Capítulo 1

1546 Palavras
- Sim Júlia, eu sei que faltam somente algumas semanas para o casamento, mas eu não vou mudar de ideia, eu vou e vou levar alguém comigo e quer saber vai ser o homem mais bonito que estará naquele lugar. - Não viaja Mari, como vai encontrar alguém tão em cima da hora se nem de casa você sai? Rejeitou todos os “matches” que dei no aplicativo de relacionamento que criei para você e nem as solicitações de amizade que recebe nas redes sociais você aceita? Acho melhor você dar uma desculpa: um resfriado, cólica, sei lá. - Eu tenho que ir Jú, se não vai parecer que eu ainda não superei e eu superei, já faz um ano que essa merda toda aconteceu e a verdade é que demorou muito menos que isso para deixar de doer. - E aquele filho do amigo do seu pai? O nerd do cimento! - Credo, definitivamente não! Eu não quero um relacionamento n**a, eu quero só um acompanhante e estou disposta até a pagar por isso. Nesse momento, um homem que apesar de bastante suado e com uma quantidade considerada de pó de cimento nas mãos para bem na minha frente. Ele é bastante bonito, olhos claros e maxilar marcado com barba serrada, pouca coisa mais alto do que eu e dono de um corpo forte e definido. Limpa rapidamente suas mãos em seu macacão de uniforme e me estende a direita delas. - Desculpa a intromissão dona, me chamo Carlos e ouvi a conversa de vocês, eu posso ajudar. Posso acompanhar a senhora neste tal casamento e aceito o dinheiro que a dona disse que estava disposta a dar em troca, claro que é só uma questão de acertar os valores. Medi o homem que estava na minha frente de cima a baixo e depois olhei para a cara da minha amiga como se eu tivesse encontrado petróleo no meu jardim, Júlia fez o mesmo que eu, me olhou com certa dúvida, mas depois ela confirmou com a cabeça. Voltei meu olhar para o homem e na sequência para a mão que continuava estendida em minha direção e sem pensar nem um segundo mais, apertei firmemente a mão em minha frente. - Muito bom Carlos, posso desculpar sua indiscrição em ouvir a conversa dos outros, ainda mais se tratando da sua superior. Podemos conversar no final do expediente, o que acha? Te encontro na porta da obra e vamos comer alguma coisa, combinado? - Com certeza dona, até mais tarde. Com a mesma velocidade que ele surgiu em nossa frente, ele nos deixou. - Estou atônita, literalmente a solução do meu problema caiu do céu. - Menos né Mari, já pensou no quão perigoso pode ser isso? Ele pode ser um psicopata ou simplesmente seu pai pode reconhecer ele, seria no mínimo embaraçoso. A herdeira da renomada construtora Borges saindo com um simples operário, você sabe que não faz diferença pra mim, mas faria com que a mídia e os sites de fofoca não falassem outra coisa que não fosse sobre vocês. - Me ajuda Júlia, pessimismo agora não né, por favor. Quanto a ele ser reconhecido eu posso simplesmente dizer a verdade, digo que mantemos um relacionamento a algum tempo em segredo justamente por ele ser um de nossos colaboradores e eu não queria dizer até ter certeza. É claro que não quero um compromisso, mas não posso deixar na cara que ele é somente um acompanhante. - É, pode ser que dê certo sim amiga, quer que eu vá com você nesse “encontro”? Afinal ele é somente um peão e você a filha de um milionário, não me leve a m*l, mas você sabe que nos dias de hoje é tudo muito violento e desrespeitoso, não tem como afirmar se as intenções dele são o que realmente pareceram. - Amiga, obrigada por se preocupar comigo, de verdade, mas preciso fazer isso sozinha. Vou levar ele naquela cafeteria que gostamos de ir e assim que eu sair de lá eu te aviso, prometo. Júlia resmungou um pouco e acabou cedendo, isso acontecia na maioria das vezes comigo as pessoas sempre cedem, carregar o sobrenome Borges é mais do que um privilégio, e se levar em consideração que sou a única herdeira e sucessora do meu pai no comando da empresa, faz com que quase todo o mundo esteja aos meus pés. Depois que minha mãe morreu quando eu tinha dezesseis anos Júlia e sua família me acolheram, meu pai é e sempre foi muito amável, carinhoso e presente sempre que possível, mas tocar um império como o que ele conseguiu construir somente com o suor do seu trabalho demandava tempo. O senhor Pedro é um homem muito poderoso, influente e importante. Quando eu completei vinte anos meu pai conheceu a Sandra, uma artista plástica talentosíssima, uma mulher forte, linda e independente e eu fiquei muito feliz quando eles se casaram. Por algum tempo éramos uma família perfeita: eu, meu pai, Sandra e Clarissa, filha da Sandra, mas não durou muito tempo. Terminei de revisar os projetos e conferir se a obra estava dentro do cronograma esperado, me despedi da minha amiga e parceira de trabalho e fui guardar meus IPIS e esperar por Carlos em frente da obra. Não precisei esperar muito quando o vi passar pela saída, ele estava totalmente diferente do funcionário enxerido de poucas horas atrás. - Pronto, dona, espero não ter feito a senhora esperar demais, tive que tomar um banho, sabe como é né não tinha como eu sair ao lado de uma mulher tão classuda vestido daquele jeito. - Tudo bem Carlos, vamos? Tem um café que costumo frequentar aqui perto, lá podemos conversar com calma. Conduzi Carlos até o meu carro e o caminho foi silencioso e curto até a cafeteria. Optei por uma mesa mais afastada onde pudéssemos conversar tranquilamente sem sermos ouvidos e muito menos interrompidos. - Seguinte, preciso que vá comigo a um ou dois eventos, o jantar de ensaio e, por fim, ao casamento. Obviamente conto com o seu total comprometimento e descrição, é muito importante para mim que todos fiquem convencidos de que temos afinidade e uma certa i********e. Quanto a valores, bom, estou consideravelmente acostumada em fechar negócios, mas neste caso não tenho a menor ideia de como prosseguir com esta, então estou disposta a escutar a sua proposta e espero que não me encare como um bilhete premiado. - Olha senhorita Marise, eu contraí algumas dívidas que não tenho como arcar, mas acredito que não seja muita coisa para a senhorita Borges, quero deixar bem claro para a senhora que eu jamais aceitaria ser bibelô de madame se eu realmente não estivesse precisando, acompanho a senhora em todos esses eventos aí, fique tranquila eu sei me comportar, a senhora não corre o risco de passar vergonha e nem nada do tipo, só preciso mesmo que me adiante algum dinheiro pois não tenho roupa para ir nesses eventos chiques da burguesia do país. - Quanto a isso fique tranquilo, podemos juntos escolher roupas e acessórios necessários para a ocasião e esse valor não será descontado do valor que fecharmos. Carlos falou o seu preço e honestamente achei a quantia bem menor do que eu havia pensado que ele pediria, ele se mostrou um homem sensato e nem um pouco aproveitador, mesmo a ocasião sendo de caráter duvidoso. Fechamos pequenos, mas importantes detalhes táticos, combinamos a mesma história: nos conhecemos na obra e fomos aos poucos nos envolvendo. - Sem querer ser ainda mais enxerido do que eu fui me intrometendo na conversa da senhora dona, por que está fazendo isso? Quero dizer, porque esse casamento é tão importante e ou tedioso para a senhora ir tão longe do que se rege os bons costumes? - Esse é um limite que não vamos passar, mas só para você não ser pego desprevenido é o casamento da enteada do meu pai com ... - Mari? Oi! Nossa eu não esperava encontrar você por aqui. - Bento? Oi a quanto tempo, não é? Bom, esse é o Carlos, Carlos este é o Bento um velho amigo e em pouco tempo marido da enteada do meu pai. - Prazer – disse apertando a mão – Sim, a apenas algumas semanas seremos família e isso é incrível. - Ah, sim. – Respondi ao afrontamento de Bento com o máximo de indiferença possível. - Posso apostar que sim. – Destilou Carlos com veneno escorrendo no canto esquerdo da boca. Com certeza ele sentiu que o clima havia ficado denso. – Bom, agora se puder nos dar licença, precisamos mesmo terminar nossa conversa. - Claro, me desculpem, até mais ver. – se despediu de nós com um aceno e se foi. - Olha dona a senhora não precisa explicar, mas acho que eu já entendi o que está acontecendo e vendo a falta de senso do engomadinho, pode ficar despreocupada, eu darei o meu melhor para que todos acreditem e sequer desconfiem do nosso trato. - Assim espero! Depois disso não teve mais nenhuma conversa, terminamos de comer em silêncio e levei Carlos de volta para a porta da construção, ele pegou sua moto e se foi enquanto eu fui embora para o meu apartamento.
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