Medusa Narrando...
Estava tomando café com a Madu e a Alice, quando o jacaré liga pra mim, falando pra eu subir que o dono do morro queria trocar idéia comigo, eu questionei pois o mesmo tinha me dito que seria amanhã. Na hora uma voz grossa ecoa do outro lado da linha, me arrepiou, mas ao mesmo tempo fiquei p**a da vida quando ele totalmente autoritário mandou eu subir em 10 lá, e desligou. Filho duma mãe, porrä ele é o dono do morro, mas não tem esse direito não
- Madu, eu vou precisar subir, você fica com a Alice um pouquinho _ peço pra ela que assente mordendo seu pão
Madu - Claro amiga, vai lá amor_ pisca pra mim e Alice corre em minha direção, grudando na minha perna
Alice - Mamãe num vai, oshe disse que ia fica tumigo hoje, pu favor mamãe _ pede com a voz chorosa e eu inclino pegando ela no colo
- Filha a mamãe vai rapidinho tá, eu já volto ficar com você prometo _ beijo seu rostinho - vai com a tia madu que a mamãe vai resolver um assunto _ desço ela
Alice - Não demola _ fala e eu assinto sorrindo pra ela
Pego a chave da minha moto, e saio de casa, subo na minha moto diretão, ligo e meto marcha pra boca principal. Passo pelas vielas cortando caminho, graças a Deus peguei rápido a manha e consigo manobrar muito bem a minha moto aqui. Paro em frente a boca e desço da moto, sentindo olhares sobre mim, ajeito meu shortinho e entro na sala. Me deparando com o tão temido dono do morro, olho a corrente de ouro no seu pescoço com o seu Vulgo Ret, seus olhos param em mim, ele transmite muita frieza, mas eu não baixo o olhar, e continuo encarando o mesmo que se levanta e vem em minha direção. O silêncio nessa sala chega a ser perturbador, pois nenhum de nós diz nada, mas parece que estamos nos confrontando apenas com o olhar.
Jacaré - Paizão, vou esperar lá fora, que o clima aqui esquentou e até eu tô sentindo o calor _ fala nos tirando do transe, e o tal dono do morro somente encara ele que levanta as mãos em sinal de rendição - Não está mais aqui quem falo, depois tu me passa o rádio que eu volto pra nois desenrolar as zideia Jae
Ret - Jae_ fala voltando a me encarar, e o jacaré sai da sala fechando a porta - Fala tu Medusa, tá fazendo o que aqui _ pergunta de cara fechada e enfiando as mãos no bolso, sentando na ponta da mesa e me encarando sério
- Você quem me chamou aqui_ digo na lata e ele me fuzila como se eu tivesse dado um tapa em seu rosto
Ret - Eu quero saber o que você tá fazendo no meu morro, sem motivos você não estaria aqui, algum bagulho aconteceu pra tu ter vindo refugiar aqui_ sinto um arrepio percorrer por todo o meu corpo, me fazendo lembrar do maldito motivo que eu vim me esconder no morro, mas eu não vou dizer isso a ele, não vou mesmo - Pode começar a desenrolar essa fita pra mim, sem câo, tu não tá lidando com qualquer um não c*****o
- Em nenhum momento eu disse que estava falando com qualquer pessoa, eu não tenho nada a dizer pra você, nada_ digo seria e só sinto a sua mão no meu pescoço me pressionando contra a parede, eu seguro sua mão tentando tirar do meu pescoço mais é em vão - Tira suas mãos de mim ..
Ret - Tu tá achando que tá falando com quem sua filha da putä do c*****o_ vocifera contra o meu rosto e eu sinto um ódio percorrer por todo o meu corpo, nunca deixei o Humberto falar desse jeito comigo, não vai ser ele que eu vou deixar
- Tira as mãos de mim, você pode ser o dono da porrä toda, mas não é dono de mim _ afronto olhando dentro dos seus olhos, sentindo o cheiro do seu perfume - eu apenas trabalho pra você..._ ele n**a com a cabeça
Ret - A partir de hoje tu não trabalha mais pra mim, pega a visão, tu levou sorte que hoje acabei de chegar e tô cheio de b.o pra resolver, se não tu ia levar o teu por essa afronta_ ameaça com ignorância apontando o dedo no meu rosto e em seguida solta o meu pescoço
- Você não pode tá falando sério, eu preciso continuar trabalhando aqui Ret_ falo seria mesmo sentindo um desespero na alma, não vou demonstrar isso aqui pra ele
Ret - Não quero saber, a única coisa que eu quero é que tu abra a boca e fale o que aconteceu pra tu ter vindo parar no meu morro, vai falar _ pergunta altivo e eu engulo seco - então tu reza muito, porque eu vou revirar todo o seu passado, cada passo teu e eu vou descobrir, se tiver alguma coisa relacionada a alemão, tu vai de arrasta pegou a visão_ ele tira do bolso um malote e me entrega, eu reluto e não pego, eu preciso de trabalho, não posso parar de jeito nenhum - Pega
Eu não respondo nada, simplesmente dou as costas pra ele, e saio dali, ouvindo ele me chamando, me xingando de vários nomes, mas eu só subo na minha moto e meto marcha. Sinto meu coração acelerado parecendo que a qualquer momento ele vai sair pela boca. Quem o Ret pensa que é pra me tratar daquele jeito, se ele pensa que eu sou alguém que vai abaixar a cabeça pra ele, não vou mesmo de jeito nenhum. Eu confesso que quando ele disse que vai revirar o meu passado me gelou, porque ninguém pode saber o que me trouxe aqui. Se o Humberto descobre onde eu estou, sem dúvidas nenhuma ele vem atrás e não posso permitir que ele descubra e nem conheça a minha filha. Paro com a moto em frente a minha casa e entro, minha filha grita pra mim e vem correndo ao meu encontro
Alice - Mamãe, oche já chegou _ pego ela no colo e a aperto em meu braço
- Sim meu amor, eu prometi que iria voltar logo, lembra _ ela assente beijando o meu rosto - te amo muito muito minha princesa
Alice - Te anu mamãe _ fico um tempo abraçada com ela
Depois coloco um desenho pra ela assistir, e a mesma fica deitada no sofá, se esticando todinha. Suspiro fundo e a Madu vem ao meu encontro
Madu - O que ele queria amiga_ pergunta e eu chamo ela pra gente sentar na cozinha
- Amiga, ele não vai me deixar trabalhar mais no movimento, disse que iria mexer no meu passado pra descobrir o porque viemos parar aqui _ digo e ela arregala os olhos
Madu - E agora ?_ dou de ombros - por que você não tenta falar com o jacaré
- Madu, mas o dono do morro é o Ret, se ele dizer que não é não, e isso que tá me deixando preocupada_ digo apreensiva passando a mão no rosto
Madu - Eles devem ser amigos, da pra você arriscar, ou você quer ir embora daqui e ir pra outro lugar _ n**o com a cabeça
- Agente não pode sair daqui, Humberto é deputado, um grande milagre ele ainda não ter descoberto onde estamos, não posso arriscar com a Alice Madu _ digo e ela assente amarrando o cabelo
Madu - E se você contar pro dono do morro o que rolou, será que ele não deixa você continuar no movimento _ fala baixo e eu n**o dando um sorriso desanimado
- Amiga, se você vesse a forma escrota que ele falou comigo, não dá pra falar um coisa dessa não, é bem perigoso ele expulsa daqui do morro sem pensar duas vezes _ digo pensativa e eu começo a contar os detalhes pra ela
Madu - Que homem escroto, caraca medusa, não dá é sério, depois dessa até eu queria arrastar a cara dele no chão, ele que não ouça _ diz e eu dou risada
- Deixa ele amiga, se o mesmo acha que vai me tratar de tapete, que vai ficar pisando em mim, tá muito enganado, isso tá longe de acontecer _ digo pensativa e continuamos conversando. Confesso que eu estou preocupada em relação a decisão do Ret, tô pensando seriamente em pedir auxílio pro Jacaré, eu não posso ficar sem uma renda, tenho uma filha de três anos pra criar, e ela é totalmente dependente de mim...
CONTÍNUA...,