas vão vir amenizadas para você,hm. - Dito isso, Ravi saí do quarto deixando o irmão chorando, a mãe estática com toda a confusão e provavelmente se culpando por tudo.
⚜
Ravi
Quando sai do quarto da minha mãe senti um grande peso sumir das minhas costas, eu amo minha mãe, mas nunca vou esquecer que ela simplesmente jogou dentro de casa o primeiro homem que se mostrou gostar dela. Isso é muita irresponsabilidade, não é?
- Ravi? - ouço a voz de Louis e me viro para ele que me encara com um olhar de preocupado.
- Eu estou bem Lou... - Digo dando um meio sorriso.
- Tem certeza?- Ele se aproxima e fica bem próximo a mim. - Eu te conheço loirinho - Ele coloca uma mecha do meu cabelo, atrás da minha orelha - E sei que não está bem. - Ele sorri e faz um leve carinho no meu rosto.
- Não precisa se preocupar, vai ficar tudo bem! - Digo sorrindo de forma doce. Me viro e começo a caminhar em direção ao quarto em que estava mais cedo com Danny. Sei que daqui a pouco Levi vai tentar falar comigo mas não estou afim de discutir de novo. Tudo dentro de mim é apenas confusão, sinto raiva, mágoa, tristeza, dor e o que mais me consome, a culpa.
Deito na maca, e ali encaro a escuridão e penso se meu pai ficou com medo nos seus últimos dias. Será que ele encarava o teto perguntando quando a morte viria?
Eu o amava, meu pai sempre será meu herói e sei que se ele estivesse aqui, nada disso teria acontecido e quando digo nada disso, quero dizer nada mesmo, nem mesmo Danny.
Danny!
O amor da minha vida, mas que veio em circunstâncias tão ruins, que penso se encontraria ele de outra forma, talvez eu fosse em uma de suas boates, mas isso só seria possível depois dos meus dezoito, assim não teríamos tanto tempo juntos. Mas seríamos livres de monstros passados.
Passado!
Será que o passado realmente pode ficar para trás?