Presas E Garras

419 Palavras
Capítulo 2 — Presas e Garras O silêncio entre eles era mais perigoso do que qualquer ataque. A lua de sangue pulsava acima, pesada, carregada de poder antigo. Aren não desviava o olhar de Lilith — e isso, para ela, era quase um desafio íntimo. — Você sente — disse ela, dando um passo lento ao redor dele. — O pacto está fraco esta noite. Aren fechou a mandíbula. Ele sentia. Sentia demais. A lua o puxava, exigia domínio, transformação, violência. Mas havia outra coisa… algo errado, sedutor, frio. — Dê mais um passo — rosnou — e eu vou arrancar seu coração. Lilith parou a poucos centímetros dele. — Você não faria isso — sussurrou. — Seu corpo já decidiu antes de você. Ela tocou o peito dele com a ponta dos dedos. O contato foi como fogo. Aren a empurrou contra uma árvore num movimento rápido, o braço forte preso ao redor do pescoço dela. — Não me provoque, vampira. Lilith sorriu, mesmo presa. — Ou o quê? — ela murmurou. — Vai me morder? As presas dele começaram a surgir involuntariamente. O lobo dentro dele rugiu. — Você não tem ideia do que está despertando — disse ele, a voz quebrada entre homem e fera. — Tenho — respondeu ela. — Passei séculos sendo o erro de alguém. Os olhos vermelhos dela encontraram os dourados dele. O mundo encolheu. A floresta desapareceu. Havia apenas respiração quente contra pele fria. Então Lilith fez algo impensável. Ela inclinou o pescoço. — Se vai me matar — disse — faça direito. Aren se afastou bruscamente, como se tivesse sido queimado. — Não — disse ele, com raiva de si mesmo. — Eu não sou como você. — Não — concordou ela. — É por isso que eu quero você. As palavras ficaram suspensas no ar. Um uivo ecoou ao longe. A alcateia. Aren fechou os olhos por um segundo. — Vá embora — disse ele. — Antes que eu perca o controle. Lilith recuou lentamente, os olhos ainda presos aos dele. — Isso não acabou, alfa — disse ela. — A lua já nos marcou. Ela desapareceu na escuridão como fumaça. Aren caiu de joelhos, o corpo tremendo enquanto a transformação finalmente começava. Garras rasgaram a terra. O uivo que escapou de sua garganta não foi apenas de poder. Foi de conflito. Porque ele sabia… A vampira não era apenas uma inimiga. Ela era uma tentação que poderia destruir sua alcateia. E ele… não tinha certeza se queria resistir.
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