Mia Robert
Faz vinte dias que o Imbatível não me chama até sua sala.
Ele veio à Arena lutar doze vezes, sim eu contei, assim como também contei as garotas que foram escolhidas por ele após as lutas, um número total de zero.
Sim, zero.
Todos estão estranhando o fato de ele não levar ninguém para a sua sala, já que aquilo era um tipo de ritual para ele.
Muitos estavam especulando o motivo da mudança, ouvi algumas meninas dizendo que ele devia ter arrumado uma namorada fora daqui, na sua vida privada.
Por algum motivo aquilo me incomodou e eu senti uma vontade repentina de chorar.
Elas podem estar certas, ele pode ter conhecido alguém que faz parte do mundo real lá fora, alguém que conhece o homem por trás da máscara, que tem cada traço do seu rosto memorizado na mente.
Mas ele ainda me observava através daquele vidro, eu podia sentir seus olhos sobre mim, queimando a minha pele como algo físico.
Uma parte de mim queria que ele me chamasse em minha sala, queria ouvir a sua voz novamente, outra parte minha era grata por ele ter me deixado em paz.
Não sei o que fez desistir de querer t*****r comigo, talvez fosse a nossa última conversa, ele entendeu que sou alguém quebrado e que tudo que possuo é a minha dignidade e percebeu que se tirasse isso também não me restaria mais nada.
Nataly me deixou em paz, nas poucas vezes em que estivemos no mesmo ambiente ela fingiu que não me viu e eu fiquei grata por isso.
Soube que o Rick recebeu alta do hospital e está na casa da mãe, ainda de repouso.
Apesar de saber que ele mereceu cada soco que levou, fiquei aliviada por saber que ele está bem, só espero que mantenha distância de mim.
No escritório as coisas vão muito bem, já me adotei totalmente, a rotina de trabalho e Lian tem me elogiado muito.
Tem sido bem cansativo ter dois empregos e às vezes acho que não vou dar conta, já até perdi peso, minhas roupas estão ficando folgadas em mim, mas não posso desistir, não enquanto não realizar o sonho de ter a minha casa.
Penélope_ Hei, está sabendo que o Imbatível está na Arena?
Pen fala ao se aproximar com uma bandeja vazia.
Mia_ É, eu imaginei que estivesse, o bar está lotado.
Penélope_ Ouve os seguranças comentando que ele vai lutar contra dois oponentes essa noite.
Mia_ Nossa! Mas isso não é perigoso? Dois contra um injusto.
Penélope _ Foi ele quem quis assim, as apostas estão altíssimas, a maioria acha que hoje o grande Imbatível perde a sua invencibilidade.
Eu tinha as minhas dúvidas, o Imbatível, batia com raiva, aquela era forma dele de acalmar os seus demônios.
Não sabia qual era a história dele, mas sentia que era algo muito profundo e obscuro.
Só isso explicaria a fúria com ele ia pra cima dos seus oponentes.
Mia_ Pois eu acho que ele vai ganhar.
Penélope _ Eu não, até fiz uma aposta, não tem como ele ganhar, são dois contra um Afrodite.
Dei ombros sabendo que o Imbatível podia até levar alguns socos mas ainda sairia do ringue como vencedor e seus oponentes provavelmente desacordados.
Penélope _ Porque não aposta se tem tanta certeza?
Mia_ Não sei.
Penélope_ Todos estão apostando contra o Imbatível, se ele vencer você pode ganhar um bom dinheiro.
Talvez fosse uma boa, eu tinha certeza da vitória dele, mesmo indo contra a todas as probabilidades e se eu ganhasse sozinha poderia sair daqui com o dinheiro para comprar a minha tão sonhada casa e não teria mais que me matar em dois empregos.
Mia_ Onde a gente faz as apostas?
Perguntei e ela me mostrou o guichê de apostas próximo ao ringue.
Tinha cinco mil dólares guardados, dinheiro das gorjetas que vinha juntando, fora o meu primeiro salário da Miller Corporation que havia recebido no dia anterior.
Apostei tudo no Imbatível, se eu estivesse certa como sabia que estava, ele não perderia.
Penélope _ Apostou?
Pen perguntou assim que me voltar.
Mia_ Sim.
Penélope _ Quanto?
Mia _ Todas as minhas economias.
Penélope_ Caramba, você acredita mesmo na vitória dele não é mesmo?
Mia_ Tenho certeza que ele vai vencer.
Penélope _ Pois eu acho que você jogou o seu dinheiro fora, não tem como ele vencer dois lutadores experientes de uma vez.
Mia_ Você disse que foi ele quem pediu para ter dois oponentes não foi?
Penélope_ Foi, porque?
Mia_ Por nada, vamos esperar pela luta.
Falei, pensativa, para o Imbatível ter pedido por isso ele com certeza estava fora de controle, por mais que isso em deixasse preocupada com o ele sabendo que provavelmente alguma coisa muito r**m deve ter acontecido para deixá-lo nesse estado eu sabia que sairia daqui com o bolso cheio.
Quando a luta começou não precisou a Pena insistir para que fosse assistir, estava ansiosa, e me adiantei chamando ela para ir até o ringue.
O Imbatível fora de controle como eu havia previsto.
Ele levou muitos socos sim, e pude ver algusn cortes em suas costas e braços, mas nata parecia afeta-lo, quando ele acertou um soco em cheio no rosto de um dos oponentes o cara caiu demaido tamanho foi o impacto, testando o segurando lutador, esse demorou um pouco mais mas quando caiu o imbatível foi para cima dele tomado pela fúria, eu achei que ele fosse matar o homem, gritei horrorizada vendo todo aquele sangue e por algum milagre ele parece ter me ouvido pois parou na mesma hora e se afastou me procurando em meio a multidão.
Ele apontou para mim e saiu do ringue e eu fiquei ali sem entender o que havia acabado de acontecer.
Só aí senti o meu rosto molhado e percebi que estava chorando, não só pela brutalidade que foi aquela luta, mas porque de alguma maneira sabia que ele estava sofrendo.
Penélope _ Ele te chamou de novo, você vai?
Fiz que sim com a cabeça, porque eu sabia que ele não ia tentar nada comigo, ele só queria alguém que o entendesse, alguém para cuidar das suas feridas.
Carlo veio até mim, temendo que eu recusasse o chamado do Imbatível é pude ver em seu olhar que ele me imploraria para ir até lá se me negasse, provavelmente por medo de ter que lidar com toda aquela fúria descontrolada, e eu fui, sai sem dizer nada só fui, sabendo que não poderia fazer muito, mas estaria ali por ele, uma coração quebrado sempre reconhecerá o outro. . .