Inês Narrando Acordei exausta, como se o peso do mundo tivesse se derramado sobre mim, esmagando minha alma até me tornar uma sombra de mim mesma. Senti os ossos doerem, como se um caminhão tivesse passado por cima de mim, deixando cicatrizes invisíveis, mas profundas. O reflexo no espelho me encarava de volta, uma versão cansada e quebrada de mim, mas ainda com uma necessidade urgente de seguir em frente. Fui até o banheiro, me arrastando de uma obrigação silenciosa, e fiz minha higiene pessoal com uma precisão mecânica, como se o simples ato de limpar o corpo pudesse, de alguma forma, limpar o turbilhão em minha mente. Quando abri o guarda-roupa, o olhar passou rapidamente pelas peças e parou na camisa social verde escura, uma cor sóbria que, de algum modo, me parecia adequada para o

