Ela não abaixa o olhar.
Isso é, no mínimo… interessante.
A maioria das mulheres tremem quando entram nesta sala. Lívia não. Está com medo, claro, consigo ver isso pela tensão nos ombros, respiração contida, a forma como olha tudo ao redor e retorce as mãos no colo, mas ela não se entrega ao medo.
Ainda.
Observo cada detalhe enquanto ela finge coragem. O jeito como aperta os dedos. O maxilar rígido. A tentativa inútil de manter controle sobre algo que já perdeu.
Ela é minha agora.
E não gosto da forma como isso desperta algo dentro de mim. Ela é minha e apenas eu poderei tê-la.
Não era para desejá-la. Era para possuí-la. Há uma diferença. Uma que eu sempre respeitei.
— O quarto é no último andar — digo, mantendo a voz neutra. E ignorando o fato de que ela acabou de me dizer que talvez não cumprirá minhas ordens, mas isso ela pensa apenas dentro dessa cabecinha linda dela. Porque na vida real, isso nunca aconteceria, e se acontecer, terá consequências. — Minhas regras começam hoje.
Ela se levanta devagar. Vejo quando engole em seco, sua respiração que já estava pesada, fica muito mais difícil.
— E se eu quebrar alguma? — pergunta, sua voz treme, mas ela não abaixa a cabeça.
Dou um passo à frente. Um só. O suficiente para invadir seu espaço e sentir seu perfume doce.
— Não recomendo — respondo. — quebrar minhas regras e não seguir minhas ordens, podem te trazer consequências e você precisará lidar com elas.
Seus olhos se erguem para os meus. Grandes. Intensos. Não há súplica neles. Há fogo.
Meu corpo reage antes da minha razão.
Seguro seu queixo com dois dedos, firme, obrigando-a a me encarar. Não a beijo. Não ainda. Mas chego perto o bastante para sentir seu hálito, que me deixa com ainda mais vontade de provar sua pele.
— Você foi entregue a mim, Lívia — murmuro. — E tudo o que é meu… — Deslizo o polegar lentamente pela linha do seu maxilar. — Eu protejo. Eu controlo. E eu não devolvo. Eu não deixo escapar.
Solto-a de repente e me afasto.
Ela fica parada, olhos fechados e respiração rápida. Por alguns segundos parece que ela se esquece como se anda. Vejo seus punhos se fecharem e então ela abre os olhos. Me encara por apenas um segundo e depois olha ao redor, como se tivesse tentando entender onde está. Logo em seguida, caminha até a porta e sai sem olhar para trás.
Bom.
Ela precisa entender quem manda aqui.
Mas enquanto a observo sair, consigo ter uma certeza: essa mulher não será apenas um acordo.
Ela será meu maior risco.