Capítulo 1

1858 Palavras
Em um dia de jogo de basquete, tudo pode acontecer. Não importa se você teve ou não a intenção de ir, qualquer coisa pode sair fora do planejado. E com toda certeza eu não estava planejando ficar preso com Adam Cooper num armário com sua perna presa entre minha coxa. Onde qualquer tipo de movimentação, tanto minha quanto dele, poderia causar uma reação um tanto quanto indesejada. Na verdade, pior... Já estava causando. — Você... — Adam começa a falar, tentando disfarçar a ENORME reação que estava se formando entre suas pernas. — Tem certeza de que não trouxe o celular? — E-eu esqueci na minha mochila dentro do carro! — digo rapidamente, tentando olhar para qualquer lugar naquele armário que não fosse ele. Meu rosto estava tão quente que eu parecia que ia derreter. Meu Deus, como isso foi acontecer! **** Algumas horas antes... — Taylor, você está prestando atenção ao meu discurso? — questiono meu amigo e colega de laboratório mais uma vez desde que entramos no seu carro. — Não, e não preciso escutar, já que decorei tudo desde duas semanas atrás. — Taylor revira os olhos assim que estaciona o carro na frente da escola. — Henry, seu discurso está bom. Tenho certeza de que os caras da faculdade e o professor da NASA vão amar ele e seu projeto. Você vai conseguir essa bolsa. A certeza dele é tão forte que chega a me comover, mas ainda não é forte o bastante para encher minha confiança. Mesmo assim, eu tento não decepcioná-lo e apenas concordo com suas palavras, o que não parece convencê-lo muito bem. — Escuta, você vai ficar bem. — afirmou novamente, passando seu braço ao redor de meus ombros. — Não tem como eles negarem um projeto do gênio mais incrível da nossa escola. Uma vez você me falou que já foi preso pelo FBI! — Não exatamente preso... — o corrijo, não querendo que ele tenha uma ideia errada sobre mim. Sim, já fui pego pelo FBI uma vez quando tentei acessar os projetos da NASA só para saber mais sobre seus novos lançamentos no espaço e dei de cara com uma pasta ultra secreta do governo. m*l cheguei a acessá-la quando o FBI bateu na porta de casa. Fiquei 3 horas explicando o motivo de ter feito isso até finalmente ser liberada com uma possível ameaça dos agentes de que, se me pegassem fazendo isso de novo, eu com certeza sumiria do mapa. — Ficar três horas numa cela para questionamento também conta como prisão, sabe? — Taylor apertou meu ombro, como algum tipo de incentivo para me animar. — E agora você me prometeu que íamos assistir o time de basquete jogar e ver aquelas lindas garotas pular no ar com aquela sainha minúscula. — Você sabe que elas usam short por baixo, né? — Isso nunca foi um impedimento para apreciar a vista. Dando mais um aperto no meu ombro, Taylor se libertou do cinto de segurança e, antes de abrir a porta do carro, ele deu uma última olhada para mim. Analisando meu suéter, cabelo e, por fim, o notebook em meu colo. — O notebook fica — disse, olhando para meu notebook como se estivesse enjoado. — Nem ferrando! — Henry, hoje é um dia para a gente se divertir. Não é um dia para você trabalhar no seu projeto. — Com uma das mãos, ele fechou o notebook em meu colo. — Agora deixe isso aí e vamos assistir aos jogos. — Depois vamos embora? — questiono, guardando meu notebook na mochila que eu trouxe e deixei jogando na frente. — Depois, quando der 20 horas, vamos para a festa de comemoração! — Taylor se anima e abre a porta do carro, mas antes de colocar um pé para fora, ele se vira para mim de novo. — E sim, a gente não foi convidado. Mas ninguém nunca é e sempre vai para essas festas. Abri a boca para dizer todos os motivos para não ir, mas meu melhor amigo já tinha saído do carro e estava de frente para ele, fazendo sinal com as mãos para que eu saísse de uma vez. Taylor é meu único amigo e fico feliz de ter pelo menos ele comigo, mas em alguns momentos, quando estou com ele e acabo saindo da minha zona de conforto, me bate uma saudade de ser o garoto solitário da escola. Suspirei fundo, ainda olhando para Taylor, que fazia gestos com as mãos para que eu saísse de uma vez no carro. Eu tenho duas opções nesse momento, seguir a orientação de Taylor, assistir o jogo e ir para festas fazer amigos ou "pegar" garotas, como é o plano dele. Ou eu posso aproveitar o fato de que ele esqueceu a chave dentro do carro, de novo, e ir embora. Ele parece que nem notou isso, mas no momento em que minha mão vai até a chave do carro, ainda na ignição, sua cara brava passa a ser de pânico. Realmente, não é uma má ideia fugir. Taylor começa a negar com a cabeça e as mãos, percebendo minhas intenções agora. Seria uma boa ideia, mas eu apenas tiro a chave da ignição e saio do carro para seu alívio. — Eu não sei dirigir, i****a. — Lembro-o, jogando a chave de volta para ele, que a pega no ar. — Bora logo ver esse jogo. A cara de alívio dele era tanta que me fez rir de leve quando o medo dos seus olhos se foi. — Não me mata de coração assim, cara. — Taylor jogou suas mãos sobre meus ombros, me puxando para dentro da escola. Nunca pensei que chegaria um dia em que veria um jogo dessa escola ou que veria os corredores lotados de pais e alunos entrando nas salas para ver o progresso dos seus filhos. A Escola Lumina sempre faz com que os jogos do time de basquete daqui sejam inesquecíveis. Uma festa atrás da outra, tudo para atrair bons doadores de dinheiro e dar mais incentivo a famílias ricas a matricularem seus filhos aqui. Não tenho muito tempo para continuar observando e julgando as pessoas, que são facilmente convencidas pelos professores, já que Taylor me puxou para irmos de uma vez para o ginásio. — Podemos ir para o laboratório por um tempo? O jogo só começa às dezoito e meia. Ainda temos uns trinta minutos. — Peço, deixando que ele me guie ao ginásio. — Se eu deixar você sozinha no laboratório, é capaz de você nunca mais sair ou causar outro desastre como o "fogo amarelo" do ano passado. — Foi só uma vez e se pegou fogo, quer dizer que deu certo. — disse, e mesmo Taylor estando de costas para mim, eu sabia que ele estava revirando seus olhos ao ouvir-me falar. — O laboratório todo pegou fogo e você quase foi expulso, eu não quero nem saber o que foi que deu certo... — comenta, com aquela mesma voz alegre e um pouco abatida por se lembrar disso. Penso em rebater, mas fico em silêncio quando finalmente achamos a porta do ginásio e entramos. Como eu esperava, havia muitas pessoas nas arquibancadas e os únicos assentos livres eram aqueles próximos às líderes de torcida que se aqueciam. Taylor percebia aquilo como sua chance de ouro. Ele finalmente tem a chance de se sentar perto das líderes de torcidas e acompanhá-las bem de perto. Principalmente a capitã delas, a Rebecca Heart. Queria dar meia volta, mas Taylor foi rápido em me puxar para a arquibancada da frente, o que nos dava a visão perfeita das líderes de torcidas fazendo seus alongamentos e aquilo por si só já era todo o divertimento que Taylor precisava. — Sabe, Taylor, acho impossível a Rebecca se apaixonar por um cara que fica olhando para ela igual a um… — começo, olhando para ele de cima abaixo, começando a sentir nojo da pequena babá que saía da sua boca. — O que? Apaixonado? — Um maluco p********o. — completo, arrancando boas gargalhadas dele. — Ah, seria incrível se ela pelo menos me notasse, mesmo que fosse desse jeito. — Suspirar, dando aquele falso ar de cachorrinho triste. — Mas infelizmente ela já está saindo com alguém. — Quem? — pergunto, apenas por perguntar, não estando muito curioso com a resposta. Taylor aponta para um dos jogadores do time, sem tirar os olhos de Rebecca, que estava orientando uma das garotas. — Adam Cooper. — Ao dizer isso, eu me viro para ver a pessoa que ele estava apontando. Mesmo sem ver, Taylor conseguiu acertar muito bem a pessoa que estava apontando com o dedo. Adam Cooper, ninguém menos que o capitão do time de basquete. Cabelos loiros, olhos azuis e um físico de dar inveja aos outros. Assim como eu, ele também está no último ano prestes a se formar e, durante os anos que estudei nessa escola, nunca sequer trocamos uma palavra. Mesmo tendo três aulas juntas esse ano, nunca chegamos a interagir e espero não ter que interagir. Adam estava treinando seus arremessos nas cestas. Sem esforço algum, ele acertava todas. Analisei com cuidado, seus braços eram fortes, mas nada muito extremo que ainda deixasse ele parecido com um jovem de dezoito anos igual a mim. Também analisei sua barriga trincada quando ele levantou sua blusa de time e limpou seu rosto, ele não parecia suado e mesmo assim ele fez. Voltei a focar no rosto dele e observar cada traço do seu rosto. Adam sorriu de leve para um dos colegas que se aproximou deles, revelando a formação de uma pequena covinha que se formava aos poucos, mas depois sumiu. — Henry, por favor, pare... — Hum? — Taylor colocou a mão em meu ombro, chamando minha atenção para voltar para ele. — Você está basicamente comendo o cara com os olhos. Bem pior que eu com a Rebecca. Ok, ele com certeza estava exagerando. — Eu não estava, estava só... Analisando-o. — Ouvir isso saído pela minha boca não deixa de ser estranho. — Analisando? — Taylor não disfarça seu sorriso e nessa hora sinto meu rosto esquentar, torcendo para que ele não continuasse a pergunta. — Analisando o que exatamente? Eu o odeio. — Sua... Sua... — d***a, por que pensar em uma desculpa era tão difícil? Na verdade, nem é uma desculpa, mas sim uma verdade vergonhosa e a única que faz um pouco de sentido. — Sua beleza e eu constatei que você não tem a menor chance. Lancei a ele um olhar de pena, enquanto colocava minha mão em seu ombro como uma espécie de apoio. — Lamento. — ... É só dizer que queria dar para ele também, eu super entenderia e aceitaria você. — Fala sem o menor pudor do quão envergonhado eu fiquei com isso. — Sendo honesto, eu também daria para ele. — i****a! — grito, acertando um soco em seu ombro, fazendo-o gemer de dor de leve. — Isso nunca vai acontecer. — Acho que já ouvi isso em algum romance... Lhe dei mais um soco para calar essa boca.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR