- Há quanto tempo você trabalha aqui? - perguntei para o Peter enquanto adentravamos a biblioteca.
O Peter costuma trabalhar apenas a tarde na biblioteca, mas hoje ele havia vindo de manhã comigo para me ajudar a me candidatar para a vaga, obviamente eu fiquei preocupado ao saber que ele iria m***r aula só para me ajudar, mas o garoto me certificou que não haveria problema e cá estamos nós.
- Acho que já tem um ano, por aí. - ele encolheu os ombros enquanto parecia estar pensativo.
- E você gosta de trabalhar aqui? - perguntei olhando os livros em volta, havia pouquíssimas pessoas aqui na biblioteca. Pelo o que o Peter me explicou, aquela era uma das muitas bibliotecas que havia na cidade e ela era aberta a todo tipo de público.
- Bem, nós lidamos com diversos tipos de público, isso incluí muitas pessoas arrogantes, mas fora isso, esse emprego me faz muito bem. - ele sorriu para mim e eu quase babei por aquele sorriso.
- E por que te faz bem?
- Eu sempre gostei de literatura e coisas relacionadas a livros, então conseguir um emprego que me deixe mais perto disso, foi algo realmente incrível de acontecer. - ele me levou até uma parte da biblioteca onde havia uma porta para funcionários.
- Eu posso entrar aí? - perguntei quando ele abriu a porta para mim. Afinal, eu não era uma funcionária daqui.
- Não, mas podemos guardar esse segredo. - ele piscou para mim enquanto pegava a minha mão.
- Quem diria, Kim Peter quebrando regras? - ri enquanto o garoto me guiava até uma sala pequena onde havia alguns armários.
- Ninguém é cem por cento certinho. - ele piscou para mim me fazendo rir. Peter abriu um dos armários e colocou seu celular lá e tirou um avental com o seu nome vestindo o mesmo.
- Todos os funcionários têm que usar esse avental?
- Sim, mas não se preocupe, você ficaria linda de qualquer forma. - ele sussurrou a última parte, mas eu ouvi.
Me virei para o Peter que coçava a nuca envergonhado e foi quase impossível segurar um risinho bobo.
- E você? Do que você gosta? - ele mudou de assunto não me olhando nos olhos.
-Bom, o meu gosto não é tão intelectual como o seu.
Ri enquanto o Peter nos guiava de volta para a biblioteca.
- Você gosta de filmes?
- Eu gosto de comer. - dei de ombros e o Peter riu - E filmes.
- Isso é bom também. - ele sorriu e me parou, me virando para um balcão onde havia uma senhora sentada nele - Está vendo aquela mulher ali? Ela é como se fosse a supervisora desse lugar, você vai até lá diz que ficou interessado na vaga, que ela irá te dar um um formulário e você só responde ele e pronto. - ele sorriu para mim -Entendeu?
- Entendi, obrigada. - sorri para o garoto alto ao meu lado, mas antes que ele pudesse sair, eu o segurei pelo braço - Mas espera, e depois o que eu faço?
- Depois você me procura, eu vou estar por aqui arrumando alguns livros, te esperando. - ele explicou e eu concordei num aceno.
- Me deseja sorte. - pedi me colocando na ponta dos pés para deixar um beijo na bochecha do garoto.
- Bo-Boa s-sorte.
Caminhei até o balcão onde a senhora estava, repensando minuciosamente o que eu iria falar para ela sem parecer uma desesperada por trabalho, que era como eu me encontrava no momento.
- Oi. - sorri me aproximando do balcão mas fui ignorada, já que a senhora continuava olhando alguma coisa no computador sem me dar atenção - Com licença. - chamei novamente e fui ignorada de novo.
Tentei chamar ela mais algumas vezes, mas a senhora continuava me ignorando. Fala sério! Eu só queria achar um emprego e essas pessoas só me tratam com ignorância gratuita! Afinal, o que eu fiz de errado, hein forças maiores? Se foi pelos formigueiros que eu chutei quando criança, eu já pedi desculpas tá! O que vocês querem mais? Que eu recrie todos os formigueiros para me redimir?
- Olha aqui, senhora! Eu estou numa boa tentando falar com você, o mínimo que você podia fazer é ser um pouco mais educada, não acha? Sua sem educação! - exclamei irritada dando um t**a no balcão.
Vi a senhora tirar os olhos do computador e olhar para a minha mão no balcão. Foi quando ela finalmente me olhou e sorriu para mim pegando algo que estava do seu lado no balcão colocando eles em suas orelhas e eu senti o ar fazer falta quando notei o que era. Um aparelho auditivo.
- Olá querida, no que posso te ajudar?
Ok, vamos parar para raciocinar um pouco a burrada que eu novamente cometi. Eu acabei de ofender uma senhora s***a que não tem culpa de não poder me ouvir, eu provavelmente sou o ser humano mais h******l desse mundo! A pobre senhora não tem culpa de ser assim e eu vou lá xingar ela por isso. Agora eu entendi o porquê de vocês só me ferrarem forças maiores! Eu mereço.
- Eu... Eu vim a respeito da vaga. - falei envegonhada. Como eu já disse, eu faço coisas horríveis e depois fico com vergonha por isso. Mas eu prometo! Eu vou mudar!
- Hã?
- Eu vim a respeito da vaga!
- Hein?
- Vaga. Eu. Trabalho. - falei pausadamente apontando para o cartaz perto de nós que estava escrito que tinha vagas.
- Ah, de ajudante? Isso é bom, quase não vem gente a procura desse emprego. - a senhora riu.
- Oi, me desculpa, mas eu acabei ouvindo a conversa, vocês estão contratando? - uma garota com cabelos curtos apareceu ao meu lado sorrindo para a senhora.
- Não, querida, obrigada mas eu não quero comprar salame. - a senhora sorriu para a garota que franziu o cenho me olhando confusa. Apenas ergui os ombros sem saber o que dizer e a garota rapidamente se retirou dali - Estou feliz em saber que você quer a vaga, querida. - a senhora voltou a falar agora me olhando.
- Eu também.
- Aqui está o formulário, é só responder as perguntas e nós te daremos a resposta num período de 10 dias. - ele sorriu me entregando um formulário e eu fiz uma careta.
- Por que tanto tempo? - perguntei alto, bem alto na verdade.
- É o protocolo, mas provavelmente amanhã já teremos a resposta.
- Isso é bom. - sorri começando a preencher o formulário. As perguntas não eram difíceis, graças a Deus, já que eu sou meia tapada. Elas perguntavam meu nome, onde eu moro, quantos pessoas moram na minha "casa", meu número de telefone, CPF e essas coisas.
Não demorei muito para responder e assim que terminei, entreguei o formulário para senhora.
- Obrigada. - sorri para ela.
- Ah, eu também gosto! - ela sorriu animada e eu franzi os cenho. Não quero nem saber o que foi que ela "supostamente" ouviu.
Caminhei até uma parte da biblioteca onde a pouco eu havia visto o Peter passar carregando uma pilha de livros.
- Peter ? - chamei olhando em volta a procura do garoto.
- Aqui. - ouvi sua voz do outro corredor e caminhei até lá encontrado o Peter abaixado no chão arrumando uma prateleira enquanto havia um garoto loiro ao seu lado segurando alguns livros.
- Oi. - sorri me aproximando dos dois.
- Oi. - o garoto falou animado.
- Esse é meu amigo Jackson, ele trabalha aqui também junto com o namorado dele, Mark, daqui a pouco ele aparece. - Peter nos apresentou ainda focado em arrumar os livros na sua frente.
- É um prazer conhecer você. - estendi a mão para o Jackson que não pensou duas vezes em soltar os livros e me abraçar animado. Acho que ele esqueceu que havia alguém embaixo dele e o Peter acabou caindo no chão quando os livros caíram na cabeça dele. Tadinho.
- Vai por mim! O prazer é todo meu! É bom saber que você é real e não é apenas uma ilusão. - Jackson falou divertido enquanto ainda me abraçava, me deixando confusa.
- Como assim? - perguntei quando o garoto me soltou e começou a examinar meu rosto parecendo realmente animado em me conhecer.
- Jackson. - Peter resmungou num tom de aviso enquanto se levantava do chão com uma careta.
- Quando o Peter disse que estava morando com uma garota, nós meio que duvidamos disso e achamos que você era apenas um fruto da imaginação dele, já que o cérebro dele é todo infectado com esses livros que ele.
- Ei, qual o problema com os livros que eu leio? - Peter reclamou com os braços cruzados e eu tive que rir, ele parecia indignado, mas continuava sendo fofo.
- Nenhum amigo, nenhum. - Jackson falou dando tapinhas no ombro do Peter - Pelo menos agora nós sabemos que ele não mentiu sobre você, mas será que ele mentiu quando disse que você...
- Okay, vamos parar com esse assunto e começar a trabalhar. - Peter interrompeu o Jackson enquanto pegava a minha mão e me levava para outro corredor.
- O que ele iria falar?
- Nada não! Aquele lá tem minhocas na cabeça. - Peter resmungou e logo se virou para mim - Pronta para o trabalho?
- O quê? Você quer que eu te ajude? - perguntei confusa.
- Sim.
- Mas eu não sei o que fazer. - resmunguei e o garoto sorriu.
- E é por isso que eu irei te ensinar e vai ser até bom. Porque assim nós podemos nos conhecer melhor.
- E você quer me conhecer? - perguntei risonha e vi o rosto do Peter corar, enquanto ele arregalava os olhos. Acho que ele não havia notado o que tinha falado.
- Bom, vai ser melhor, eu acho, assim você não vai estar morando com um completo estranho. - ele falou atrapalhado me fazendo rir.
- É, vai ser melhor.
(...)
Por incrível que pareça, o meu dia estava indo plenamente bem. Passei a manhã inteira com o Peter e descobri que ele é uma cara incrível! Sério! Ele é atencioso, inteligente, divertido e outras diversas qualidades que eu tive o prazer de conhecer. Eu havia me divertido muito hoje.
Isso é claro, até eu chegar na República e ser recepcionada por um Henry animado para o nosso "encontro", mas o problema não era esse! O problema foi que eu pedi para ele me esperar na sala enquanto eu me arrumava, que depois eu iria descer para me encontrar com ele.
Só que o meu "descer" acabou se resumindo no meu corpo sexy rolando escada a baixo, quando eu acabei tropeçando num dos primeiros degraus. E agora eu me encontro atirada no chão, enquanto um Henry assustado corre até mim.
- Você tá legal? - ele perguntou assustado me ajudando a levantar e eu só queria achar um buraco para me jogar nele e nunca mais habitar essa parte da terra. Quem sabe, eu não arrumo um emprego com as formigas, elas certamente serão mais receptivas que os humanos.
- Meu Deus, que vergonha! Isso foi um desastre. - eu falo envergonhada e o garoto na minha frente ri. Ah, esse ser está se divertindo as minhas custas?! Eu devia jogar ele da escada para ele aprender uma lição... Pensando melhor, não seria uma boa ideia, eu provavelmente seria presa como "Louca estranha que arremessa colega de fraternidade pela a escada, como se ele fosse um rosbife, só porque ele riu dela! Corram! Ela é maluca! Protejam suas escadas!". E Deus me livre, uma fama dessas.
- Não. - ele se aproxima de mim ainda sorrindo e coloca uma mexa do meu cabelo atrás da minha orelha, já que meu cabelo deve ter se tornado uma bagunça e eu provavelmente estou parecendo a própria reencarnação do Edward mãos de tesoura - Foi engraçado.
- Para. - eu peço sentindo meu rosto esquentar.
- E a propósito você está ainda mais linda do que eu imaginei. - ele mordiscou o lábio me olhando de cima a baixo. Ah, claro, eu devo estar linda com essa aparência de pão amassado, depois dessa minha apresentação super sensual que incluía um rolamento de escada e uma posição bem torta no chão.
É bom saber que mesmo nessas circunstâncias, eu continuo irresistível.
- Mesmo caindo escada a baixo? - perguntei rindo da minha própria desgraça. É sério, alguém por favor, tira eu de perto de mim?
- Mesmo rolando esc... - Henry até tentou falar com aquele sorriso galanteador que ele tem, mas não segurou e acabou rindo durante a fala. Rindo muito e eu fechei os olhos respirando fundo.
Eu posso rir das minhas desgraças, outras pessoas não! Eu estava louca para dar um soco no meio da fuça do Park, mas me lembrei que eu estava tentando mudar, ser uma alma boa, digna de salvação, -nossa, como eu estou poética- , então para isso acontecer, eu precisava urgentemente acalmar meus nervos e memorizar que nem tudo se resolve através de pauladas. Sem a parte da malícia é claro, eu me refiro a briga mesmo.
- É sério! Para com isso ou eu te atiro pela janela. - eu aponto para a janela usando meu tom mais ameaçavel possível.
O problema era que meu tom ameaçavel (Nem sei se essa palavra existe), era mais parecido com uma esquilo mãe discutindo com um esquilo pai sobre o futuro do esquilo filho rebelde, do que realmente assustador.
- Okay, okay. - ele levantas as mãos em rendição parando de rir aos poucos - Podemos ir?
- Para onde nós vamos?
- Hoje, minha cara donzela... - ele faz uma pausa querendo fazer suspense e por segundos eu jurei que ele tinha me chamado de gazela, já que eu nem prestei atenção no que ele disse, eu estava ocupada de mais observando aqueles lábios suculentos se movendo. - O que acha?
- Hã? - eu pergunto confusa. Tenho quase certeza de que ele obviamente notou que eu estava namorando a boca dele. d***a! Eu preciso aprender a ser mais discreta!
- Da gente ir lá? - ele pergunta rindo.
- Lá aonde?
- Você ouviu o que eu disse? - ele pergunta mordendo o lábio para conter um sorriso.
- Claro que sim!
- E o que eu disse?
- Que estamos na época que as baleias acasalam? - eu pergunto incerta.
- O que?! - ele pergunta e solta uma gargalhada alta.
- Okay, eu não ouvi.
- Eu disse que poderíamos ir assistir um jogo de basquete que vai ter na faculdade, você gosta? Um amigo meu vai jogar e me convidou para assistir. - ele sorriu parecendo envergonhado - Se você não quiser, nós podemos fazer outra coisa.
- Eu gosto de basquete, lembra? Quase ganhei de vocês. - eu abro um sorriso de orelha à orelha, okay, talvez não assim, já que meu sorriso não vai até a orelha, na verdade eu acho que o sorriso de ninguém vai de orelha a orelha (Tirando aquela estátua horripilante chamada Momo que me deixou dois dias seguidos sem dormir), então porque falamos "sorriso de orelha à orelha? Okay, acho que estou perdendo o foco, o Henry está falando comigo? A boca dele está se movendo... Acho que ele está sim falando comigo.
- ... e daí o Matthew caiu e o Tyler fez bum! - ele finge um barulho de uma explosão e eu solto uma risada sem nem ter ouvido ou entendido o que ele tinha falado.
- É, jogos de basquetes são legais.
- Então, vamos? - ele anda até a porta.
- Vamos. - eu o sigo e ele abre a porta para mim.