A porta bateu atrás de mim com um barulho seco, tipo um tapa na cara, e o funk lá fora ficou abafado, como se o mundo tivesse sido cortado por uma faca. Meus olhos correram pelo lugar, procurando uma brecha, uma janela, qualquer droga de saída. Mas só vi ele. Leandro. O dono do morro. Sentado num sofá de couro preto, pernas escancaradas, copo de uísque na mão, me olhando como se eu fosse um prato que ele tava louco pra devorar. Eu sabia quem ele era. Sempre soube. Desde os tempos da escola, quando ele me encarava com aqueles olhos de tarado, mandando bilhete i*****l, falando merda tipo “tu vai ser minha, Brenda”. Eu evitava aquele filho da p**a como quem foge de cobra. No morro, ele era o rei. Mandava no tráfico, nas bocas, nas vidas. E eu, que já não tinha p***a nenhuma, fazia de tudo pr

