A dor e o sequestro

728 Palavras
A rua estava silenciosa. Camila saiu da lanchonete. Sem olhar pra trás. Passos rápidos. O coração apertado. Mas dessa vez ela não chorou. Porque já tinha chorado tudo. — Eu não posso voltar… Ela sussurrou pra si mesma. — Eu não posso… E foi embora. Mais uma vez. Sozinha. Do outro lado da cidade… A mansão parecia grande demais. Vazia demais. Alonso estava sentado no chão do quarto. A garrafa ao lado. Intocada. Ele não bebia. Só olhava pro nada. Os olhos vermelhos. — Eu estraguei tudo… A voz saiu baixa. Quebrada. Alex estava ali. Encostado na parede. Observando. — Cara… Silêncio. — Eu te avisei. Alonso nem reagiu. — Eu disse que você ia se machucar. — E pior… — Ia machucar ela também. O silêncio ficou pesado. — Você não devia ter escondido. Alonso passou a mão no rosto. — Eu achei que tava fazendo certo… A voz falhou. — Eu só… Ele respirou fundo. — Eu só queria alguém que me amasse de verdade. Alex respondeu, direto: — E ela amava. Silêncio. Aquilo doeu mais do que qualquer coisa. — Ela não quis nada teu… — Nem dinheiro… — Nem status… — Nada. Alonso fechou os olhos. — E mesmo assim… Alex continuou. — Você tratou como se ela fosse igual às outras. Silêncio. — Eu não tratei… — Tratou sim. A verdade veio dura. — Você escondeu quem você era. — Você criou uma mentira inteira. Pausa. — E ela acreditou em você. O peito dele apertou. — Ela confiou em você, Alonso. Silêncio. Pesado. — E você quebrou isso. Alonso abaixou a cabeça. Sem defesa. — Eu perdi ela… A voz saiu quase inaudível. Alex suspirou. — Ainda não. Alonso levantou o olhar. — Mas se continuar assim… — Vai perder. Silêncio. — Porque agora não é sobre dinheiro… — Nem poder… — É sobre provar que você merece ela. Pausa. — E isso… — Você nunca fez. Alonso ficou em silêncio. Mas dessa vez… Não era vazio. Era decisão. Porque pela primeira vez… Ele entendeu. Amar ela… Não era proteger. Não era esconder. Era ser verdadeiro. E talvez… Ainda não fosse tarde demais. A noite já tinha caído. Camila caminhava pela rua. Cansada. A mochila nas costas. A cabeça cheia. Mas o coração ainda mais pesado. Ela apertou o casaco contra o corpo. — Vai dar tudo certo… Sussurrou. Mas dessa vez… Nem ela acreditou. Um carro preto parou devagar ao lado dela. Ela nem percebeu. Até o vidro descer. — Então você tava aqui… A voz. Gelou o sangue dela. Ela parou. Devagar. Virou o rosto. E o mundo pareceu parar. — Marcos… Ele sorriu. Frio. — Sentiu saudade? O corpo dela travou. — Como você me encontrou…? Ele riu. — Você acha mesmo que consegue fugir de mim? Silêncio. Ela deu um passo pra trás. — Eu não vou com você. — Vai sim. A porta do carro abriu. Dois homens desceram. Ela tentou correr. Mas não teve tempo. Um deles segurou o braço dela. — ME SOLTA! Ela se debateu. Desesperada. — SOCORRO! Mas a rua estava vazia. — Leva. Marcos ordenou. Frio. Eles a puxaram. — NÃO! As lágrimas começaram a cair. — POR FAVOR! — Eu não vou casar com você! Ele saiu do carro. Se aproximou. Segurou o queixo dela com força. — Você não tem escolha. Os olhos dele eram sombrios. — Sua mãe já recebeu o dinheiro. — Você me pertence. — Eu não sou objeto! Ela gritou. Ele sorriu de lado. — Agora é. E então… Ela foi jogada dentro do carro. A porta bateu. O carro arrancou. E a cidade ficou pra trás. Enquanto isso… Na mansão… Um dos homens de Alonso entrou às pressas. — Chefe— Alonso levantou na hora. — Fala. — A gente achou uma pista. O coração dele acelerou. — Onde ela tá? Silêncio. — Ela não tá mais na cidade. O olhar dele escureceu. — Como assim? — Testemunhas disseram que ela foi levada à força. Pausa. — Por um homem. Silêncio. Pesado. — Nome. — Marcos. Tudo parou. — O cara do interior… Alex falou baixo. Alonso fechou os olhos por um segundo. Quando abriu… Não tinha mais dor. Só perigo. — Prepara o carro. A voz saiu fria. Letal. — A gente vai buscar ela. Porque agora… Não era mais só amor. Era guerra.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR