Itália- nove anos atrás.
Ethan
__ vamos lá amigo, ou você vai furar de novo?__ George me questiona e sorrio.
__ você sabe que eu não sou flor que se cheire, mas sabe bem mais que eu, que se formos pegos estaremos muito, muito ferrados.
George é um dos caras que conheci na Sicília em uma corrida, comecei ano passado, faltando alguns meses para completar quinze anos, papai vive muito ocupado com assuntos da máfia que não notou o sumiço da sua Ferrari.
A pista onde corremos é ilegal, não vejo problema já que a polícia não se envolve em nada da máfia.
__ não posso, tenho que buscar a minha sorella na escola.
Desde que a Carolsita iniciou os estudos Miguel e eu somos uma pedra no sapato dela, minhas aulas são a noite e as dela a tarde, tenho de ir buscá-la mais tarde, Miguel vai ajudar papai e não poderá ir.
__ ah, qual é, vamos lá, você volta antes dela sair.__ Aaron diz e eu suspiro.
__ um momento.__ digo, retiro meu celular do bolso e ligo para a caçula Bianchi.
No primeiro toque ela atende.
__ maninho? Tudo bem?
__ oi, sorella, hoje é a minha vez de te buscar, mas quero ir correr um pouco, se você disser que não eu não vou.__ falo e escuto sua risada.
__ ah, qual é, pode ir, hoje vamos sair um pouco mais tarde, então vá fazer seu racha e não quebre o carro do nosso pai.
__ sabe que sou responsável.
__ e eu a primeira dama dos Estados Unidos.
__ Caroline Bianchi!
Escuto novamente a sua risada e sorrio também.
A risada da minha irmã e algo contagiante, ela sempre contava piadas sem graça alguma, mas quando sorria, ninguém era capaz de ficar em silêncio.
Sempre a acompanhavamos.
__ era só isso? Tenho que ir para aula de matemática.
__ sim, até mais tarde.
__ até mais tarde amore mio.
__ te amo.
__ te amo muito mais.__ fala e beija o celular, ela sempre faz isso quando a gente se fala.
Encerramos a chamada e fito os dois idiotas a minha frente.
__ está certo, vamos lá.__ digo e adentro a Ferrari amarela do meu pai.
Correr está no meu sangue, desde que descobri minha paixão por carros, meu interesse na garagem lá de casa aumentou de dez a cem, muito rápido.
(...)
__ qual vai ser a aposta de hoje?__ Aaron pergunta e piso no acelerador, no entanto, não dou partida.
__ que tal esse carro aí.__ digo olhando para a BMW preta e ele morde os lábios.
__ tá maluco? Meu pai me mata se eu sumir com o carro dele.__ George fala e Aaron entra no Porsche do pai dele.
Somos jovens e inconsequentes, mas existem pessoas que nos chamam de filhinhos de papai, que se fodam, só estou me divertindo sem ferir ninguém.
O único risco que corremos é se a polícia na pior das hipóteses decidir que quer enfrentar a famiglia.
Meu pai cortaria meu p*u fora, eu tenho certeza.
__ vamos.__ falo e aceleramos pela pista.
George conseguiu uma vantagem de Aaron e deixei que os dois brigassem entre si.
Meu celular começou a tocar, apesar de ser um i****a, eu sei bem que não se deve atender celular no volante.
Já estávamos na última pista, se eu não avançasse agora, perderia a corrida, e o fiz, avancei rapidamente e não demorei a alcançar Aaron, que xingou-me de filho da p**a, e mandei um beijinho para ele.
George estava ziguezagueando na pista e impedindo a minha passagem, só havia uma maneira de passar.
Coloquei meu carro, lado a lado com o dele, e avancei o máximo que pude, e passei do mesmo, porém, ele avançou também, e passou novamente.
__ perdeu ruivo!__ disse, mostrando o dedo do meio e sorrio, vendo o mesmo avançar.
__ você que pensa.__ digo e piso fundo no acelerador, logo alcancei, fazendo-o se assustar.
__ astalabista baby__ falo acelerando e passando a linha de chegada.
Saio de dentro do carro, e ele me cumprimenta.
__ mandou bem, mandou muito bem cara.__ diz batendo em minha costa, e olhamos para Aaron estacionando o carro dele.
__ aquilo foi uma briga de cachorro grande, observei tudo de camarote.__ diz e me parabeniza também.
__ ok, foi divertido, agora preciso buscar minha irmã.__ digo e ambos sorriem em concordância.
Pego meu celular no carro, vejo que há duas ligações perdidas do Miguel, e uma mensagem de mídia de um desconhecido.
Abri a imagem e meu coração parou.
__ ei, o que houve?__ Aaron me pergunta e entro do carro, jogo o celular no banco e avanço para a escola.
Só poderia ser uma montagem, uma montagem muito m*l feita.
Meus olhos ameaçam lacrimejar e a cada vez que eu furava um sinal era nela que eu pensava.
__ MERDA! SAIA DA FRENTE SEU i*****l!__ grito para um carro e o homem barbudo me xinga quando o ultrapasso.
Quando finalmente cheguei na escola, eu respirei fundo e meu nervosismo aumentou quando vi meu pai e Miguel parados na frente do prédio em que minha irmã estuda.
__ Pai, Miguel!__ os chamo e eles me encaram com um olhar triste.
__ onde estava?__ papai me pergunta e respiro fundo.
__ por aí.
__ deveria estar aqui, deveria ter vindo buscá-la.
__ pai, eu, não sei.
Ele suspirou e encarou meus olhos.
__ desculpe filho, sei que não teve culpa, mas é... como vou te falar isso.
__ veja isso.__ falo e mostro a mensagem para ele.
__ desgraçados!__ pragueja e passa a mão no cabelo de forma nervosa.
__ pai, eu… Sinto muito, eu deveria ter vindo mais cedo.__ digo e ele me abraça.
__ ei, não, você não tem nada a ver com isso, é o Ramon... droga! Eu deveria ser mais cuidadoso.__ diz bastante chateado e eu suspiro engolindo o bolo que se formava em minha garganta.
__ você vai voltar para casa, sua mãe já está sabendo, e eu e seu irmão vamos tentar achá-la entendeu.__ diz e suspiro.
__ pai... ela está desmaiada aqui… E se…eles.__ falo deixando meu desespero falar mais alto.
__ por favor filho, faz o que pedi a você.__ diz suplicante e concordo, adentro o carro em que vim, mas o nosso motorista já estava no banco da frente e não ousei questionar e nem dizer nada.
Quando chegamos em casa, mamãe me atacou logo na entrada.
__ Você! Você! É o culpado disso, era para estar esperando ela, e estava correndo feito um t**o por aí, você é um imbecil.__ diz desferindo um tapa em minha face e não revidei, nem com palavras e nem com agressão.
Como eu poderia revidar algo que era verdade, se eu não tivesse ido para essa corrida, minha irmã poderia estar salva.
Mas só pensei em mim, mesmo ela dizendo que iria sair tarde, eu deveria ... poderia...
Meus olhos começam a lacrimejar e subo correndo para o meu quarto e me tranquei lá, por duas semanas, semanas que passaram de forma monótona e a minha culpa só aumentava, e piorou ainda mais quando terminei de tomar banho, escutei meus pais brigando, e mesmo que Miguel falasse alto sobre outros assuntos, eu escutei toda a discussão.
E de repente meu pai abriu a porta do quarto e puxou Miguel para fora, devia ser algo em relação à Carol e por instante meu peito se encheu de esperança.
Escutei meu celular tocar e era uma mensagem, e quando eu abri o celular caiu de minhas mãos.
Era a minha irmã, com o corpo muito, machucado, ferido, e sangrando, o cabelo dela estava cortado, os olhos sem vida e estava nua, com sangue nas partes íntimas... e... e... a culpa era toda minha.
Única e exclusivamente minha, a Caroline morreu por minha causa.
Meu peito dói tanto, não sei descrever, minhas mãos estão trêmulas e é como se o sangue dela estivesse em mim.
__ ah...__ gemo de frustração e dor, meu pai deve ter ido buscá-la, e tentou me poupar da dor.
Se ele soubesse, que aquela imagem acabou comigo dez vezes mais do que se eu visse pessoalmente.
Mas estava errado, eu mereço, mereço sentir esta dor que minha alma sente, a culpa de carregar a morte da minha irmã para sempre.
Minha mãe esteve certa a todo momento, agi como um adolescente t**o, ela só tinha quatorze anos, e eu.. eu não a protegi...
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E essa introdução ?