A única coisa que Amélie conseguia sentir pelo marido era medo e nojo, ela tinha nojo do cheiro dele, do toque, até mesmo da voz, a ômega não suportava aquele homem. Depois que tudo acabou e assim que o marido terminou de se satisfazer com seu corpo e a soltou, Amélie forçou um sorriso em sua direção e subiu até o banheiro colocando todo o café, que tinha acabado de tomar, para fora, estava com nojo pelo o que aconteceu, nojo de si, nojo do marido, nojo da vida que levava ao lado dele.
Ela se sentia tão angustiada e aflita que preferia fingir que estava dormente naqueles momentos, caso contrário aqueles sentimentos iriam lhe consumir. As vezes ela queria estar dormente em todos os sentidos, assim talvez não sentisse aquilo, quanto mais esfregava seu corpo em baixo do chuveiro mais sujo se sentia ao lembrar das mãos do alfa lhe tocando sem sua permissão, seu peito queimava em desespero e seus olhos ardiam pelas inúmeras lágrimas que já havia derramado só naquela manhã.
Mais tarde, depois de tirar um tempo para maquiar os roxos espalhados por seu corpo esguio, Amélie saiu para trabalhar deixando o marido assistindo televisão e o almoço pronto na cozinha, ela sabia que mais tarde quando voltasse sua cama estaria cheirando a próxima prostituta que ele levaria até lá, porém rezava para que quem quer que fosse o deixasse cansado o suficiente para que sequer olhasse para si.
A ômega trabalhava em um hotel, ela arrumava os quartos, levava o serviço de quarto quando solicitado e qualquer outra coisa que os hóspedes quisessem, foi o único emprego que conseguiu, afinal assim que se casou o marido lhe aconselhou a largar a faculdade, Jackson disse que eles tinham que se estabelecer primeiro e depois que isso acontecesse ela poderia retomar o curso de medicina que tanto gostava, mas essa estabilidade nunca veio e Amélie conseguiu aquele emprego para sustentar o marido aposentado e sem vergonha que tinha em casa.
-Boa tarde-Amélie cumprimentou o porteiro assim que chegou.
-Chegou cedo hoje Meli-Nicolas, o beta que trabalhava como porteiro no hotel, falou a chamando pelo apelido carinhoso que o mesmo costumava usar consigo.
-Não tinha muito o que fazer lá em casa então resolvi vir logo-A ômega mentiu sorrindo forçadamente.
-Sei-Às vezes Nicolas pensava se Amélie realmente acreditava que ninguém percebia o que acontecia com ela em casa.
A primeira vez que Nicolas colocou os olhos nela logo a achou uma mulher bonita, mas que tinha um olhar tão triste que era digno de pena e essa tristeza lhe foi esclarecida no dia que seu marido foi pegá-la no trabalho pela primeira vez exigindo que a ômega lhe desse mais dinheiro e praticamente gritando para quem quisesse ouvir que a mulher era uma inútil e que deveria se colocar em seu devido lugar ao invés de tentar debater.
Amélie entrou na área de serviço do hotel vendo os outros funcionários ali, estes que logo lhe cumprimentaram, a ômega vestiu seu uniforme e logo foi abastecer seu carrinho de limpeza para iniciar o trabalho, a Monteiro usou o elevador de serviço e seguiu até o andar que o chefe dos funcionários havia lhe designado, assim que as portas do elevador se abriram e ela saiu da caixa metálica viu dois homens parados no corredor dos quartos, "dois alfas", ela pensou assim que sentiu o feromônio forte de ambos, que pareciam discutir.
A Monteiro caminhou pelo corredor arrastando seu carrinho e chamando a atenção dos dois que se calaram esperando que Amélie saísse para continuar a conversa. Porém, assim que passou pelos alfas, a ômega não pôde deixar de se sentir atraído pelo cheiro forte de sândalo que um deles exalava, um cheiro tão bom, tão convidativo que a lúpus não conseguiu se impedir de olhar na direção deles de relance logo se arrependendo ao ver o olhos do mais alto entre os dois faiscarem em vermelho.
Amélie logo pensou que tinha irritado o alfa por estar sendo tão inconveniente e atrapalhando a sua conversa então tratou de apressar os passos dobrando em outro corredor e entrando em um dos quartos que precisava ser preparado para o check-in de um hóspede que chegaria mais tarde. Entretanto, o pequeno ômega não conseguiu ignorar a agitação de sua loba juntamente com a imagem dos olhos grandes e vermelhos do alfa que insistiam em voltar a sua mente, pelo pouco que reparou pode ver que ele era lindo e isso deixava a ômega inquieto, pois não sabia o que estava sentindo só sabia que adoraria sentir o cheiro de sândalo do desconhecido novamente.