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986 Palavras
Lívia — Lívia! — ouvi meu pai me chamar. Percebi que havia ficado muito tempo encarando para onde o homem grosseiro foi. Balancei a cabeça e corri em direção a casa. Papai segurou minha mão e entrou comigo, me senti animada e ansiosa para conhecer meu novo lar. Enquanto andávamos, ele pegou uma mecha do meu cabelo fazendo cachinhos e me apresentou a todos os empregados da casa. — Maria e Luísa, essa é a minha filha Lívia, a que eu sempre falava para vocês, finalmente ela está comigo agora. — meu pai me olhou e sorriu dando um beijo na minha testa — Filha, a Luísa cuida da limpeza da cada e a Maria da comida. As cumprimentei, as duas pareciam ser gentis e legais. Maria parecia jovem, era muito bonita, com seus cabelos pretos até a cintura e olhos verdes, já Luísa era uma senhora de meia idade, muito simpática. Depois, meu pai mostrou-me toda a casa e me explicou tudo, quando chegamos em uma porta específica, ele parou. — Filha, esse é o seu quarto desde que você me ligou, eu mandei preparar tudo de acordo com o que soube que jovens da sua idade gostam, mas no fim o arquiteto disse que deveria ser neutro e se você quisesse modificar, faria isso ao seu modo. Espero que goste meu amor. — Eu tenho certeza que vou amar. — respondi emocionada. Ele abriu a porta do quarto e corri o olhar por todo o cômodo, era realmente lindo. Tudo maravilhoso e perfeito para mim, grande e espaçoso com um closet e um banheiro. Uma cama de casal e uma varanda com vista para toda a fazenda. — Pai, é lindo, é perfeito. Eu amei, muito, de verdade. — exclamei com lágrimas nos olhos e abracei meu pai. Eu estava tão feliz. — Que bom minha filha. Agora vou deixar você sozinha um pouco, tenho que ir resolver algumas coisas e se quiser arrumar algo do seu jeito, sinta-se a vontade, é tudo seu. — meu pai me deu um beijo na testa. — Obrigada por tudo. — o abracei por vários segundos e então ele saiu do quarto, fechando a porta em seguida. Comecei a explorar um pouquinho o quarto, abri a porta do closet e já havia várias peças de roupas novinhas para mim. Caminhei até a varanda e percebi que dava pra ver quase a fazenda inteira, era lindo, tinha algumas luzes de casinhas dos empregados que juntas ficavam tão bonitas, a vista era perfeita para mim. Eu fiquei olhando a paisagem, sentindo-me tão feliz pela primeira vez na minha vida. De repente avistei o homem de hoje cedo o dono do cachorrinho machucado, minha curiosidade para saber o estado do bichinho aguçou, eu sempre tive um amor absurdo pelos animais, uma pena que nunca pude ter um em casa. Descidi ir lá embaixo para saber se o bichinho melhorou. Desci as escadas rapidamente e o encontrei cuidando de um cavalo perto do celeiro, a forma como seus braços musculosos se moviam enquanto escovava o animal, fez algo estranho no meio das minhas coxas. — Olá. — falei me aproximando. — Olá. — respondeu em tom seco. Meu olhar vagou por todo o celeiro e acabei me distraindo olhando os três cavalos lindos que havim lá. — O que você quer? — ele nem me olhou e continuou cuidando do cavalo. — Desculpe incomodar, é que... — Fala logo. — Que impaciente. — murmurei — O cachorrinho está bem? — Eu cuidei pra que ele ficasse bem. — Que bom. — Mais alguma coisa? Se é só isso já pode ir. — que arrogante. Franzi o cenho. — Por acaso eu não posso vir aqui? Passear pela fazenda do meu pai? Eu podia estar sendo arrogante como ele e até um pouco mimada, mas ele merecia naquele momento. — Oh, é claro. Quem sou eu, não é mesmo? Me desculpe. — disse cheio de ironia na voz. Chateada e não disposta a odiar alguém no meu primeiro dia na fazenda, sai sem dizer mais nenhuma palavra. Entrei em casa, jantei com o meu pai, me despedi com um beijo de boa noite e fui para o meu quarto. Tomei um banho, coloquei uma roupa de dormir e sentei-me um pouco no sofá que tinha na varanda. Fiquei algum tempo olhando as estrelas, estavam lindas. Olhei para o lado e vi algo que parecia uma escada cheia de folhas nos degraus finos. Fiquei curiosa e subi pra ver onde dava, cheguei lá em cima e me encontrei em um cômodo com apenas uma parede erguida que possuía um telhado, era pequeno e aconchegante e ao ar livre e a vista para as estrelas e para a lua, ficava ainda mais incrível. Fiquei encantada, sentei em um pedaço de toco que tinha e fiquei observando o céu. De repente ouvi um barulho, meu coração acelerou e olhei para trás e para minha surpresa, vi o dono do cachorrinho. — O que esta fazendo aqui? — perguntou assim que me viu. Ele parecia muito bonito, vestia uma camisa preta de mangas compridas, uma calça moletom cinza e os cabelos pretos caíam sobre os ombros. — Na varanda do meu quarto tem uma escada e eu subi para ver onde dava... Aqui é muito lindo... — respondi olhando o céu. — Pelo visto não poderei vir mais aqui. Antes de você chegar, era o meu lugar favorito. — Era? — indaguei. — Agora não é mais. Tenho certeza que você vai querer vir sempre aqui agora. — Eu não. Pode ficar a vontade, eu já vou e prometo não voltar. Desculpe. — eu estava sendo ridícula, pedindo desculpas por estar no terraço do meu próprio quarto. Sem olhar para ele, desci as escadas e voltei para meu quarto. Deitei na cama e soltei um longo suspiro... Por que será que ele era tão grosseiro assim?
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