Milena narrando. Ele toma banho lá em cima e eu fico esperando o almoço, sentada na beira do sofá, encarando um ponto qualquer da sala sem realmente ver nada. Meus pensamentos estão completamente bagunçados, atropelando uns aos outros. A conversa com a Bruna volta inteira, frase por frase, como se estivesse presa em looping na minha cabeça. Ela foi direta, como sempre. Crua até. Disse que eu estou gostando dele. Não perguntou, não sugeriu. Afirmou. Com aquela segurança irritante de quem enxerga de fora o que a gente se recusa a admitir por dentro. Na hora, aquilo me deu vontade de rebater, de negar, de dizer que ela estava exagerando, como sempre faz. Chegou a me irritar de verdade. Mas agora… sozinha… o incômodo não é mais raiva. É dúvida. Porque talvez ela esteja certa. Talvez não

