Sua pedra era gigante, pensei que ao colocar aquilo em meu dedo eu nem poderia andar de tão pesado, esse pensamento me fez esboçar um sorriso. Obviamente não pela situação desagradável em que estávamos.
Após o anel estar em meu dedo, nos sentamos novamente em nossos acentos, dessa vez, o príncipe Felipe havia sentado ao meu lado como mandavam os costumes.
- Brindemos então - O rei disse em alto e bom som atraindo a atenção de todos os presentes. Todos, erguemos as taças.
Comemos e nos deliciamos com todas aquelas gostosuras do palácio, suas especiarias eram divinas e bastante diferentes do que eu estava acostumada.
Logo o relógio badalou e era hora de nos retirarmos.
Internamente agradeci por isso. Não sei se seria capaz de aguentar mais tanto tempo forçando um sorriso e inventando uma felicidade que não estava nem perto de existir.
- Foi um prazer estar com vocês.
Dito isso, me despedi da realeza e fui em direção ao meu quarto, ao subir as escadas senti uma mão me puxar levemente.
Era o ele.
- Por que me defendeu? - O príncipe sussurrou enquanto seus olhos me fitavam firmemente.
- Não te defendi, príncipe.
- Pare de me chamar de príncipe. Digo ... Não é necessário tanta formalidade. Seremos marido em mulher muito mais breve do que você espera.
Apenas revirei os olhos como sinal de pouco caso e ele prosseguiu.
- Sei que não nos conhecemos da melhor maneira Elisa, mas eu gostaria de te pedir desculpa e também que me dê uma segunda chance, para que eu possa me redimir.
- Quantos pedidos em uma noite só, príncipe. Sinto em dizer-lhe, mas não há nada que possamos fazer para melhorar nossa situação. Seremos forçados a nos casar e eu não posso fugir desse compromisso por que o meu país necessita dessa aliança, o meu povo! Sei que como eu não é o que quer também. Então não finja querer que haja amor, não vai haver. Tenha uma boa noite, com licença. - Eu o reverenciei após soltar tudo o que estava preso em minha garganta e dei de ombros e sai pisando duro sem nem olhar para trás.
Não o dei a oportunidade de dizer sequer uma palavra, eu estava farta daquela situação toda, de não poder escolher meu destino e não ter voz. Fui em direção ao meu quarto, tomei um banho aquecido e enfim adormeci. Por sorte aquele dia terrível fora salvo logo no fim. Acabei tendo um sonho maravilhoso, um sonho em que eu era livre, podia montar a cavalo, podia beber chopp em copos de madeira, e andava de calças, sem salto, apenas um sapato baixo. Não era obrigada a me casar com ninguém e minhas vontades eram só minhas.
Então fui retirada do meu sono, infelizmente trazida de volta a minha trágica realidade.
Eu bati a mão no rosto enquanto bufava. Tentei voltar a dormir só para dar continuidade no sonho, mas não deu e por fim, me dei por vencida.