Saulo Prado narrando A sala estava abafada, apesar do ar-condicionado central da firma. Talvez fosse o calor do momento. Ou o calor que Angelina trazia consigo sempre que se aproximava — aquele tipo de presença que mexe com o ambiente sem precisar abrir a boca. Ela não sabia o efeito que causava. E isso, talvez, fosse o que mais me tirava do eixo. A cada passo que ela dava sobre o piso de madeira do meu escritório, com a prancheta de anotações em mãos, eu sentia o ar rarefeito. Ela se movia com leveza e propósito, sempre atenta, sempre ali — mais presente do que qualquer assistente que já tive. Mas também mais envolvente do que qualquer mulher que tentei manter à distância. — Doutor Saulo, e senhor Sávio, espero que os seus chá e café estejam bons, mas caso contrário posso refazer, se f

