Capítulo 6

1981 Palavras
Heloisa Nossos olhares ainda continuavam conectados um ao outro e eu pude ver Bernardo sorrir mali.ciosamente. Desviei o olhar, enquanto sentia o meu rosto pegar fogo com toda aquela situação, e enquanto tratava de me envolver na conversa que rolava na nossa mesa, não pude deixar de pensar que aqueles dois serem gays era uma pu.ta de uma perda para o time das mulheres. — Você ficou perto deles... Viu como são cheirosos? — Paula praticamente gemeu ao meu lado ao falar aquilo e eu precisava concordar com ela, mesmo que fosse silenciosamente. Cheirosos era pouco para descrevê-los... — Deus do céu, que desperdício... — Paula! — lhe dei uma cotovelada e a ca.dela da minha irmã teve a coragem de rir descaradamente. Meu rosto estava pegando fogo, pois embora ela soubesse disfarçar bem aquela sua risada escandalosa e as olhadas furtivas que ela dava, eu não conseguia deixar de lado a sensação de que aqueles dois sabiam que estávamos falando deles. — O que?! — mais uma olhada dela para eles e eu me segurei para não lhe dar um beliscão. — Pelo menos você teve sorte. Se você soubesse o tanto de mulher que se jogou para cima dos coitados querendo que eles lhe pagassem uma bebida... Os olhos dela miraram o copo intocado que eu até mesmo tinha esquecido que era meu. Rolei os olhos e peguei a minha batida de morango, levando o canudo a boca e saboreando o gosto docinho da fruta na ponta da minha língua. Aquilo estava realmente muito bom, e conforme eu fui bebendo, pude esquecer um pouco da frustração sentida antes e finalmente começar a aproveitar o forró. Eu sempre gostei de dançar, embora não fizesse muito isso na frente de pessoas, mas naquele momento culpei o álcool no meu sangue e me arrisquei um pouco no salão. E até que estava sendo bem divertido. O bom de ter vários primos é que eu nunca ficava parada. Sempre tinha um par de braços rodeando a minha cintura e me levando na pegada sensu.al da musica que estava sendo tocada naquele momento. E modéstia a parte eu até que estava dançando bem. Talvez Dani tivesse razão no final das contas. — Helô, quer dançar? — eu tinha um sorriso no meu rosto e Jean, outro primo meu, tinha acabado de se afastar depois de dançarmos uma musica um tanto quanto agitada, quando ouvi aquela voz que fez o meu sorriso morrer. Eu até queria dançar mais, afinal, a musica não tinha me cansado o suficiente, mas de jeito nenhum eu iria dançar com aquela pessoa. Automaticamente me afastei um passo de Henrique e me aproximei das pessoas que ficavam em pé próximo ao espaço aberto que deixavam no meio do salão para as pessoas dançar. O olhei medindo-o com uma cara que eu sabia que não era nada boa e que eu não conseguia disfarçar e apesar de querer responder algo que fosse feri-lo ao ter tamanha cara de p.au em se aproximar de mim, preferi manter a calma e respirar fundo. — Não. Obrigada. — pronta para encerrar aquilo, me virei prestes a sair de perto dele, quando senti seus dedos se fecharem no meu braço. Travei naquele momento quando uma lembrança um tanto quanto parecida invadiu o meu pensamento. Eu não entendia o quão abusivo ele era comigo quando namorávamos, porque eu achava que o amava. Mas agora, quando tudo o que eu sentia por ele era asco, pude finalmente perceber que Henrique sempre conseguiu me manipular facilmente quando queria e gostava de usar sua força as vezes para fazer valer a sua vontade. — Me solta. — Qual é, vai ser assim?! Por que não supera de uma vez? — Henrique me virou para ele, e eu preferi acreditar que o fato de eu não ter tido reação foi por conta da surpresa do seu ato repentino e não porque eu estava sentindo medo daquele ma.ldito. — Eu não... — Vamos dançar uma musica, vai? Vamos conversar. Eu quero me desculpar com... Naquele momento eu pude ver Gáb passando por nós e não sei o que me deu, então vou colocar a culpa na bebida mais uma vez para justificar eu ter o agarrado pela mão e o segurado próximo a nós. — Não posso. Já tenho um parceiro. — murmurei e olhei para Gabriel. E seja lá o que ele tenha visto em meu olhar – talvez um pânico mudo – acabou por fazer com que ele assentisse com a cabeça e confirmasse aquela pequena mentira. Não esperei por uma resposta de Henrique, simplesmente me virei para Gáb e nos afastamos um pouco em direção ao meio do salão. Procurei não olhar para Bernardo e pensar sobre o que ele estaria achando de tudo aquilo e no misto de sensações que eu estava sentindo naquele momento, fiz uma nota mental de não me esquecer de me desculpar com os dois por isso quando tivesse uma oportunidade. — Estou me sentindo um pouco usado. — a voz de Gabriel próximo ao meu ouvido me despertou para o mundo, mas mais do que isso, me causou um arrepio que eu sabia que não era certo sentir. Naquele momento eu quis correr e me amaldiçoei por não ter ficado em casa estudando. — Gáb, me desculpa. Eu... Eu juro que... — me calei quando ele riu e rolou os olhos, lançando em minha direção um daqueles sorrisos que eu já me atrevia a gostar. — Não ligo de ser usado por você. — engoli em seco ao ouvir aquilo e tentei não levar aquela frase num tom de segunda, terceiras, quartas ou quantas intenções ele quisesse. Mas não consegui evitar corar com as palavras que ele disse e lamentar o fato de que se ele não fosse gay, talvez eu tivesse uma chance de aproveitar um pouco aquele corpinho escultural e todas as maravilhas que ele podia me proporcionar. Um suspiro involuntário saiu dos meus lábios e eu desviei o olhar quando ele me encarou atentamente. — Está cansada? — Não. — murmurei baixo demais para ser ouvida, mas acredito que ele tenha me entendido. Ouvi um riso baixo vir dele e contrariando o que eu tinha dito, Gabriel parou de dançar e entrelaçou nossos dedos, começando a me puxar em direção ao balcão onde Bernardo continuava sentado. Po.rra, ele tinha mãos firmes mesmo. E eu começava a me amaldiçoar por perder a batalha contra a minha mente perver.tida... Gabriel Pu.ta mer.da, eu não podia acreditar que eu tinha dado uma dessas! No meio de tantas outras mulheres, eu tinha que ter me sentido atraído justo por um m****o da família que era amada praticamente por todos desse bairro? Bernardo e eu mesmo éramos amigos da maioria dos caras, que agora eu sabia serem primos da ruiva, e com toda a certeza eles quebrariam a minha cara e a de Bernardo – com toda a razão – se soubessem o teor dos meus pensamentos a respeito dela. Quando ouvi aquelas palavras saírem da boca de Dani, eu pude ver nos olhos de Bernardo que ele estava tão chocado quanto eu, e que assim como eu, ele sabia que a tal Helô era território proibido, por mais cheirosa e gostosa que fosse. Estava decidido. Não iriamos seguir em frente com a ideia que eu tive a principio e a trataríamos como tratávamos todas as outras mulheres a quem conhecíamos. Com todo o respeito e uma distancia saudável. Mas quando aquela mão pequenininha e macia se fechou na minha e quando aqueles olhos assustados se encontraram com os meus, me peguei assentindo e concordando com a desculpa que a garota usava para dispensar Henrique e o pior de tudo, me peguei dando em cima dela mais uma vez. Po.rra, era involuntário. Ela era exatamente o tipo de mulher que atraia a mim e a Bernardo. Sorriso bonito, coxas grossas e po.rra, eu só conseguia pensar no contraste que aquela pele branquinha teria quando ela estivesse na cama com Bernardo. Sem falar no cheiro daquela mulher... Pu.ta que pariu! Quando percebi já estava dando em cima dela e a levando comigo em direção a Bernardo novamente. Eu não conseguia pensar com aquele cheiro gostoso entrando pelas minhas narinas. Não conseguia raciocinar com todo o te.são que eu estava sentindo e definitivamente não conseguia mais me lembrar de como investir na pequena ruivinha de bochechas coradas poderia ser uma péssima ideia para nós dois. — Oi. De novo. — Bernardo acabou falando assim que chegamos próximos o suficiente e senti quando Helô soltou nossas mãos que ainda estavam entrelaçadas. — Oi. — qualquer um podia perceber o quão envergonhada ela estava, pois além da sua voz ter perdido o tom alegre, ela também procurava olhar para qualquer canto que não fosse nós dois. — Eu queria pedir desculpas. — começou olhando Bernardo, mas depois lançou seu olhar a mim também. — Aos dois. — completou. — Eu não quis te agarrar ali e te obrigar a dançar. Eu só... — Você me usou para fugir do i****a do Henrique. — completei por ela e vi seus olhos se arregalarem ao me ouvi. Antes que ela tivesse um ataque na minha frente dei risada para suavizar a minha fala e fazer perceber que eu não tinha levado aquilo para um lado r**m. — Está tudo bem, Helô. — Eu... — ela acabou olhando em direção a Bernardo como se estivesse esperando por algum ataque dele, e vi o meu namorado sorrir abertamente diante daquela reação. Então contaram sobre nós dois para ela? — Está tudo bem. Mesmo. — Bernardo sorriu em direção a ela e eu praticamente consegui ver a garota relaxar a minha frente. — Qualquer um podia ver que você estava desconfortável com ele... — Nem todos... — resmunguei ao me lembrar de que os primos dela não fizeram questão de ir ajuda-la. — O que aconteceu entre vocês? Não quero parecer rude, então se não quiser fa... — Não, tudo bem. Não tenho problema algum em falar sobre isso. — embora sua voz estivesse firme, eu podia ver que ela estava envergonhada. — Henrique não gostou quando eu não quis lhe dar algo, então me traiu com metade do bairro Esperança. Ela rolou os olhos e desviou o olhar, aproximando-se do balcão para chamar a atenção de Daniel e lhe pedir mais uma batida de morango. Eu não sabia se aquela era uma artimanha para evitar de nos olhar e mostrar que estava incomodada com aquele assunto, então preferi deixa-la quieta, enquanto trocava um olhar com Bernardo. Era engraçado como as coisas funcionavam. Nunca tínhamos a visto por aqui antes, mas já tínhamos escutado falar dela. Como não? Esse povo adorava uma fofoca. E não ajudava muito quando o idio.ta em questão ficava falando abertamente aos quatro cantos o quão inexperiente e frigida era a sua ex namorada, por isso ele tinha lhe dado um pé na bun.da. Eu já não gostava muito do ba.baca e naquele momento eu o odiei um pouco mais. — Sempre que precisar se salva de algum i****a, basta dar uma olhada para cá. Ou se só quiser dançar com um de nós. — para o meu espanto foi Bernardo quem disse aquilo. Bernardo, o meu namorado que não gostava nada de dançar. Eu não precisava ver a piscadela e o sorriso cheio de segundas intenções para saber que naquele momento Bernardo estava mandando a mer.da todas as preocupações que tínhamos a respeito de nos aproximarmos da queridinha dos gigantes do bairro Esperança. Assim como eu, ele também estava a fim de cruzar aquela linha e apesar de podermos nos envolver em um problema com um P gigante com a mocinha a nossa frente, estávamos dispostos a tentar se.duzi-la e lhe mostrar todo o pra.zer que podíamos lhe proporcionar, caso ela quisesse. De fato, um Pra.zer em Dose Dupla.
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