Mesmo estando claramente chateado com as preferências de meu pai tentei ser ao máximo positivo, e assim sigo escondido por entre os caminhos atrás de nossa residência, ansioso pelas danças m*l conseguia conter minha alegria e empolgação, estava saltitante, pulava e me escondia atrás dos arbustos e algumas pequenas arvores que por ali se encontravam, pensando em quem sabe o fato de alguém estar atrás de mim, coisa que nunca acontecia.
Porém neste dia tive uma triste surpresa, ao chegar no salão o encontrei vazio, tamanha minha decepção que m*l conseguia conter a vontade imensa de me desabar em lagrimas, parecia que hoje nada estava dando certo.
(Aonde elas folam? Po que não estão mais aqui? Isso não é justo! Não quelo ter que voltar pala lá).
Me jogo no chão irritado, estava tão aborrecido comigo mesmo e com tudo ao meu redor que já não me importava mais em ser visto, na verdade até mesmo o desejava, queria gritar e chutar tudo o que estava ao meu alcance, fazendo uma verdadeira algazarra a qual tanto meu pai repreendia.
- Po que todo mundo me odeia tanto? Eu não quelo mais ficar sozinho, detesto isto... - Digo enquanto fungo em meio as pequenas lagrimas de angustia que desciam vagarosamente pelo meu rosto.
Durante este meu momento de fraqueza sem querer ao olhar novamente para o salão noto a presença de um coelho branco o qual me observava calmamente, o pequeno animal felpudo atiçava minha atenção, achei que se o pegasse a dor que sentia iria embora, queria o tê-lo como amigo, segura-lo bem forte para o mesmo não fugir, não queria mais estar sozinho. Seguindo meus pensamentos me levanto e subo os baixos degraus do salão assim adentrando nele; visivelmente assustado o pequenino saltita para longe de mim o que me fez franzir o cenho, queria alcança-lo, mas simplesmente não conseguia, ele era livre, porém eu não, e assim foi embora me deixando novamente só.
Sem muito mais o que fazer decido ser forte e engolir o choro, agora notando mais profundamente os detalhes daquele espaço tão importante para mim, era simplesmente deslumbrante, um alento para minha mente transtornada, o piso fino de madeira enseirado, as longas cortinas roxas com pequenos detalhes em dourado que ficavam penduradas próximas as janelas, e pôr fim mais não menos importante, pelos cantos ficavam os armários, grandes e brilhantes feitos igualmente de madeira deixando a sua frente em exibição diversos artefatos, os quais eram utilizados em suas danças. Tudo o que me foi apresentado naquele momento fez a chama de esperança brilhar ainda mais forte em meu peito, meus olhos rosados se abriram mais do que o normal e acompanhado deles meus lábios se ergueram em um pequeno sorriso.
Era empolgante! Pude tocar pela primeira vez naqueles adereços, os leques eram bem mais pesados do que eu pensava, quase deixei um deles cair durante o pouco tempo que tentei imitar minha mãe, mas apesar do pequeno susto não parei de explorar. Porém quando estava finalmente alcançando um dos tecidos acima de minha cabeça ouço o som ligeiro do bater de saltos, alguém estava vindo.
Guardo o mais rápido que pude tudo o que peguei e em seguida corro para perto de uma daquelas grandes cortinas, a qual estava amarrada.
(Ai tomala que ninguém me veja aqui, se não vou levar bronca).
Desamarro uma delas me escondendo atrás da mesma, e para o meu alivio foi bem a tempo, pois em seguida o som se intensificou, alguém havia entrado.
- Essas senhoras ricas são realmente todas iguais, a família Huā não é nada parecida com o que falam lá fora. O senhor Wang dorme com diferentes mulheres todas as noites e os filhos dele não passam de pirralhos irritantes. - Bufa ao falar, indignada.
- Que coisa Titie, não deve falar tão m*l assim de quem lhe dá emprego. - Soa preocupada e um tanto nervosa. - Mas é verdade. - Diz Titie.
- Mesmo que seja a certas coisas as quais não se deve falar ainda mais aqui, na própria casa dos benditos. - Faz uma pausa enquanto suspira olhando para ela. - Alias a casos em que essas “mulheres” as quais o senhor dorme que elas se dão muito bem, não vê por exemplo o caso da Mujier? O filho dela é o segundo herdeiro de toda essa terra a qual você pisa.
- Técnicamente é a Kirie, e além disso duvido muito que um mero filho de uma concubina chegue a este patamar, já que é apenas um filho bastardo. - Fala com a maior tranquilidade do mundo enquanto desfila de maneira debochada pelo salão.
Titie era uma garota jovem e descontraída, fazia poucas semanas desde sua chegada no Palacio, e de forma alguma tolerava a maneira abusiva a qual seus senhores agiam para com suas servas.
- Bem você é que sabe mocinha, vou indo para o setor do lado e se quer um conselho? Se eu fosse você ficaria com a boquinha bem fechada. - Deixa quarto com um ar um tanto arrogante.
Porém isto de nada afetou titie que prossegue fazendo o seu trabalho pacientemente enquanto cantarola algumas melodias desconhecidas por mim.
(Essa senhola é engraçada)
Rio baixinho enquanto a espio rebolar tirando o pó de um dos armários.
Não sabia ao certo o motivo mais observa-la era tão divertido que eu não e aguentava, tinha vontade de sair correndo para dançar suas músicas estranhas junto com ela, ao mesmo tempo que queria puxar sua orelha por derrubar um dos leques os quais dei tão duro para proteger.
- Ai caramba... Tomara que não tenha quebrado. - Se abaixa o recolhendo, mas durante este ato por um descuido meu acabo saindo de trás da cortina. Neste momento ela se levanta surpresa quase derrubando o leque novamente. - Ei! Menininha você não deveria estar aqui.
Me escondo novamente atrás da cortina rezando para magicamente desaparecer dali. Mas obviamente isto não aconteceu, e ela me achou.
- Aaah! - Grito tentando escapar de suas mãos, mas ela era grande demais.
- Sabe que dia é hoje?
Olho para ela sem entender sua pergunta enquanto que mesma me segurava pelo braço.
- Han han – Respondo em negativa ao mesmo tempo que a encaro com meus olhos marejados.
- Não acredito que se esqueceu da festa? Aonde estava!? Ai pelos deuses, sua mãe vai me matar. O que eu faço? - Põe uma de suas mãos na cabeça pensativa.
- Mamãe? - olho para sua face choroso.
- É mamãe, agora vamos, não temos um segundo sequer. - Me puxa pelo salão.
[...]
Titie corria enquanto quase me arrastava sem sequer escutar minhas reclamações insistentes pedindo para que a mesma parece, porém ao atravessar alguns corredores acabe dando de cara com um outro mundo, cheio de cores e aromas diferentes, a segunda parte da casa, e o melhor haviam várias mulheres naquela parte, todas muito bonitas e bem arrumadas, certamente se preparando para a tal festa; Titie também não era feia, porém por conta das marcas de calos, e olheiras provocadas por possíveis noites m*l dormidas, sua beleza permanecia-se trancafiada, ainda não descoberta.
Não demorou muito para entrarmos em um cômodo, este repleto de utensílios de beleza, e cores vibrantes o que de imediato me agradou.
- Olhe Shūnǚ! Uma das meninas ainda não está pronta, além disso veja só estas vestes, estão que é puro trapo e sujeira, aonde será que essa garota passou? - Levanta-me pelo braço enquanto fala incrédula, ao mesmo tempo que eu me pergunto se eu estava assim tão r**m.
- Hahaha - Ri de sua cara-, crianças são assim mesmo deixe ela aqui e continue a fazer seu trabalho, não quer ser chamada a atenção, ou quer? - Arregala um de seus olhos para ela.
- Está bem senhora, tenho que fazer o meu trabalho se não, não conseguirei levar comida para casa este mês. - Me olha um tanto preocupada antes de sair.
- Não se preocupe, eu entendo perfeitamente. Agora vá menina.
E assim ela se retira me deixando sozinho com aquela estranha senhora.
- Menininho você não deveria ter enganado a pobre Titie ela ainda é nova aqui na casa e não sabe das maldades que fazem com você, olhe só essas roupas, realmente trapos, mas não se preocupe vou dar um banho em você e deixa-lo limpinho. - Aperta uma de minhas bochechas.
- Vovó, aonde estamos?
Ela me pega em seu colo e em seguida acaricia minhas costas, eu gostava muito deste toque, na verdade nem sequer conseguia me lembrar dá última vez que alguém fez um gesto similar.
- Estamos na parte proibida da casa, e como menino você não deveria estar aqui.
- E po que? Não gostam de meninos?
- Seu pai proíbe, porém você é muito novinho para entender.
Me põe em cima de uma mesa, e assim cuidadosamente retira as minhas roupas.
- Vovó me responde então outra coisa?
- Claro meu amor, pode falar.
- Sabe que tipo de dança é aquela que a mamãe faz?
Ela sorri com minha pergunta.
- É uma dança tradicional feita durante muitos anos em sua família, a dança do desabrochar da flor de Saumi.
- Eu quelia dançar a dança da flor com elas, acho tão bonito e malavilhoso mas a mamãe não gosta de mim, nem o papai... Por isto sempre estou sozinho. - Abaixo minha cabeça entristecido.
- Pessoas com muito poder normalmente acham que as pessoas são objetos que podem ser descartados, mas acredito que eles ainda sintam algo por você pequeno. - Passa a mão em minha cabeça - Sim eu tenho certeza que eles ainda te amam, mesmo que um pouco.
Eu sorrio mesmo que no fundo soubesse que ela estava mentindo, mas ainda assim eu era uma criança, uma inocente criança em busca de afeto e aceitação.
Shūnǚ preparou-me para o banho, me limpou e tratou de alguns de meus hematomas e feridas enquanto que mantinha constantemente um sorriso no rosto, por fim secou-me e me arrumou. Minhas novas vestes eram coloridas em tons de vermelho, rosa e amarelo, eram divertidas e eu não parava de rodopiar com elas.
- Fique quietinho para eu terminar de arrumar você. - Me senta em uma grande cadeira frente ao espelho.
- Tá! - a obedeço animado.
- Seus cabelos estão tão macios, você tem que dar muito valor a eles pois são um presente divino que deve ser cuidado, e tratado com muito carinho pequenino, então não importa o que digam não deixe de cuidar dele. - Diz ao tocar meus cabelos.
- Não são estranhos? - Olho para eles diante ao espelho – Chang e o papai sempre dizem isto, mas eu gosto deles pois são parecidos com os dá mamãe.
Ela sorri ao escutar isto.
- Acha que um dia eu vou crescer e ficar igual a ela?
- Com certeza minha criança, você vai ser uma grande flor, a mais bonita e bela de toda a família. - Faz dois coques em meu cabelo por fim passando a fita, a qual utiliza para fazer um laço. - Agora volte para o seu pai e aguarde o início das festividades, muitas pessoas importantes viram aqui hoje inclusive o próprio imperador; dizem que seu filho irá se casar com uma de suas irmãs, é uma grande proposta, seu pai deve estar contente. - Ela suspira - Não seria incrível ser irmão dá nova imperatriz?
- O que é imperador? - Pergunto confuso.
A senhora ri escandalosamente e em seguida diz com um olhar terno:
- Quando você souber será tarde demais meu pequeno botão, pois será grande o suficiente para entender as maldades e segredos escondidos pelo mundo, por que nem o mais rico dos ricos, ou mais nobre dos nobres é totalmente feliz, ou tem uma via plena. Por enquanto siga sua inocência e seu coração antes que as pessoas lhe tirem isto também.
Após a longa conversa que tivemos a deixei, saindo em meio aquele estranho distrito em busca de voltar a residência principal; ainda estava cheio de perguntas, porém não as conseguia formular. O que de fato eu queria? Ou buscava.
Quanto mais andava em meio aos extensos corredores mais admirado ficava com a beleza daquele lugar, salas cheias de tecidos e joias brilhantes faziam meus olhos se encherem de brilho; queria entrar naquele novo mundo recheado de luxúria.
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Depois de um tempo consegui retornar ao salão de onde parti em direção a minha casa, estava tão feliz, queria mostrar ao meu pai o quanto antes meu novo penteado, enquanto que ainda pensava sobre minha mais recente descoberta.