O sol já tinha desaparecido então nos formos até o colégio ao lado onde todos os outros desceram , fiquei ao lado dele e Eva. Estar tão próxima assim dele fazia meu coração acelerar,era tão bom. Olhei para o lado e ele me olhava também, dei- lhe um sorriso e recebi o mesmo em troca, seu sorriso era lindo e dentes perfeitamente alinhados e brancos algo raro em
se vê.
Começamos a caminhar mas nós olhamos frequentemente , não soube dizer quantos anos ao menos ele tinha mas tinha certeza que era mais velho que eu , talvez dois ou três anos , não menos. Olhei para Eva que estava focada na caminhada, a lua iluminava aquele céu azul escuro que estava lindo para tudo e me perguntei se eu conseguiria ouvir sua voz alguma vez .
Eu conseguia pensar em tudo menos no padre , será que eu devia aceitar seu encontro? deveria pois não sei quando vou sair e ... se sair . Verônica se aproximou de mim por trás tramando algo, acho que não gostou que madre Madalena não conseguiu me castigar por causa do imprevisto com o padre e o assassino. Mas como eu já havia dito : ela me pagava mas antes que consegui fazer algo senti um empurrão que me fez cair de joelhos e ralar as mãos no asfalto.
- Ah! me desculpa - sua falsidade era evidente junto com seu sorriso irônico, Eva acabou não me vendo cair por ter tomado o rumo a mais a frente.
- Vem .Eu te ajudo
olhei para cima e vi ele estendendo a mão para mim e senti minhas bochechas queimarem, sua voz era firme e com um jeito deferente.
- Obrigada...
respondi aceitando sua ajuda , passei a mão na roupa para tirar o amassado.
- tudo bem ?
- sim , obrigada mesmo
Ele sorriu e sorri de volta.
- prazer
- Digo o mesmo
As luzes da catedral brilhavam intensamente e nos curvamos diante a porta , não queria entrar mas acabei entrando, lá dentro a gente começamos a rezar pelo padre e pelos assassinatos que não parava a um mês
Olhei para o lado dos seminários para o ver mas não o encontrei-o mais ,nem depois, voltamos, para o colégio e tomamos banho. Ao me deitar no travesseiro senti um leve m*l pressentimento , olhei para Eva que já dormia , e enfim fechei meus olhos .
O carro dos meus pais havia batido, o estrondo foi tão grande que pegou fogo , abri meus olhos e só via os dois corpos caído no chão, minha cabeça doía muito . Me levantei com dificuldade e fui até eles com esperança de estarem vivos.
- mãe,pai?
Os balanço , sem resposta e só aí percebi que estavam sem vida , começei a chorar e no meio daquela neblina via as luzes coloridas, dos bombeiros e paramédicos.
Acordo , respiração tensa e o corpo todo molhado.
-Droga..
Murmuro passando a mão no rosto tirando o suor , fazia bastante tempo que não tinha mais sonhos com a morte de meus pais. Alguns minutos depois que já recupero o fôlego me viro para a janela e aí vejo algo parecendo uma sombra passando rapidamente, sento -me na cama fazendo -a rangir levemente. Observo tentando enxergar algo a mais de diferente, falho .
Olhei para baixo e ao lado de fora da janela tinha uma carta, abri o vidro e a peguei.
"Vamos hoje ...(00:00)"
E novamente uma flor , isso foi suficiente para me decidir que já iria fugir naquela mesma hora .