Nicholas respira fundo. A mão segurando o ossinho do nariz enquanto franze o cenho. Se não soubesse que o vínculo de acasalamento o impede de me machucar, estaria completamente assustada agora! Ainda assim, estremeço com a raiva que transborda pelo vínculo.
O ritual basicamente consistia em usar magia - ou não - para retirar a marca que havia sido feita pelos nossos lobos. O problema disso eram os riscos que corremos ao passar por esse ritual.
O alfa anda em minha direção, diminuindo a distância entre nós. Tento recuar, entretanto tudo que encontro é a parede fria atrás de mim. Um arrepio percorre meu corpo quando me alcança. Sua face seria. Embora a cueca quase gritando por ajuda, não me permita pensar muito.
--- Nunca mais repita isto. - diz enquanto me encara de cima. - Sabe que um de nós pode morrer. Se não os dois. O ritual para tirar a marca é um risco que não posso correr.
Suas presas agora a mostra. Minha b****a apertando de t***o. Maldito cio.
Abro e fecho a boca. Tentando fazer as palavras saírem.
--- Mas...- tento finalmente dizer algo. Todavía, Nicholas me vira contra si. Uma das mãos em minha nuca, a outra forçando meu braço atrás das costas. Arfo surpresa.
--- Nós não vamos fazer esse maldito ritual. - abaixa a cabeça até meu ombro. Suas presas raspando a marca que fizera recentemente. A voz rouca, provavelmente afetado pelo meu cio novamente. - Se ousar repetir essa merda de novo, não poderá andar por dias. Está me entendendo? - seu tom tão duro quanto sua excitação pressionada contra minha b***a. Gemo com a promessa. Minha i********e agora completamente encharcada.
Aceno, mordendo o lábio. Meus olhos ardendo. Minha loba ansiando para tomar o controle novamente.
Ronrono, me esfregando contra ele. O t***o rompendo as barreiras da minha sanidade.
--- p***a, Lisie! - diz entre dentes. Sua respiração entrecortada.
Em um instante está prestes a me f***r, no outro está caminhando em direção ao banheiro.
--- Há roupas no armário. Vista-se. - ordena trancando a porta atrás de si.
Estou atordoada. Perplexa demais para assimilar o que acaba de acontecer, por tanto obedeço, indo ao guarda roupa. "Não há roupas femininas. Perfeito!" Penso sarcásticamente. Olho em volta, procurando meu vestido. Acho-o. Por sorte ainda está inteiro. Visto-o. A brisa que entra pela janela me faz arrepiar e lembro que minha roupa íntima foi estraçalhada pelo maldito.
Suspiro fundo. Só me resta usar as cuecas do mesmo... Eu me recuso! Deixo por isso mesmo, arrumando meu cabelo em um coque alto. E saio do quarto. Estou com tanta saudades de casa agora e é para lá que vou.
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Bato a porta de casa. Jacob, meu pai, quem a abre. Seus olhos entre mim e a caminhonete roubada quando sai da casa de hóspedes.
--- Não vai me convidar para entrar? - digo em meio a um sorriso sem graça.
O homem me encara com uma face séria, antes de finalmente suspirar e dizer algo:
--- Acho que você tem muita coisa pra explicar, não? - espera minha resposta, mas nada digo. - Entre sua mãe fez aquele ensopado que você ama!
Sorri em meio a uma piscadela enquanto abre passagem para que eu entre. Sorrio de volta. A tensão deixando meu corpo.
Chego à sala. Meu irmão, Lyle, no sofá junto a sua companheira, July. Minha mãe na cozinha, cantarolando sua música preferida.
Meu coração apertado. Que falta fez está casa. Estas pessoas.
--- Lisie! - minha cunhada é a primeira a me notar. Vindo em minha direção e me abraçando forte, logo soltando-me. Sua face surpresa. Seus olhos indo em direção a marca de Nicholas. - Oh! - olha para meu pai, seguido por meu irmão que faz uma careta.
--- Quem? Desde quando? - Lyle pergunta sem rodeios.
Não consigo responder pois minha mãe entra com os olhos arregalados. Um sorriso se formando enquanto descem para marca.
--- Pela deusa! - corre para me abraçar. - Vamos me conte quem é o sortudo.
--- Mãe, eu estou com fome... - forço um sorriso. - Será que podemos comer primeiro?
--- Oh! Vamos, vamos. - dá um passo para e segue em direção a cozinha. - Nos conte durante o jantar. Vou colocar mais um...
Sua voz doce é interrompida por um estrondo. A porta sendo arremessada para dentro.
--- Mas que p***a?! - digo quando o cheiro de mar cobre o cômodo.
Nicholas entra pela porta. Sua respiração descontrolada. Garras e presas amostra. Meu pai e meu irmão dão um passo a nossa frente.
--- Quem diabos é você? - meu irmão diz. Seus olhos ficando verdes, mostrando que não vai recuar. Mesmo que ele seja um alfa. Meu pai seguindo sua deixa. Seus olhos também verdes. Ambos brilhantes. Os três prontos para lutar se assim for necessário.
--- Onde ela está? - a voz rouca. Sua postura exala perigo. A tensão no ar.
--- Primeiro nossa pergunta. - meu pai exige firmemente.
Nicholas respira fundo. Seus olhos voltando a cor original. No entanto, as garras e presas ainda estão lá. O cabelo bagunçado. As roupas claramente postas às pressas.
--- Lisie? - chama meu nome. Nada. - p***a, Lisie! Sei que está aqui. Apareça! - o tom duro. Arrogante. Cheio de autoridade. Novamente, nada.
Passa a mão pelo cabelo. Respirando fundo novamente. Agora mais calmo.
--- Por favor, Lobinha. Apareça... - surrura. Uma pontada de desespero transpassando pelo vínculo.
Suspiro, saindo de onde estou, deixando que me veja. Seus olhos varrendo cada minino detalhe do meu corpo. Quando encontra o que quer, guarda suas presas, logo após suas garras. Mordo o lábio. Meu corpo estremecendo sob seu olhar.
O alfa tenta me alcançar, entretanto, meu pai entra em sua frente. Impedindo-o de chegar até mim.
--- O que pensa que está fazendo?! - o rosto do homem se contorce em incredulidade.
--- Não faço a mínima ideia de quem você seja. No entanto, você não vai chegar perto da minha filha. Então sugiro que de meia volta e saia. - aponta para onde antes existia uma porta.
Nicholas abre um sorriso sarcástico. Encarando o lobo mais baixo à sua frente. Menor, mas corajoso. Ele tinha que admitir.
--- Lisie, vamos! Temos que arrumar sua coisas para partirmos amanhã cedo. - ignora-o enquanto me fita. As mãos nos bolsos. Aparência calma. Mente conturbada.
--- Minha filha não vai a lugar algum com você! - meu pai cospe.
Nicholas dá um passo à frente. Rosnando baixo. Os olhos ganhando o tom de dourado que acabara de perder. As presas a mostra novamente.
--- Lisie é minha. Minha mulher. Minha companheira. Minha propriedade. Desde o momento em que pisou os pés naquela maldita casa. Desde o momento que pisou os pés no meu quarto e nós acasalamos. - se curva até a altura dos olhos do lobo. Continuando. - Ela é minha e ninguém me impede de levar o que é meu. Nem mesmo seu pai!