Apesar de saber, lá no fundo, que agi m*l com Inês, não consigo me forçar a tratá-la bem ou de um jeito diferente. É como se algo dentro de mim estivesse trancado, incapaz de mudar, mesmo diante da frieza com que ela se afastou de mim. Quando ela deixou aqueles papéis do divórcio em cima da mesa e disse, com a voz firme, que não queria nada que era meu, senti um aperto profundo, algo entre o orgulho ferido e a culpa esmagadora. Não houve gritos nem acusações; só aquele silêncio que diz tudo e ao mesmo tempo nada. Desde então, sua ausência ecoa nos cômodos da casa e no vazio das minhas próprias escolhas. Aquilo me forçou a pensar – pensar demais – sobre como tenho agido nesses últimos três anos. Cada atitude, cada palavra não dita, cada momento desperdiçado. E quanto mais penso, mais perce

