Sai da sala do delegado como se estivesse perdido em um labirinto sem saída. O ar parecia rarefeito, os sons ao meu redor abafados, como se o mundo estivesse preso em um pesadelo que eu não conseguia acordar. O medo corria em minhas veias, frio como gelo. O vídeo ainda rodava na minha mente, uma cena impossível de apagar. Nancy... A doce Nancy, que um dia defendi com unhas e dentes, que protegi como se fosse meu próprio sangue. A mulher que coloquei em um pedestal mais alto do que minha própria esposa... Ela tinha me enganado. Mentiu para mim, na minha frente, sem sequer vacilar. As palavras que um dia gritei para Inês agora queimavam minha garganta. As acusações que fiz, as mágoas que semeei... Como fui tão cego? ― Como fui tão bobo e ingênuo? ― murmurei para mim mesmo, minha voz um sus

