Capítulo 2 — Presas e Garras
O silêncio entre eles era mais perigoso do que qualquer ataque.
A lua de sangue pulsava acima, pesada, carregada de poder antigo. Aren não desviava o olhar de Lilith — e isso, para ela, era quase um desafio íntimo.
— Você sente — disse ela, dando um passo lento ao redor dele. — O pacto está fraco esta noite.
Aren fechou a mandíbula.
Ele sentia.
Sentia demais.
A lua o puxava, exigia domínio, transformação, violência. Mas havia outra coisa… algo errado, sedutor, frio.
— Dê mais um passo — rosnou — e eu vou arrancar seu coração.
Lilith parou a poucos centímetros dele.
— Você não faria isso — sussurrou. — Seu corpo já decidiu antes de você.
Ela tocou o peito dele com a ponta dos dedos.
O contato foi como fogo.
Aren a empurrou contra uma árvore num movimento rápido, o braço forte preso ao redor do pescoço dela.
— Não me provoque, vampira.
Lilith sorriu, mesmo presa.
— Ou o quê? — ela murmurou. — Vai me morder?
As presas dele começaram a surgir involuntariamente.
O lobo dentro dele rugiu.
— Você não tem ideia do que está despertando — disse ele, a voz quebrada entre homem e fera.
— Tenho — respondeu ela. — Passei séculos sendo o erro de alguém.
Os olhos vermelhos dela encontraram os dourados dele.
O mundo encolheu.
A floresta desapareceu.
Havia apenas respiração quente contra pele fria.
Então Lilith fez algo impensável.
Ela inclinou o pescoço.
— Se vai me matar — disse — faça direito.
Aren se afastou bruscamente, como se tivesse sido queimado.
— Não — disse ele, com raiva de si mesmo. — Eu não sou como você.
— Não — concordou ela. — É por isso que eu quero você.
As palavras ficaram suspensas no ar.
Um uivo ecoou ao longe.
A alcateia.
Aren fechou os olhos por um segundo.
— Vá embora — disse ele. — Antes que eu perca o controle.
Lilith recuou lentamente, os olhos ainda presos aos dele.
— Isso não acabou, alfa — disse ela. — A lua já nos marcou.
Ela desapareceu na escuridão como fumaça.
Aren caiu de joelhos, o corpo tremendo enquanto a transformação finalmente começava.
Garras rasgaram a terra.
O uivo que escapou de sua garganta não foi apenas de poder.
Foi de conflito.
Porque ele sabia…
A vampira não era apenas uma inimiga.
Ela era uma tentação que poderia destruir sua alcateia.
E ele… não tinha certeza se queria resistir.