Alice Narrando Eu já não conseguia mais controlar o choro dentro do carro. O peito parecia que ia rasgar, a respiração curta, a garganta travada. Que ódio desse infeliz, como ele ainda tinha poder sobre mim depois de tantos anos? Fechei os olhos e vieram as lembranças, como um filme passando sem parar. Eu lá na frente do barraco, tomando aquele suquinho de caixinha quente, quando ele chegou com aquele sorriso safädo e puxou assunto comigo. Depois, o jeito como ele me pediu em casamento, cheio de promessas que nunca se cumpriram. E, por fim, aquela maldita vez em que ele pediu um tempo. um tempo que nunca acabou, nunca teve explicação, só silêncio. As lágrimas caíam sem freio, quando de repente vi Fábio e Davi chegando correndo em minha direção. — Mamãe! O que aconteceu? — Davi me abraç

