Capítulo 2 -Supremo

1886 Palavras
-Jackson! O alfa do Sul está aqui-diz Nino entrando em meu escritório abruptamente  -O que!? Mas agora? -indago suspirando e guardando uma papelada na gaveta de meu escritório  -Sim! Quer que eu remarque? Você tem trabalhado muito esses dias -Não Nino, não precisa. Você é um bom beta cara, mas se preocupa demais -digo para meu beta de alma  -Você tem que descansar! Não dorme bem há quanta noites? -indaga  -Sabe que não durmo bem desde sempre Nino-digo saindo de meu escritório com ele logo atrás  -Eu sei, mas qual foi a última vez que tentou dormir? -Para que tentar dormir se sei que terei pesadelos? -pergunto indiferente  -Você precisa de uma companheira-pontua e o lanço um olhar bravo em reposta  -Tudo bem, tudo bem-bufa irritado levando as mãos ao alto em sinal de defesa    Para mim o assunto era complicado. Todo alfa precisa de sua Luna. Ela é como um pilar, algo em que você possa se segurar.   Eu tenho dificuldade de confiar nos outros desde minhas perdas. Um buraco se formou em mim e não quero que minha companheira caia nele também. Demorei anos para confiar em Nino, meu beta de alma, e não quero me magoar com minha companheira, e nem a magoar   Meu lobo me entende. Afinal um fenômeno raro aconteceu conosco: de certo modo nossas almas são unidas, então eu o ouço pouco. Chega a ser estranho, mas também nossa ligação é muito mais forte e me ajuda em uma luta   Eu entro na sala onde o alfa se localizava e ele faz uma leve reverência a mim. Afinal eu era o supremo, alguns me respeitavam, outros... bem, me temiam. Depende de qual alcateia você pertencia e quais lobos eram seus amigos ou inimigos    Eu governo há 100 anos. Não é nada fácil. Comecei muito jovem, fui treinado pelo meu pai, meu único parente vivo naquela época. Minha família toda havia sido eliminada em um ataque. Aconteceu tudo diante dos meus olhos.   Meu pai não pôde impedir então passou a me treinar desde os 12 anos para que eu fosse "O supremo impecável". Minha história de vida não foi fácil, senti o peso de todas as alcateias em meus ombros quando ainda era um jovem e anos antes de meu pai me passar o cargo, ele faleceu em outro ataque   Eu claro, vinguei minha família, executei, e ainda executo, aqueles que não seguem as regras    A alcateia do Sul, em especial, me trazia problemas. Muitas pessoas pesavam por lá para chegar até mim ou minha alcateia e os lobos da região eram muito agressivos. Eu já ouvi relatos de agressão contra crianças que roubaram por pura necessidade e eles puniram com torturas. Eu mudo essa alcateia aos poucos, porém o alfa deles vive me desafiando. Seu nome é Rafael. Ele é insolente grosso e desrespeitoso    -Do que precisa Rafael? -indago seco  -Vou ser direto. Temos um prisioneiro. Estamos com ele há 1 semana e o mesmo não respondeu a nenhuma das torturas. Já usamos todas as técnicas    Não sei se fico com raiva de Rafael, ou surpreso. A alcateia do Sul tinha ótimos torturadores, eu mesmo já fui pego por um deles uma vez, antes de ser supremo, e admito que me machucaram. Com certeza é alguém treinado e isso em preocupa    -Nenhuma palavra? -indago -Apenas dá respostas para irritar o agressor    Me surpreendo mais ainda. Uma técnica para conseguir uma brecha e atacar o agressor? Um treinamento que poucos têm, já que se feito da maneira errada gera uma onda de tortura ainda mais forte. É...com certeza se trata de um homem altamente treinado    -Irei vê-lo pessoalmente -digo- Quando podemos ir? -Agora mesmo! Meu motorista está lá fora    Não gosto como ele trata seus empregados, mas fazer o que né.   O acompanho até seu carro de marca e me assento no banco do passageiro. Imagino o caminho inteiro como deve ser esse tal prisioneiro.    -Como o encontraram? -pergunto, deixando minha curiosidade vencer -Meus homens disseram que eles foram atacados pelo mesmo. Não tive tempo de vê-lo pessoalmente, mas depois da notícia que a tortura não adiantou, vim até aqui.   Isso definitivamente era o que mais me irritava. Rafael mandava todos cuidarem de seus problemas. Ele nem se preocupou em ir olhar o prisioneiro por ele mesmo! Só quis a solução mais rápida! Típico de um alfa mimando!   Após longas horas de viagem chegamos em sua alcateia. O carro para em frente a um galpão, que se me permitem dizer, cheira muito m*l. Descemos do carro e sou guiado até um corredor    -Está na última porta à direita    À medida que ando pelo corredor, ouço gritos e choros ensurdeceres, mas quando chego na última porta a direita, ouvi uma risada sarcástica e em seguida vi um homem saindo de lá irritado. Nos leves segundos em que a porta foi aberta, senti um cheiro inexplicável! Era como se fossem lírios nascidos da mais pura terra logo ao nascer da manhã.   Eu abro a porta e me deparo não com um homem sujo barbudo e cheio de cicatrizes, mas com uma mulher. Seu corpo por mais manchado de sangue e ferido que esteja, não perdia sua beleza. Ela estava com o rosto abaixado, mas o levanta para fungar o ar ao sentir meu cheiro, até olhar para frente, fazendo nossos olhos se encontrarem   -MINHA-digo surpreso pelo meu lobo tomar controle tão facilmente  -MEU- diz e um olhar confuso e surpreso toma seu rosto   Alguns segundos de silêncio tomam a sala.   Era ela... minha companheira. Torturada, ferida! Uma raiva cresceu em mim e tenho certeza de que por leves instantes meus olhos ficaram verdes devido aos meu lobo. Ela estava tão confusa quanto eu   -Quer dizer que meu próximo torturador é meu companheiro? - indaga tentando parecer firme, mas algo me dizia que estava triste  -Eu não vim aqui para isso -digo me assentando em uma cadeira à sua frente- Só faria isso com inimigos  -E o que garante que não sou sua inimiga? -pergunta com uma sobrancelha arqueada  -Instinto-digo  -E se eu for sua inimiga? -indaga como se tivesse me testando  -Te torturaria até conseguir o que quero- essa frase me dilacerou, mas é verdade. Sou um líder e meu povo vem antes de minha própria vida    Ela dá um sorriso? Como? Bom...não foi muito bem um sorriso, foi mais como um esboço de um sorriso, mas meu coração derreteu   -Fique tranquilo. Não sou sua inimiga. Pelo menos espero que não. Afinal não pegaria bem na minha ficha "mulher matou o companheiro por ser seu inimigo" -diz zombeteira -Nunca subestime um desconhecido e nem um conhecido-digo convencido  -Nunca cometeria um erro de principiante-diz dando de ombros  -Então não é principiante? -indago fingindo surpresa  -Você já sabia. Afinal por que mais estaria aqui?  Sua presença apenas me afirma que acabaram os recursos da alcateia do Sul. Eles não tinham como me fazer falar, então recorreram a alguém com cargo maior. Um alfa talvez. Soube que eu resisti a torturas da alcateia que é especialista nisso. Se você veio aqui pessoalmente, sabe que não sou uma principiante e que não cometeria o erro de te subestimar, afinal, você é um superior daqueles que passaram por aqui -diz dando de ombros  -Você é muito inteligente! Conheço alguém que adoraria te conhecer -digo me lembrando de Peter, um amigo de meu pai  -Na verdade foi dedução lógica. Sei que você já sabe de uma parte de minhas habilidades. -Posso saber seu nome? -Posso saber o seu? -retruca  -Sou Jackson-digo desamarrando seu braço e ela solta um leve gemido de dor  - Gosto do seu nome-diz desamarrando seu outro braço e não deixo de dar um leve sorriso com seu comentário-Sou Diane. -Lindo nome-digo e ela esboça um sorriso-Por que está aqui, Diane? -Estava passando pela alcateia indo até a alcateia central quando três vi homens batendo em uma criança. Apenas ajudei    Arregalo os olhos    -Por que você não disse isso a eles!? Teriam te liberado  -Não cederia a esses babacas! Se o fizesse, a vitória seria deles. Afinal foi divertido testar meus limites-diz desamarrando seus pés- a criança provavelmente roubou algo, não é o certo, mas imagino que precisava. Prefiro ser eu do que uma garotinha inocente-diz como se fosse a coisa mais normal do mundo   Sua fala me deixa encantado. A mesma uma boa Luna   -Por que estava indo para a alcateia central?  -Preciso falar com o supremo  -Do que precisa? -pergunto e ela franze o cenho em resposta -O que tenho para falar com ele é assunto meu e dele-diz tentando se levantar, mas fraqueja e cai na cadeira novamente, bufando em seguida  - Já tentando ir embora? -Como disse, tenho de falar com o supremo. Devo ter perdido o que? Uns 3 dias aqui  -Foi uma semana!-afirmo -Uau! Isso? Esperava mais de mim...-diz se levando e se equilibrando em pé  -Ok Diane, olha só: você está fraca  -Você não conhece meus limites-retruca  -Eu estou inteiro  -Como disse, você não sabe meus limites, então não sabe se posso acabar com você agora mesmo. -Sou o supremo-digo como argumento final    Mas ao invés dela pedir desculpas por ter me "desafiado" ela apenas suspira    -Obrigada por me poupar uma caminhada-diz se assentando novamente -Não vai se desculpar pela insolência? -Falei o que achava certo. E eu não me arrependo pois você realmente não conhece meus limites - Mas-começo e ela logo me corta  -Eu não conheço você. Sendo supremo ou padeiro, eu tiro minhas conclusões sobre sua pessoa depois. Até agora você tem um a favor de eu querer rir de você e um a favor de eu querer te respeitar -E quais são esses? -A favor de eu querer rir de você: você usou o argumento de ser supremo como se justificasse suas ações ou as minhas. Respeito se conquista, eu ainda não fui conquistada. Mas... admiro o fato de há alguns minutos, você dizer que se eu fosse sua inimiga me machucaria. Mostra que não importa quem eu seja, sua mãe sua companheira ou sua amiga, você coloca seu povo na frente. Isso é ser líder-diz e eu me surpreendo com sua sinceridade    Eu a encaro intensamente e ela faz o mesmo. Nos olhamos curiosos  O que esses olhos escondem? Pelo que ela já passou? Como é sua loba?   Sei que ela pensa o mesmo e eu só desejava que ambiente estivesse claro o suficiente para ver todos os detalhes de seu rosto    A porta é aberta o que quebra nosso contato visual    -O que está-começa Rafael antes de desviar os olhos para Diane e a vê desamarrada-ELA SE SOLTOU? -Eu a soltei  -COMO VOCÊ OUSA??-indaga me fazendo perder a paciência  -Olha como fala comigo Rafael. Ela é minha-eu ia terminar a frase em minha voz de alfa quando a garota me interrompe. O que é surpreendente já que quando falo assim todos tremem de medo, mesmo eu não me referindo diretamente a pessoa -Rafael, batemos um papo e chegamos à conclusão que eu não sou uma inimiga. Sou aliada.  -Ora sua....  -começa, mas eu frase morre quando ela o corta  -Seu supremo disse que não sou inimiga. Contrariar sua ordem é contrariar sua capacidade de liderança e contrariar sua capacidade de liderança é desafiá-lo. Então, quer mesmo lutar contra seu supremo? -indaga me deixando mais boquiaberto -se é que é possível-
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