Capitulo 21

2668 Palavras
- Nervosa? - Peter perguntou assim que adentramos a biblioteca. Hoje era meu primeiro dia de trabalho, e eu espero mesmo que eu não estrague tudo! Ontem depois de ler a mensagem que o garoto que trabalha aqui me mandou, eu fiz uma nota mental para me lembrar que eu preciso ser mais simpática e sorrir mais. Do que adianta eu querer que as pessoas gostem de mim, se eu passo o dia inteiro com as expressões da Vandinha da familia Addams? - Um pouco. - fiz uma careta olhando em volta. A parte boa é que não havia quase ninguém na biblioteca - Estou com medo de não gostarem do meu serviço. - Ei, fica calma, okay? É bem fácil trabalhar aqui, e além do mais... - ele segurou meus ombros me fazendo olhar para seu rosto - Eu vou estar aqui com você para te ajudar. Okay, morar com aqueles sete meninos estava mesmo fazendo m*l para a minha saúde mental, eu estava há poucas horas com o Dean e senti algo estranho no estômago, como se fossem borboletas por toda parte e agora, de frente para o Peter , as sensações voltaram... Eu devo estar mesmo com muito fogo no r**o, porque não é possível eu estar gostando daqueles 7! Não mesmo! - Você é um anjo? - perguntei o olhando com atenção e ele corou tirando lentamente suas mãos dos meus ombros. - Acho que você deveria se fazer essa pergunta. - soou acanhado e eu ri. - As minhas atitudes não são dignas de um ser celestial. - Mas a sua aparência é. Abri a boca sem saber ao certo o que falar enquanto continuava olhando para ele com a minha típica expressão de pateta. Céus, ele conseguia me deixar sem fala fácil fácil. - Finalmente! - Jackson exclamou se aproximando de nós dois com os braços erguidos no ar. - Estamos atrasados? - perguntei assustada pegando meu celular no bolso para checar as horas. Primeiro dia de trampo e eu já me atraso, que maravilha! - Não, mas eu senti saudades. - Jackson falou puxando eu e o Peter para um abraço, cada um de um lado do seu corpo, tanto que eu arregalei os olhos assustada quando notei o quão próximo meu rosto estava do Peter , enquanto tínhamos nossas cabeças pousadas nos ombros do Jackson. - Ignora ele. - Peter sussurrou para mim me fazendo rir. - Ei, eu ouvi! - Jackson resmungou e empurrou o Peter para longe e se afastou delicadamente de mim, para me olhar nos olhos - O Mark tá doido para te conhecer! Ele também surtou quando descobriu que você é mesmo real, e não apenas uma ilusão do Joonie. - Eu mereço. Ouvi o Peter resmungar e ri me virando para o garoto que parecia bastante constrangido ao nosso lado. Céus, que vontade de morder ele... Okay, esse pensamento foi um tanto estranho e talvez um pouco canibal também. - Joonie? - repeti o apelido atraindo a atenção do mais alto para mim - Gostei. - Sério? - sorriu me olhando com os olhos levemente arregalados e eu concordei sorrindo. Percebi que o Peter tinha a mania de arregalar seus olhos sempre que sorria ou ria. - Todo xonadinho. - Jackson suspirou atraindo nossa atenção para ele - Olha, vai no seu armário pegar o seu uniforme ou avental, não sei como que chamam aquilo, e depois nos encontra ali. - ele apontou para o segundo andar da biblioteca e olhou para os dois lado antes de se inclinar na minha direção como se fosse me contar um segredo - Lá tem café e comida de graça para os funcionários! - Você não vai passar o dia inteiro comendo de novo, né? - Peter cruzou os braços encarando o Jackson com o cenho franzido, me dando a impressão de que o Jackson conhecia muito bem aquela parte da biblioteca. - Hoje é dia de comemorar, meu amigo! Não dia de trabalhar! - Sua sorte é que aqui só tem poucas câmeras e as poucas que têm, nem mexer mexe. - Onde eu encontro um uniforme? - interrompi a conversa deles meio perdida. O que novamente não era uma novidade, levando em conta que eu tô sempre perdida no mundo da lua. - Lembra a salinha que eu te levei aquela vez? - Peter perguntou se virando para mim e eu ouvi o Jackson soltar um risinho em tom de malícia. - Opa, teve encontro na salinha e eu não estou sabendo? Conta mais! Conta mais! - Jackson. - Peter exclamou com o rosto vermelho e eu juntei os lábios para conter uma risada. - Tá, nem queria saber mesmo. - Jackson deu de ombros e se virou para sair, mas antes segurou meu braço e sussurrou somente para eu ouvir: - Me conta depois. - Me desculpa por isso. - Peter resmungou observando o Jackson se afastar de nós, enquanto fazia uns barulhinhos demonstrando que estava de ótimo humor - Ele pega i********e muito fácil. - Que nada, eu adorei ele. - Bom, como eu estava te falando, você precisa ir até o balcão e pedir para a senhora Shin a chave do seu armário, lá você irá encontrar o avental que você precisa usar e o seu crachá de identificação. - Okay. - concordei observando a mesma senhora daquela vez no balcão - Onde você vai estar? - No lugar que o Jackson falou. Concordei e me afastei dele indo até o balcão e não demorou muito para a senhora notar a minha presença ali. Socorro, só de lembrar do surto que eu tive com a pobre senhora, eu já sentia vontade de me enfiar dentro de uma caixa e me mandar para Marte sem prazo de entrega ou devolução. - Você voltou! - a senhora sorriu animada e eu devolvi o sorriso tentando demonstrar empolgação. - Bom dia! - Que tia? - ela perguntou confusa e eu franzi o cenho. - Hein? - Tia Ney? - Não tem tia não. - A tua tia vende pão? - Não. - Ela tem trocado pra cinco? - perguntou pegando uma bolsinha onde eu notei que havia alguns trocados. - Na verdade, eu vim pegar a chave do meu armário, eu sou a nova funcionária, lembra? Funcionária! - falei alto me lembrando que a senhora não ouvia muito bem e eu tenho quase certeza que novamente ela está sem o aparelho auditivo. - Ah, Cláudia? Ela não trabalha mais aqui não. - ela negou com um aceno sorrindo simpática. Quem? - Pode deixar que eu ajudo ela, senhora Shin. - um garoto falou alto perto do ouvido da senhora que sorriu e deu espaço para ele ficar frente à frente comigo - Oi, no que posso ajudar? - Oi, eu vim a respeito da vaga que eu consegui, sou a Melanie__. - expliquei totalmente perdida. Será que era isso mesmo que era para eu falar? Se não fosse isso, eu provavelmente falaria algo tosco como "Eae, firmeza, brôu? Eu sou a nova funcionária daqui, morô? Que dia vocês lançam a grana para encher o bolso da mamãe aqui?". Credo, desse jeito eu iria parecer até uma cafetona. - Ah, sim, sim! Eu falei com você ontem por ligação. - ele explicou e eu concordei finalmente reconhecendo sua voz. A culpa não é minha se as ligações foram programadas para tentar esconder nossas identidades - Sou Park Finn young. - Prazer. - apertei a mão que ele me estendeu e logo o encarei confusa - Então, eu preciso da chave do meu armário, será que você poderia me dar ela? Mais sútil que um tiro de bazuca... Prazer, eu. - Ah, claro. - ele murmurou e se abaixou procurando algo pelo balcão e logo voltou a se erguer com uma chave com o número "7" em mãos - Você vai precisar de ajuda? - Não, o meu amigo Peter vai me ajudar. - expliquei apontando para trás, mesmo sabendo que não havia ninguém atrás de mim. Ai, fé no pai que um dia eu aprendo a agir normalmente na frente de desconhecidos. - Okay, se precisar de alguma coisa, basta me chamar. - Okay, obrigada Finn young. - me curvei notando ele fazer o mesmo. - Tenha um bom dia de trabalho, Melanie. - sorriu e eu apenas acenei um "tchauzinho" e sai às pressas dali. Caminhei até a sala que o Peter havia me levado aquela vez e fiz uma careta encarando meu armário. 7? Armário 7? Isso é algum tipo de piada contra mim, forças maiores? Tá bom que eu não sou o melhor exemplo de ser humano, mas, poxa! Eu estou tentando mudar! Colabora também comigo! Abri o armário notando que ali dentro já havia um crachá com meu nome que graças a Deus, não estava carregando nenhuma foto da minha pessoa, só o nome mesmo. E ao lado dele estava um avental verde escuro, o mesmo avental que o Jackson e o Peter usavam, peguei ele e bufei quando notei que ele era enorme. POR QUE VOCÊS ME ODEIAM FORÇAS MAIORES? - Até que não está tão m*l. - falei observando o avental no meu corpo que quase atingia meus pés por ser muito grande - Meu Deus, quem eu quero enganar? Eu tô parecendo um pepino. Sai da salinha e caminhei até onde o j**k havia me indicado e notei que só estava ele e um outro garoto alí, mas não havia sinal nenhum do Peter . Olhei em volta enquanto me aproximava dos dois garotos, mas não achei o Peter . - Oi! - Melanie! - Jackson falou me puxando pelo braço para eu ficar frente a frente com o garoto desconhecido por mim - Esse é meu namorado, Mark! Ele é tão bonito, né? Mas é tão tímido. - j**k. - o garoto resmungou com o namorado, mas logo me olhou sorrindo - É muito legal conhecer você. Legal? Essa é nova. - Que amor, né? - Jackson sorriu bobo cutucando a bochecha do Mark - Um bebezão. - Tá me envergonhando. - o garoto sussurrou entredentes e eu olhei em volta procurando novamente o Peter . - Onde está o Peter ? - Bem ali, fingindo arrumar os livros, quando na verdade está te olhando. - Jackson apontou para um local mais distante de onde estávamos, que eu não havia reparado ainda e eu notei a figura alta do Peter se esconder atrás de uma das prateleiras depois que nossos olhares se encontraram. - Você fez algum curso onde aprendeu a envergonhar as pessoas, ou nasceu assim? Mark indagou sério para o seu namorado que riu abraçando ele pelos ombros. - É um dom. - beijou a bochecha do Mark e logo se afastou dele - Vou pegar mais café, tchau. Jackson saiu me deixando sozinha com o Mark e eu fiquei ali mosquiando sem saber como começar alguma conversa com o garoto, que também parecia compartilhar o mesmo problema que o meu. Pior sensação que essa, é aquela que você sente quando você vai em algum aniversário onde você só conhece o aniversariante e depois fica igual barata tonta no meio dos outros convidados quando ele te deixa sozinho. - Você faz bem para ele. - Mark falou de repente me tirando dos meus pensamentos. - O que? - Ele gosta de você. - repetiu apontando para o Peter que parecia concentrado arrumando os livros - Eu escuto ele falar de você todo dia. - Sério? - perguntei sentindo meu coração apertar. Céus, eu sou um monstro! Eu estou fazendo eles gostarem de mim enquanto estou mais perdida que cego em tiroteio na minha própria vida! - Sim, vai lá falar com ele. - indicou com um aceno e logo saiu, me deixando sozinha ali. Okay, vamos lá! Você consegue! Você consegue! Ai meu Deus, eu não consigo! Não consigo! Não! Não! Pode parando aí! Você consegue sim e você vai! Trate de mexer essas pernas! c*****o, como é que eu mexo as pernas mesmo? Ah é, um pé atrás do outro, um pé atrás do outro, bora lá... - Oi. - ele sorriu para mim quando eu me aproximei. - Oi. - O que aqueles malucos falaram para você? - perguntou voltando sua atenção para os livros como se não ligasse para o que eu iria responder, sendo que eu sabia que ele ligava. Ele era tão óbvio. - Que os livros de culinária jamais devem ficar perto dos livros infantis. - dei de ombros observando os diversos livros que havia naquela estante - Imagina se uma criança abre um deles e vê a galinha pintadinha frita. - Isso sim seria um trauma de infância. - entrou na brincadeira rindo comigo. - Então, o que eu faço? - perguntei parando na frente dele e ele arregalou os olhos. - Oi? - Com os livros? O que eu faço? - repeti esclarecendo a pergunta e ele piscou rapidamente. - Ah, você, você arruma. - murmurou parecendo perdido - Essa é a sessão de ficção científica, mas você sempre encontra algum livro com o gênero diferente perdido por aqui, então você tira ele e coloca nesse carrinho. - Okay. Comecei a fazer o que ele falou e logo ficou um silêncio entre nós, um silêncio desagradável, tanto que eu fiquei até paranóica com a minha respiração. Será que ele tá ouvindo ela? Será que ele notou que eu estou nervosa e quase a beira de um infarto? - Como você está? - perguntou quebrando o silêncio e eu olhei para ele confusa. - Bem... - murmurei com o cenho franzido. Acho que eu não estava acostumada a ouvir perguntas assim - E você? - Bem também. - sorriu e novamente um silêncio se alastrou ali. - Qual gênero de livro você mais gosta? - perguntei tentando quebrar aquele gelo, que se bobear é mais frio que os gelos da Antártida, ou os gelos da geladeira do meu antigo vizinho que era de uma potência surreal. E como eu sei disso? Bem, ele ficava o tempo todo me falando sobre ela quando pegavamos o elevador juntos. Eu perdi as contas de quantas vezes desejei que aquele poder de congelamento fosse tão forte a ponto de congelar a língua dele. Mas como todos sabem, eu estou tentando mudar, então esse pensamento agressivo ficou para trás. - Eu não tenho em sí um gênero favorito, eu gosto de ler histórias de todos os tipos. - falou pensativo - E você? - Acho que o mesmo que o seu. - franzi o cenho. Eu não entendia muito bem o meu gosto por leitura, as vezes eu lia uma história romântica *baba e ranho e daqui a pouco eu estava lendo algum livro criminal tentando descobrir quem foi o assassino de Genilson p***o. - Eu tava pensando... - ele começou a falar me tirando dos meus devaneios e eu o olhei curiosa - Porque a gente, sei lá, não sai um dia? - Sair? - É, tipo, como amigos sabe! Eu, você, amigos, bons amigos. - repetiu observando a capa de um livro e eu sorri boba quando notei que suas mãos tremiam enquanto ele tentava disfarçar segurando o livro com força. - Eu adoraria sair com você. - disse honesta observando a maravilha que aquele homem era. - Sério? - Eu gosto da sua companhia, Joonie. - sorri para o garoto que largou o livro na estante se aproximando de mim. - Eu também aprecio a sua companhia. - ele sorriu e eu senti meu rosto corar. - E eu aprecio a linda vela que eu me tornei. - nos viramos para a prateleira e encontramos o Jackson sorrindo com a cabeça enfiada entre os livros nos olhando com admiração - Podem continuar, eu não estou reclamando! Já estou acostumado com esse calor. Me virei para o Peter que ria e não consegui controlar o sorriso bobo que se formou em meus lábios... Ai coração, você está se tornando uma confusão.
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