1 semana depois...
Malina Bianco
Após o ocorrido com a Alberto, o levei em uma oficina que cobraram quase metade do meu salário para o concerto.
No entanto, agora o mesmo está funcionando perfeitamente bem, o senhor Bianchi não tem aparecido muito na empresa, e quando vem parece estar me evitando a todo custo.
Me pergunto se foi alguma coisa que disse ou falei.
Seu comportamento está totalmente diferente do que estava quando voltou, anda desleixado, deixandos sua mesa bagunçada e ontem achei duas garrafas de whisky sobre a mesma.
__ bom dia loli.__ digo, me sentando a mesa junto com ela.
__ bom dia filha, dormiu bem?
__ sim.__ falo e começo a tomar meu café.
Conversamos por alguns minutos, depois segui para a garagem mas ao entrar no carro e dá partida, ele simplesmente parou.
__ droga! Vamos lá Alberto, por favor, acabei de te levar no concerto amigo.__ murmuro, ligando e desligando o veículo e de nada adianta.
Suspiro irritada e saio do mesmo, voltando para dentro.
__ Loli, aqui tem algum ponto de ônibus que passe agora?__ seus olhos me fitam e sorrio.
__ já sei, ele não presta nem como carro.__ falamos juntos a última parte e sorrimos.
__ não, mas você pode chamar um táxi.__ diz e me entrega uma agenda com vários números de taxistas.
Olho para a mesma curiosa e ela apenas dá de ombros.
__ não me olhe assim, eles frequentavam minha cafeteria, e bom, sempre trocavam uma carona por café.
__ mais uma prova de que o seu café, é o melhor da Itália.__ digo beijando sua bochecha e ligando para o taxista.
Combino o endereço e espero que buzinem o que não demorou muito.
__ beijos, te amo.__ falo e ela me abraça, dando um beijo em minha bochecha.
__ eu também filha.
Adentrei no veículo e pedi baixinho para que hoje, especialmente hoje, o senhor Bianchi não tenha chegada cedo.
Sempre as sete e nem um minuto a mais.
(...)
__ Está atrasada! __ esbraveja e suspiro.
__ sinto muito senhor, é que o meu carro morreu, e tive que esperar um táxi.__ explico, mas sua expressão ainda é furiosa.
__ arrume a sala de reuniões, quero ela pronta em dez minutos e sem atrasos.__ diz, dando ênfase na palavra atraso.
Saio apressada da sua sala e caminho para de reuniões, arrumei tudo, sobre a mesa e esperei os sócios chegarem.
No entanto eles demoraram muito, mandei mensagem para o senhor Bianchi, e o avisei que esperaria eles chegarem.
E quando chegaram, fiquei surpresa, olhei meu relógio já estava no fim do meu expediente.
Homens incrivelmente lindos e assustadores.
__ bom dia senhorita, onde está o Bianchi?__ um deles me pergunta e fico surpresa com seu olhar impactante sobre o meu rosto.
" vamos lá, você não vai gaguejar na frente deles"
Meu sub-consciente dizia e tenho que concordar com o mesmo.
__ vou chama-lo, por favor, aguardem. __ falo, e me dirijo para fora da sala, sentido os olhares daqueles homens queimando a minha pele.
E foi uma sensação muito r**m.
Quando me distanciei da sala parei e respirei fundo, acalmando o meu coração.
Essa foi uma das poucas vezes que estive sozinha no mesmo ambiente com muitos homens, e a sensação nunca é de conforto, minha mente flutua para o dia que minha casa estava repleta de seguranças.
Abri a porta sem bater e ao adentrar a sala me deparo com o senhor Bianchi em pé de costas, com uma loira bonitona que gemia seu nome.
E assim que ela me viu, cessou na hora.
Eu fique envergonhada quando o mesmo se vira para mim, encarando meu rosto com fúria.
__ mas que merda! Não sabe bater!__ esbraveja e coro.
Se tivesse um buraco para eu me esconder, certamente o faria agora.
__ vistasse!__ diz para a moça, que ajeita o vestido, em seguida ele lhe dá um selinho e ela vai embora.
Mas nem o beijo da moça, foi capaz de acalmar a fúria contida em seu rosto.
__ é, é, é, é s-s-senhor Bianchi, foi sem querer, os seus sócios...__ fui dizendo e andando para trás até bater de costas na parede e ele avança sobre mim.
__ por que? Por que você me tortura desta forma?__ diz fitando o meu rosto e seu olhar desce para os meus lábios.
__ não fiz por querer.__ digo e ele suspira, encurralando-me na parede com seus braços.
__ claro que não, você é um anjo.__ diz irritado.
__ escute aqui, mas escute com atenção, mesmo que você trabalhe para mim, não quer dizer que pode entrar em minha sala sem a maldita permissão! Entendeu?
O encaro séria, respiro fundo e começo a falar.
__ sim, entendi, mas a sala não é só sua, enquanto o senhor estava fora, Sara e eu cuidamos de tudo, não estou jogando na sua cara, só estou dizendo que se não fosse para bater em sua porta, minha mesa não estaria aqui.
Agora sim, sua expressão está pior ainda.
__ e você ainda acha que pode me questionar?
__ não estou questionando senhor Bianchi.__ falo e seu rosto parece confuso, me olhava e parecia estar travando uma batalha interna.
__ está sim!__ esbrajeva e suspiro.
__ não estou, a única coisa que faço desde que estou aqui é ajuda-lo arrumar a sua bagunça, achei que fosse por ser um relaxado mas vejo que me enganei, a empresa é sua, pode fazê-la de motel quando quiser, mas a partir de hoje, não arrumarei mais mesa pós f**a de ninguém.__ falo saindo de perto dele, e indo para o outro lado da sala.
Mas antes de alcançar a porta, ele segura em meu braço, fecha a porta e me empurra contra a mesma.
Os olhos dele, estavam me deixando estranha, uma sensação de formigamento entre as pernas, parecia que ele podia ver a minha alma.
E também lutava com algo dentro de si.
__ você é o próprio demônio.__ diz e seu olhar desce novamente para os meus lábios.
__ o senhor deveria me soltar... os sócios estão esperando.
__ que se fodam!__ diz alto e se afasta de mim.
__ você vai fazer o que eu quiser que faça, e no momento, vai arrumar a minha mesa.
Ele só podia estar brincando.
__ não irei senhor.
__ vai sim, ou está fora.
Reúno todo minha coragem e fito seus olhos.
__ então, me considere demitida.__ falo e saio da sala dele, sem lhe dar o direito de resposta.
Pego o elevador e o xingo mentalmente.
__ i****a, quem ele pensa que é? Alguma espécie de deus grego? Não estudei anos para me formar e arrumar mesa pós f**a de ninguém, não saí da lama para me humilhar de novo.
Grito irritada e agradeço quando o elevador abre, sigo para a garagem e ao chegar lá me dou conta que não trouxe o carro, e quando iria me dirigir para a entrada da empresa sou impedida por alguém puxando meu corpo para frente.
__ você não pode ir.
__ não irei limpar sua mesa, enquanto estiver fodendo puttanas em cima dela.
__ que linguagem é essa senhorita Bianco?__ me questiona e novamente fita meus lábios.
__ não sou mais sua funcionária, e pare de olhar para minha boca.__ assim que falo, seus olhos desviam para os meus.
__ perdão.
__ tudo bem, estou indo.
__ não!__ exige e sorrio sem ânimo.
__ não as levarei mais.__ explica e suspiro.
Me mantenho calada e começo a pensar se quero realmente trabalhar com este senhor desequilíbrado.
__ ah, qual é, quer que eu aumente o seu salário?
__ não, eu aceito! Agora volte para sua reunião.
__ eu cancelei.
__ por quê?
__ porque, não podia deixar que você fosse embora com raiva de mim.
__ por que se importa?
__ de verdade?__ me pergunta olhando em meus olhos, e só espero a resposta.
__ não sei.__ diz e senti que foi sincero.
__ tenho que ir para casa.
__ me deixe leva-la.__ pede e estava tão cansada de discutir com ele que acabei aceitando de bom grado.