Guarda-costas?

1000 Palavras
Alice Eu fiquei tão nervosa com o ataque inesperado do Carlos que não consegui me concentrar em mais nada. Eu precisava de um banho, pois o cheiro daquele nojento estava impregnado em meu corpo. Se eu ainda tinha dúvidas do que sentia por ele, agora estava tudo muito claro: eu tinha ódio e nojo daquele babaca. Deixei algumas instruções com os meninos e saí da Lan House e fui para casa tentar dormir e esquecer um pouco de tudo o que havia acontecido. Depois de algumas horas enfiada na minha cama, jogada como um trapo velho, percebi que não ia adiantar nada ficar me lamentando e deixar os meus planos para depois, por isso, decidi que iria passar na Lan House e ver como o meu projeto estava. Não sei bem o motivo, mas senti a necessidade de me arrumar, estava me sentindo um lixo humano e um pouco de autoestima não iria cair m*l. Quando cheguei ao lugar que se tornaria o projeto social dos meus sonhos, tive uma surpresa. O meu pai estava conversando com o Ronan e com o técnico gato que me salvou do Carlos e pela cara do meu pai, alguma coisa não estava bem. — Oi, pai. Não sabia que ia te encontrar aqui. —Entre, Alice. Quero falar com vocês em particular. Com certeza eu ia tomar uma bronca, mas dessa vez eu nem imaginava o motivo e nem porque o Ronan tinha que ir junto. Assim que chegamos ao porão, lugar onde há pouco eu quase fui... não gosto nem de lembrar, meu pai soltou o verbo. — O Carlos esteve aqui com você? O que vocês conversaram? — não tive tempo de responder e ele já soltou mais uma rajada de perguntas. — Por que está se humilhando para macho comprometido? O que você tem de errado? Uma garota tão bonita. E você, Ronan? Já falei para não deixar ninguém se aproximar da minha filha. — Pai, não viaja! — Interrompi aquela maluquice — Eu não estava correndo atrás do Carlos. Pelo jeito foi a mulher dele que foi atrás do senhor. Será que ela te contou que ele tentou ficar comigo à força? — Do que você está falando? — perguntou mostrando surpresa com a minha afirmação. — Pai, não quero confusão, mas nunca precisei mentir para o senhor. Se eu disse que estava quieta no meu canto e que foi o Carlos que veio atrás de mim, não tem motivo para o senhor desconfiar. — Eu não sei o que dizer, minha filha. Ele te machucou? Vou atrás dele agora mesmo. Nesse momento eu senti medo. Não queria que sangue fosse derramado por minha causa. Não mesmo. Por mais que eu não mentisse para o meu pai, iria ter que omitir a verdade por questão de sobrevivência. — Pai, por favor. Deixe que eu me resolvo com o Carlos. Ele apenas achou que eu queria voltar para ele e não faltou com o respeito. Fique tranquilo, não estava sozinha. O Ronan estava no bar e o técnico de informática estava por aqui. O meu pai ainda me olhou desconfiado e mandou chamar o Davi e o Raul. Assim que os meninos chegaram, abaixei os olhos e me senti mais constrangida do que nunca, pois além de ter passado por situações bem vergonhosas na frente do Davi, agora ele iria se tornar a minha babá. — Chamei vocês aqui porque a Alice vai passar um bom tempo por aqui. Quero que protejam ela com a vida de vocês e que em hipótese alguma deixem ela sozinha. — Mas pai! Eu sou uma mulher adulta já. Não precisa disso — tentei inutilmente reverter a situação, mas o meu pai estava resolvido. — Quando forem começar os trabalhos aqui, passem na minha casa e busquem a minha Alice, pelo menos um de vocês. Até eu ter a certeza do que realmente aconteceu aqui, não quero minha menina desprotegida. Sou capaz de começar uma guerra por causa dela. — Tudo bem, pai. Agora deixe os meninos trabalharem. Vamos para casa — disse tentando interromper aquela sabatina. — Eu vou, mas você pode ficar. Sei que quer acabar com isso. Fique tranquila que eu vou deixar vocês em paz por um tempo, mas estou sempre de olho. O meu pai saiu acompanhado do Ronan e eu abaixei a cabeça e fiz a única coisa que podia fazer. — Desculpa meninos. Não queria que vocês passassem por isso por minha culpa. Contratamos vocês para estruturarem a sede do meu projeto e não para serem meus babás. — Fique tranquila, não será incomodo algum — disse o Raul, mas o que o Davi falou é que me deixou sem ar por um instante. — Uma mulher não deveria pedir desculpas por sofrer uma violência. Por mais que a gente não tenha sido contratado para cuidar de você, acho que é o mínimo que um homem pode fazer, né? Eu fiquei meio sem graça, agradeci e tentei agir naturalmente, mas infelizmente os pensamentos de que o meu pai poderia estar fazendo uma besteira me atormentava e então eu disse que ia embora e me despedi. Precisava ir para o meu quarto, ficar na minha paz. Quando pisei para o lado de fora, me assustei com os dois homens que me esperavam. Por um momento eu pensei que aquilo que o meu pai falou seria da boca para fora, mas pelo jeito eu ia ter que andar igual a uma celebridade com seguranças à tiracolo. Eu morava perto do bar do Ronan, mas parecia que estava andando quilômetros. Eu estava morrendo de vergonha de ter aqueles homens ao meu lado, mas por um momento me senti grata pela ideia inconveniente do meu pai, pois o Carlos estava na esquina da minha casa e se eu estivesse sozinha iria ter que ficar sozinha com ele naquele beco escuro. Ele acenou para os meninos em forma de cumprimento e eu o ignorei passando direto, me apressando para entrar em casa.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR