Capítulo 35

1127 Palavras
O silêncio da vila parecia mais pesado naquela noite. O vento do mar continuava a soprar, carregando o cheiro salgado da água, e as ondas batiam na areia com um ritmo constante e hipnótico. Dentro da pequena casa de Noah, tudo parecia calmo, mas cada detalhe carregava a tensão invisível de algo prestes a acontecer. Íris ainda estava sentada no sofá, abraçada a Noah, segurando o pingente de sereia com firmeza. Seus olhos observavam a lua através da janela, refletindo uma mistura de fascínio e apreensão. Ela sentia, em algum lugar dentro de si, que não estava totalmente sozinha. — Noah… — murmurou, a voz baixa e quase um sussurro. — Eu sinto alguém lá fora. Ele apertou levemente a mão dela, sentindo o medo contido em seu tom. — Eu também sinto — disse, com firmeza. — Mas não se preocupe. Eu não vou deixar que nada aconteça com você. Íris respirou fundo, tentando acalmar o coração que batia acelerado. Ainda havia o calor da presença dele, o conforto do abraço que parecia proteger mais do que apenas seu corpo humano. Mas mesmo assim, algo dentro dela dizia que aquela noite não terminaria em tranquilidade. Do lado de fora, a figura misteriosa se aproximava, silenciosa, como se flutuasse entre as sombras. Cada passo era calculado, cuidadoso para não fazer barulho, cada movimento carregado de paciência e intenção. Não havia pressa — a pessoa sabia que a vigilância era parte da própria estratégia. Quando a figura finalmente chegou perto da janela da sala, Noah sentiu a mudança na energia do ambiente. O ar parecia mais denso, carregado de eletricidade, e um calafrio percorreu a espinha de ambos. — Íris… fique atrás de mim — murmurou Noah, a voz firme, mas sem alterar o tom de calma que tentava passar. Ela assentiu, sentindo uma mistura de medo e excitação. O instinto do oceano gritava em seu interior, lembrando-a das correntes invisíveis, do poder do mar, e da necessidade de p******o. Mas também havia curiosidade — quem era aquela figura? E por que parecia conhecer a existência dela? Noah se aproximou da janela, olhando cuidadosamente. A lua iluminava parcialmente o rosto da figura misteriosa, revelando traços que ainda eram em grande parte encobertos pelas sombras. — Quem é você? — perguntou Noah, tentando manter a voz firme. — O que quer com ela? A figura não respondeu imediatamente. Um silêncio pesado se estendeu, preenchendo a noite com tensão. Depois, lentamente, a pessoa deu um passo para frente, revelando mais de si à luz da lua. Não havia agressividade, pelo menos não ainda. Mas o olhar era intenso, quase calculista, e os olhos penetrantes pareciam analisar cada detalhe da sala, cada gesto de Noah, cada movimento de Íris. — Então… você é a famosa Íris — disse a figura, a voz baixa, firme e carregada de algo indescritível. — A sereia que anda entre humanos. Íris sentiu o coração disparar. Sua respiração ficou rápida, mas ela não recuou. Um misto de curiosidade e medo percorria seu corpo. Nunca alguém havia falado sobre ela dessa forma. Nunca alguém a havia chamado pelo próprio nome em tom de reconhecimento, como se soubesse exatamente quem ela era. — Quem é você? — perguntou Íris, a voz firme, tentando manter a calma. — Como sabe meu nome? A figura inclinou a cabeça levemente, mantendo-se fora do alcance da luz da janela. — Você acha que o mundo é seguro apenas porque consegue se esconder? — disse, quase com um sussurro ameaçador. — Existem olhos que sempre veem, mesmo quando você acredita estar sozinha. Noah colocou uma mão firme no ombro de Íris, sentindo o medo dela e a necessidade de protegê-la. — Não se aproxime — disse ele com firmeza. — Não sabemos o que quer. A figura sorriu levemente, uma expressão fria e quase calculista. — Eu não vim fazer m*l… ainda. Mas você, humana, precisa entender que o que ela carrega é muito maior do que qualquer um de vocês imagina. Íris engoliu seco, os olhos fixos na figura. — Maior como…? — tentou perguntar, mas as palavras falharam diante da intensidade do momento. — Como eu disse — continuou a figura —, existem olhos que sempre veem. Existem forças que sempre observam. E você, sereia, precisa aprender que o mundo humano e o mundo marinho não podem coexistir sem consequências. Noah apertou os dedos dela com firmeza, oferecendo apoio. — Íris… confie em mim. — Sua voz era calma, mas firme, um ponto de segurança naquele momento de incerteza. A figura deu um passo para trás, misturando-se novamente com as sombras da noite. — Pense no que eu disse — murmurou antes de desaparecer entre as árvores, silenciosa como a própria escuridão. A tensão no ar permaneceu. Íris sentiu as pernas tremerem levemente. O peito dela estava pesado, e o pingente da sereia parecia pulsar contra o seu peito, como se reagisse à presença da figura misteriosa. — Quem era? — perguntou Íris, a voz carregada de dúvida e medo. — Não sei — respondeu Noah, apertando o abraço dela. — Mas vamos descobrir. Juntos. Eles permaneceram ali por longos minutos, o som do mar preenchendo a noite e tentando acalmar os nervos de Íris. Ela sentiu, pela primeira vez, a mistura do perigo e da emoção, a tensão que fazia o coração bater mais rápido, mas também a sensação de estar viva de verdade. — Noah… — disse ela finalmente, com a cabeça encostada no peito dele —, estou com medo. Mas… também quero aprender. Quero saber o que é o mundo lá fora. Noah beijou levemente o topo da cabeça dela. — Eu prometo que vou te ensinar. Cada passo, cada segredo… nada vai te machucar enquanto eu estiver aqui. O resto da noite passou lentamente. Eles ficaram abraçados, cada um sentindo a presença do outro, o calor humano que contrastava com o frio do luar lá fora. Mas o perigo ainda rondava. A figura misteriosa continuava à espreita, observando, estudando e planejando. No coração de Íris, o medo e a curiosidade se misturavam. Ela compreendeu, pela primeira vez de forma tão concreta, que sua vida entre dois mundos era mais complicada do que imaginara. E que, mesmo rodeada de amor e p******o, havia forças invisíveis, sombras que conheciam seu segredo e poderiam mudar tudo a qualquer momento. Mas naquele momento, abraçada a Noah, ela decidiu que não recuaria. Não daquele mundo, não daquele amor. O oceano e os humanos poderiam ser diferentes, perigosos, mas também carregavam algo que ela jamais tinha sentido: esperança. E entre o brilho do pingente de sereia, o calor do abraço de Noah e a sombra observadora lá fora, a noite terminou carregada de tensão, romance e promessa de desafios ainda maiores.
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