Depois do Funeral

1533 Palavras

Quando eu fechava os olhos, eu via o rosto da minha irmã no caixão. O olho esquerdo roxo e muito inchado. Não teve velório. A orientação da polícia é que não se faça velório para chacinas. Por isso, mesmo que o rosto estava desfigurado, foi caixão aberto. Fazia uma semana da morte dela. Rodrigo e minha mãe ficavam em casa o tempo todo. Não deixei meus filhos verem a tia naquela situação, contei apenas que ela viajou. Jeanzinho quem contou pro Guilherme que ela virou anjo. Eu não conseguia pensar que deveria cuidar da cabecinha dos meus filhos. Não conseguia ser a forte que segurava as pontas pra todo mundo. Eu só sentia culpa. Remorso. Dor. A morte de Adrielle me afetou como nenhuma das outras em minha vida. Pior, nem todas juntas me afetaram tanto. Eu não conseguia parar de pensar e

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