Calina
— Hora de trabalhar Lia! — Disse entrando no laboratório prendendo meu cabelo.
— Bem-vinda de volta Calina, todos os sistemas estão inicializando e estarão disponíveis em breve, tome um café e tenha um bom dia. — Em segundos começou a tocar Highway Hell.
Foi o melhor software que já criei para ela. Sorrindo peguei o café quente que estava a minha espera indo até a bancada tecnológica, com dois toques ergui a mão fazendo hologramas subirem juntos.
— Me atualiza Lia. — Pedi tomando um gole do café.
— O tecido precisa de revisão. Ha uma falha na absorção de impacto e resistência. — Lia projetou uma simulação me mostrando o tecido rasgando.
— Aumente os naniteos e partículas de grafeno em 10%, vai ajudar a manter a estruturação do tecido e dar resistência. — Larguei a xícara estalando os dedos. — Que tal vermos os seus olhos agora...
Com um toque na tela segurei um glóbulo ocular usando pinças holográficas eu ajustava os circuitos para que os robôs do Christian reproduzissem na construção.
— O que acha de uma visão noturna Lia? — Perguntei sorrindo olhando para seu holograma ao meu lado.
— Poderei te ajudar em ambientes escuros.
— Poderá... Também vai conseguir enxergar melhor do que as águias...
— O protótipo do tecido está pronto.
— Ótimo.
Soltei as pinças me levantando e pegando o tecido de uma espécie de impressora. Parecia resistente, ótimo.
— Calina, Livinia pediu para que fosse jantar. — Avisou Friday.
— Pode avisar que vou em uma hora?
— Ela disse que caso não vá ela cortará a alimentação de energia do laboratório.
Droga, ela já aprendeu a me manipular. Revirando os olhos pedindo para a Lia desligar as luzes do laboratório e me avisar quando os globos oculares estivessem prontos me levantei saindo.
Ao chegar à sala de jantar Christian e Livinia estavam lá se servindo.
— Não achei que a Livinia fosse conseguir tirar do laboratório. — Comentou Christian. — O que ela fez? Ameaçou cortar a luz?
— Foi. — Ambos rimos.
— O que você tanto faz lá?
— Confidencial por enquanto.
— Posso perguntar a Friday.
— Ela não tem acesso a essas informações, e vai precisar quebrar uma bela correntes de hardwares se quiser invadir. — O olhei totalmente satisfeita.
— Tudo bem Eu espero...
— Ta na mesa. — Livinia voltou da cozinha com a última tigela com o que parecia salada de batata.
— Como foi na aula hoje? Alguém te perturbou? — Perguntou Christian servindo seu prato.
— Foi normal Eu acho... E não. Christian, pode assinar uns papéis para mim? — Pedi brincando com uma mecha do meu cabelo.
— Que papéis?
— Um é uma permissão para que eu possa participar do grupo de debates e o outro para que Eu possa ir para Washington em um decathlon ou coisa do tipo.
— Um decathlon? Parece interessante. — Livinia me entregou um prato com uma quantidade maior do que eu conseguiria comer com certeza. — Um pouco longe.
— Não vejo problema. Me entregue depois.
— Eu tenho uma pergunta... — Eu mais brincava com as batatas do que comia. — Me colocou na turma do Peter Holland de propósito?
— Não. — Ele estava claramente mentindo.
— Não sou burra.
— Como conhece ele?
— Vi os arquivos dele no seu sistema, o garoto que pega carros em movimento a mais de 90 por hora... — Quando olhei para Livinia ela o encarava como se estivesse surpresa não sabendo de nada.
— Eu só pedi para que te trocassem de turma, me falaram que colocariam você em uma turma mais avançada.
— Hm entendi...
Bom, Christian não faz o tipo fraternal então faz sentido ele não estar por trás disso. Depois do jantar Livinia me impediu de voltar ao laboratório então fui ao meu quarto, após terminar o dever peguei meu caderno continuando o desenho de como ficaria Lia quando eu terminasse.
Sua aparência seria a de uma adolescente como eu. Pelo menos eu teria uma amiga...
Quebra De Tempo
Na aula de química o professor explicava sobre densidade nos ensinando a fazer uma lâmpada de lava usando óleo e água.
Peter estava sentado na bancada ao lado... De novo. Pude vê-lo abaixar discretamente mexendo um pote com algo gosmento dentro de uma gaveta, entendi se tratar de suas teias, não parecia uma mistura complicada, tinha potencial.
Eu havia ficado com o Flash como dupla, minha avó com Alzheimer faria essa lâmpada mais rápido que ele.
— Por que essa droga não está funcionando? — Questionou ao ver todo óleo em cima da água.
— Esqueceu de colocar o comprimido. — Respondi sem se quer tirar os olhos do esboço que fazia no meu caderno.
— Ah é...
Revirei os olhos, como fui acabar de dupla com uma topeira?!
E enfim chegou a aula que eu mais odiaria: Ginástica.
Para começo de conversa eu sempre odiei usar shorts, tenho pernas de frango que ninguém além de mim precisavam ver e o que eu tenho de inteligência tenho de inabilidade em atividades físicas.
— Turma, hoje faremos o circuito do Capitão. — Explicava o professor enquanto estávamos sentados nas arquibancadas. — Com a falta de alguns professores uma outra turma irá se juntar a nós.
Quando vi que a turma que entrava era a minha antiga e vi Jessica sentando com suas amigas trogloditas quase caí pra trás...
No começo dos exercícios havia uma corrida e no final algo que envolvia bolas de vôlei que eu não entendi muito bem.
— Corre franguinha! Corre! — Disse Jessica passando rindo não minha frente junto as suas amigas.
Na segunda vez que eu fazia a corrida desse circuito já estava me sentindo cansada, o ar parecia não chegar aos meus pulmões me fazendo ofegar puxando um ar que não chegava.
— Cuidado!
DO NADA alguém me puxou segundos antes de uma bola de vôlei passar a toda velocidade onde eu estava antes.
Eu sentia cheiro de desodorante, quando abri os olhos estava literalmente sendo abraçada pelo Peter que me segurava forte contra o seu peito. Mesmo essa estranha cena e ter parado de correr não fez com que eu conseguisse respirar direito só me fez começar a tossir.
— Você está bem?
— Não... Não... Consigo... Respirar... — E nem falar aparentemente.
Ele me levou de volta a arquibancada me ajudando a sentar. Eu tentava controlar minha respiração em vão porque o ar fugia totalmente de mim.
— Seus lábios estão ficando roxos... PROFESSOR! — Gritou Peter e logo ele veio correndo.
— O que houve?
— Ela disse que não está conseguindo respirar.
— Melhor levá-la a enfermaria.
— Eu levo.
O professor falou algo que eu não entendi e de repente eu estava no colo do Peter que passou pelas portas parecendo estar com dificuldade para me carregar, mas assim que chegamos ao corredor vazio começou a correr como se nem estivesse carregando alguém enquanto eu tossia igual uma condenada tentando respirar.