Angelina Da Costa A semana começou diferente. Na Prado Advogados, tudo sempre foi hermético. Fechado. Um clã. Não havia espaço para parcerias, associações, vínculos externos. Quem era Prado, era. Quem não era... não se metia. Ao longo dos anos ao lado de Otávio Prado, aprendi a lição mais importante do ofício: tudo que se vê, se ouve ou se intui naquele escritório, morre ali. Nada sai. Nem mesmo em forma de desabafo em casa. Nem mesmo nos silêncios compartilhados. E foi exatamente por isso que aquela manhã me deixou em alerta. Uma nova associada. Pela primeira vez, alguém de fora se sentaria entre nós com uma suposta igualdade. Depois de tudo — depois da noite em que fui vista nua na cama de um Prado —, lá estava eu, de pé, arrumando minha blusa de crepe e tentando disfarçar as mãos s

