I – O MUNDO DE JÚLIA VIROU DE PERNAS PARA O AR

1409 Palavras
DOIS ANOS ANTES Lívia e Rodrigo já estavam tendo um caso a alguns meses. Eles se conheceram na academia onde Rodrigo era personal training. Marcelo, o marido de Lívia e pai de Júlia, desconfiava que poderia estar sendo traído, e resolveu monitorar a esposa. O homem que Marcelo havia contratado para seguir sua esposa ligou, avisando que ela havia entrado no prédio que eles moravam, e que alguns minutos depois o personal dela entrou no prédio. Marcelo que não estava tão distante do Leblon, foi em direção ao seu prédio. Chegando lá, subiu o elevador com suas pernas meio bambas, foi em direção a porta, abriu bem devagar com sua chave para não fazer barulho, foi em direção ao seu quarto, e quando chegou lá, Lívia estava fazendo S&xo com o seu personal na cama deles. Marcelo abriu a porta do quarto com tudo, pegando os dois no fragra e eles levaram um susto. — Sua Vag@b***a — Marcelo gritou alterado. — Como você tem coragem de fazer isso comigo depois de todos esses anos? — Você acha que eu iria me contentar com um velho até quando? — Lívia respondeu usando todo seu sarcasmo. — Um velho que te tirou da sarjeta sua v@dia de m&rda — Marcelo ainda alterado retrucou folgando o nó da sua gravata. — Só para isso que você serviu, para me dar boa vida — Lívia falou se levantando da cama, para cuspir de mais perto seus desaforos para Marcelo. — Por isso engravidei, eu precisava garantir meu futuro, mas para não ficar tão entediada de ter que dar para um velho, dei algumas escapadas. — Meu Deus, a Júlia... A minha filha foi a única coisa boa que veio de você, sua desgraçad@ — Marcelo já estava sem cor, sentindo um formigamento forte e com sua voz embargando. Marcelo que desde que estava no elevador já vinha sentido uma dor no braço, e uma dormência no lábio, a essa altura já sentia uma dor sufocante em seu peito, e acabou caindo no chão em.agonia, morrendo ali na frente da sua esposa traidora, de um infarto fulminante. Lívia e Rodrigo se olharam e m*l podiam acreditar no que para eles havia sido uma grande sorte. Rodrigo tocou na lateral do pescoço de Marcelo, constatando que não tinha pulso, e que o homem estava morto. — Pega suas coisas e vai embora que eu vou ligar para a emergência — Lívia ordenou prestes a iniciar uma encenação digna do Oscar. Rodrigo acatou e saiu do apartamento. Logo após a saída do amante, Livia ligou para a emergência, pois tinha que fazer parecer que estava abalada, e tentando salvar a vida do seu marido. — Samu 192, em que posso ajudar? — Por favor, meu marido passou m*l, e está caído no chão — Livia gritou aos prantos, mantendo o personagem. — Senhora, por favor fique calma. Me passe seu endereço, que a ambulância vai até sua residência. Lívia passou a localização e alguns minutos depois a ambulância do samu chegou constatando o óbito do paciente. Minutos depois, Júlia chegou da escola com sua amiga Laura e viu uma movimentação de pessoas e uma ambulância na frente do seu prédio. Júlia se aproximou, e viu dois socorristas do samu levando uma maca, com um corpo em cima, dentro se um saco preto com zíper. Logo em seguida ela viu sua mãe vindo de seu apartamento com um semblante de choro, sendo amparada por uma das vizinhas do seu prédio. — Mãe, cadê meu pai? — Júlia perguntou em uma voz angustiada. — Ah, minha filha... Eu não sei como te dizer isso... Mas seu pai teve um infarto fulminante e não resistiu — Lívia contou limpando suas lágrimas e indo abraçar sua filha. — O que? Meu pai NÃOOOOO — Júlia gritava sentido uma dor sufocante. Até então apesar do pai de Júlia ser bem mais velho que a mãe dela, ele se cuidava e era bem saudável. A garota nunca tinha imaginado perder seu pai tão cedo e tão de repente. A perícia comprovou o infarto fulminante, e foi feito o velório e enterro de Marcelo. Júlia por sua vez estava inconsolável, ela havia acabado de perder a pessoa que ela mais amava e a que mais a amava no mundo. Laura ficou o tempo inteiro do lado da amiga, sem desgrudar dela. Já Lívia não conseguiu manter seu personagem por tanto tempo e já não parecia está tão triste assim, e o seu "personal training", teve a cara de p*u de aparecer no velório para prestar suas condolências. Como Júlia não fazia ideia do que tinha acontecido, não se opôs a presença do rapaz, mas com o passar das horas estranhou o fato de Lívia e Rodrigo não pararem de conversar. *** Os dias foram se passando e em menos de um mês depois da morte de Marcelo, Lívia apareceu em em casa com Rodrigo e algumas malas. Júlia, que estava na mesa tomando seu café da manhã estranhou. — O que ele faz aqui? — a garota perguntou ao vê as malas do rapaz. — Ele vai morar aqui conosco — Lívia respondeu sem mais explicações. — Como assim, morar aqui? — Júlia perguntou se levantando, nitidamente incomodada com a novidade. — Nós estamos juntos — dessa vez foi Rodrigo quem respondeu, dando uma piscadinha para a garota. — Desde quando? Mãe, isso é verdade? — Júlia perguntava incrédula. — Mãe, nós acabamos de enterrar o meu pai. — O que você quer que eu faça? Quer que eu me enterre junto com seu pai? — Livia perguntou mais fria do que uma placa de gelo. — E outra coisa, para de me chamar de mãe, porque você sabe que eu não gosto, me faz parecer mais velha — a mulher falou com um certo deboche. Júlia percebendo que seria inútil tentar qualquer tipo de conversa, foi para o seu quarto e chorou de soluçar pelo seu pai, e por não conseguir impedir que sua mãe colocasse outro homem na casa que era dele. Depois que se acalmou, Júlia começou a pensar: "Como assim estão juntos em menos de um mês que meu pai morreu? Será que eles já estão juntos a mais tempo? Será que meu pai sabia? Como ela pode não respeitar a memória do meu pai?" Eram muitas perguntas que até então ficariam sem respostas. Os dias foram se passando e a relação de Júlia com Lívia que já não era das melhores, só piorava. Júlia começou a evitar ficar sozinha com Rodrigo em casa, visto que o rapaz não perdia uma oportunidade de seca-la, e tentar jogar seu "charme" para a garota. Júlia tinha nojo do rapaz e vontade de cuspir em sua cara, mas preferia fugir dele como o d***o foge da cruz para não piorar ainda mais a sua relação com sua mãe. *** Júlia até conseguiu se distanciar por um tempo, até que um dia, o assédio se tornou mais sério. Rodrigo esperou que Júlia saisse do seu quarto, e assim que ela abriu a porta, ele tentou toca-la, para beijá-la a força, a encurralando na parede. — O que você pensa que está fazendo? Esta louco — Júlia gritou o empurrando. — Qual é Julinha? Eu tenho certeza que você vai gostar — Rodrigo falou a agarrando por trás pela cintura. — Tire suas mãos de mim, seu desgrac@do — Júlia gritou conseguindo se soltar, após Rodrigo escutar o barulho da maçaneta da porta de entrada. O assédio foi interrompido com a chegada de Lívia na casa. Júlia estava com tanto ódio que não conseguiu se segurar e contou tudo para sua mãe. — Mãe, esse cara que você trouxe para nossa casa, estava tentando me agarrar antes de você... — Júlia gritava alterada, mas antes que concluísse sua fala, foi surpreendida pela reação de Lívia. Lívia recebeu a informação dando um tapa bem forte no rosto de Júlia, que desequilibrou e caiu. — Para de inventar história, garota — Lívia falou transparecendo todo o ódio em seus olhos. — Eu sei que isso tudo é só porque você não se conforma que tem outro homem no lugar do seu pai. E para de me chamar de mãe, senão te dou outro tapa desses. Júlia ainda em choque, não esboçou mais nenhuma reação. Ela sabia que para continuar convivendo na mesma casa, não adiantava ela contar nada em relação ao Rodrigo para sua mãe.
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