Capítulo 1 - A proposta

1042 Palavras
Harper Price Eu me sinto mais conectada aos meus amigos da escola do que aos meus pais, e não digo isso apenas por ser uma alma revoltada no mundo, que não se encaixa em lugar nenhum e nem tenta. Mas saber que uma viagem de negócios é mais importante para os meus pais do que eu, contribui muito para essa sensação, na maior parte das vezes eu prefiro ficar sozinha, porém isso não significa que eu queria me sentir sozinha. Atualmente, eu estou morando no quintal da minha tia, o seu antigo galpão que foi reformado e agora é meu loft, um lugar solitário, contudo posso ser eu mesma por aqui. Faz quatro meses que eles se mudaram para a Rússia por causa de um contrato industrial, eu achava uma péssima ideia me mudar de país no último ano escolar, com pais que não se importam minimamente com a minha existência e com a minha pouca capacidade de interagir. Tenho as mesmas duas amigas desde a infância, frequento os mesmos lugares a vida toda, não era uma opção para mim, deixar tudo isso para trás, talvez aconteça uma hora ou outra já que eu estou indo para a faculdade ano que vem, mas agora não era o meu momento. Não é de todo r**m, eu moro praticamente sozinha e qualquer coisa que eu precise minha tia está a poucos passos de distância, e meu primo também, mesmo que Nathaniel não seja muito prestativo. Nas primeiras semanas eu até tentei ficar na casa da tia Gisela, só que a vida agitada do meu primo se tornou um grande incômodo, eu não suportava todas aquelas meninas entrando e saindo, as risadinhas e gemidos exageradamente altos, a casa é dele e ele faz o que quiser, portanto eu preferi me retirar. Tem dado tudo certo, meus pais me mandam dinheiro mais do que suficiente, eu vivo tranquila e confortável, então porque essa sensação insistente de vazio? Remexi a colher no pote de sorvete de creme, olhando para a TV que passava O Espetacular Homem Aranha 2, nem mesmo a carinha linda do Andrew Garfield conseguiu prender minha atenção de tão alheia que estou hoje. Suspirei frustrada e coloquei uma colherada de sorvete na boca, o que tem de errado comigo? Eu nem tenho do que reclamar! Em meio a minha confusão mental, houve duas batidas na porta, primeiro pensei ter ouvido alguma coisa, então esperei para ter certeza, e mais algumas batidas firmes vieram. Deve ser o Nate, a mãe dele saiu para um chá com as amigas e ele não sabe onde está o próprio nariz, é admirável que ele tenha demorado tanto para pedir algo. Me levantei e corri até a porta, só que quando abri, para minha eterna surpresa não era meu primo à minha frente. Tristan Reid está na minha porta com um sorriso insolente e ladino, se eu não estivesse tão confusa bateria a porta na cara dele. Só pode ser alguma piada, o que esse i****a está fazendo aqui? Deus, de todas as coisas que acho mais insuportáveis no mundo, Tristan é uma delas, me lembro bem de como no jardim de infância ele parecia um anjo com os cabelos loiros e olhos azuis, mas quando viravam as costas ele jogava areia no meu cabelo e amarrava meu cadarço na cadeira. O ódio foi crescente a cada dia que passava, por algum motivo ele fazia questão de me irritar, era um doce com todos a sua volta menos comigo, nunca entendi seu conceito de seleção e também não faço questão, quanto mais longe de mim ele estiver, mais tempo de vida terá. Na adolescência ele ficou ainda mais babaca, porque ele passou a ter tudo e todos na palma da mão, ele consegue me irritar só de respirar perto de mim. — É nessa hora que você me xinga ou pergunta o que eu tô fazendo aqui, não é? — ele quebra o silêncio. — Não tô nem aí para o que você veio fazer aqui, cai fora Tristan — eu fiz menção de fechar a porta na cara dele, mas o infeliz foi mais rápido em impedir e entrar dentro da minha casa. Ele praticamente implora para que eu o odeie. — Vamos pular essa parte por favor — ele junta as mãos como se fizesse uma prece — Preciso muito falar com você. — E eu preciso muito que você saia da minha casa — rosnei. O i*****l não se incomodou com meu tom de voz amargo, ele simplesmente sentou no meu sofá e roubou meu sorvete para si, apertei as mãos em punhos. — Como eu ia dizendo, preciso falar com você — seus olhos azuis se tornaram sérios — Por que não se senta? Tenho uma proposta para te fazer. — Uma proposta? — perguntei com desdém. — Meus pais não estão gostando da imagem que eu tenho passado a todos ultimamente, e estão pensando em um colégio interno — começou a falar. Não consigo pensar em nenhum único motivo para que eu me importe com isso, mas cruzei os braços e provoquei. — Eles ainda estão lúcidos então — recebi um olhar mortal. — Num momento de desespero, eu disse que estava tentando melhorar porque tinha arranjado uma namorada, o problema é que eles quiseram nomes, o único nome confiável que veio a minha mente foi o seu, agora meus pais pensam que eu estou namorando você. Meu queixo caiu, inacreditável, ele tem sorte de ter um sofá separando nós dois ou levaria um soco no olho. — Olha Harper, sei que você não é minha maior fã... — Ah, nisso você tem toda razão. — Mas eu estou realmente desesperado, aqui vai a proposta: estou disposto a fazer o que você quiser se fingir ser minha namorada e me ajudar com a imagem de garoto bonzinho. Eu comecei a gargalhar, tanto, mas tanto que minha barriga doeu, e assim que consegui parar de rir por um minuto eu lhe dei cinco segundos para desaparecer da minha frente. Repassei as palavras dele até a hora que fui me deitar, não consegui parar de rir. Eu namorando Tristan Reid? Nunca. [.........] Nota da Autora: Me sigam no i********: para conhecer mais sobre a história @rbwqueen
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